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Nikon - Compatibilidade entre câmaras SLRD e objectivas antigas sem CPU


Nikon D200 com uma Nikkor 50mm f/1.4 AI sem CPU


Este artigo é especialmente dirigido aqueles que possuem câmaras Nikon designadamente os modelos mais avançados denominados de gama “pro” e nunca fizeram uso das mesmas com objectivas Nikkor mais antigas nomeadamente AI, AI-S ou Series E.
Na era digital tudo tende a ser mais prático e as recentes objectivas Nikkor também se souberam adaptar aos tempos modernos não fugindo, por isso, a essa tendência. Mesmo as objectivas actuais de gama mais baixa já estão dotadas do sistema de motorização AF-S.
Tudo evoluiu…tudo tende a ser mais rápido….mas será que aquelas “velhas” objectivas, sem sistemas de auto-focagem, estão completamente obsoletas?
Pela parte que me toca e baseado no uso que tenho feito de algumas tenho precisamente uma ideia bem contrária. De facto quem nunca experimentou acoplar uma “velha” objectiva AI, AI-S ou Series E, sem CPU, a um dos mais recentes corpos da Nikon, “sair para a rua” e captar umas fotografias…não sabe o que perde!
Na realidade, há um elemento subjacente à captação das imagens que, apesar de toda a evolução técnica, se mantêm inalterado… a parte óptica! Quero com isto referir-me às lentes com que são construídas as objectivas e que são o elemento mais importante no recorte/definição da imagem. Apesar de, no que concerne ao revestimentos das lentes (coatings), ter havido melhorias ao longo dos tempos esse facto por si só não é garante de melhor imagem. Actualmente todas as lentes tem revestimentos “multi-coatings” e bem recentemente já existem algumas com “nano-coatings” ao contrário de algumas objectivas mais antigas em que o revestimento era “single-coating”.Estes revestimentos destinam-se predominantemente a eliminar “reflexos e fantasmas” da imagem em condições de luz não ideais.
Pessoalmente, demorei um pouco a “render-me” ao digital. Mas porque não, uma vez que a Nikon teve a feliz ideia de permitir que assim fosse, não aliar o melhor e a mais recente tecnologia presente nas câmaras Nikon à qualidade das “velhas” objectivas Nikkor? Essa compatibilidade é quase de 100% nalgumas câmaras. Mesmo no que diz respeito à medição de luz!
Pena é que essa possibilidade não seja estendida a toda a gama de corpos Nikon. No caso das Nikon D40, D50, D60, D70, D80, D90, D100 e a recente D5000 temos que “adivinhar” a medição de luz e "trabalhar" unicamente com o modo de exposição Manual. Nas Nikon de gama mais cara D200, D300, D700, D2 e D3 além de ser possível a utilização dos três sistemas de medição disponibilizados pelas câmaras podemos ainda trabalhar quer nos modos de exposição Manual, quer em "A" (prioridade à Abertura)!

Compatibilidade entre câmaras/objectivas e modos de exposição e sistemas de medição de luz possíveis:

Esta possibilidade de continuar a usar “velhas” objectivas, designadamente AI, AI-S e series E, é a prova que a Nikon sabe que os utilizadores de boas objectivas Nikkor iriam ficar pouco satisfeitos caso assim não fosse. Esta compatibilidade permite usar objectivas com mais de 20 anos de idade nos mais recentes corpos da Nikon! O facto de serem de foco manual pouco importa a alguns desde que a qualidade final seja boa.
Atenção: Quanto às objectivas “pré-AI”, também conhecidas como “não-AI” não podem ser usadas em alguns dos recentes corpos de SLRD sob pena de fazerem estragos! O problema da sua montagem, nalgumas câmaras, reside naquela pequena aba existente no encaixe das mesmas que roda simultâneamente com o anel de aberturas quando acoplamos uma objectiva e que não é compativel com as "pré-AI" ou "não-AI". Curiosamente, parece-me que podem ser usadas, embora só em modo M (Manual) e sem posibilidade de qualquer medição de luz, nas D40, D60, e D5000, algo que, contudo, ainda não testei! Mas o melhor é, quanto a estas objectivas, consultar caso a caso, o respectivo manual das câmaras!
Aproveito para esclarecer, aqueles que nunca experimentaram usar objectivas de foco manual, que focar com estas objectivas (de foco exclusivamente manual), é bem mais fácil do que focar manualmente com a maior parte das actuais objectivas auto-focus. Foram concebidas para isso. No caso das objectivas AF, principalmente nas de gama média e de “kit”, essa utilização é duma maneira geral, pouco usual. Provavelmente, grande parte dos utilizadores dessas objectivas nunca fotografou recorrendo à focagem manual! E mesmo que o tenham feito facilmente desistem pois a focagem é imprecisa e pouco agradável com grande parte delas. Claro que também, entre as “antigas”, existem diferenças na facilidade e precisão de focagem. Posso dar um exemplo: Entre as duas objectivas Nikkor 50mm f/1.4 AI e a 50mm f/1.8 E existe uma substancial diferença na facilidade de aquisição e precisão de foco. A Nikkor 50mm f/1.4 AI (imagem do topo) é facílima de utilizar e mesmo com pouca experiência qualquer um consegue fotos nítidas inclusive de objectos em movimento! Já com a Nikkor 50mm f/1.8 as coisas não são bem assim e focar devidamente demora um pouco mais.
Claro que estas objectivas foram feitas para focar com outras câmaras. O actual sistema de ecrã de focagem das modernas SLRD é diferente do que usavam, por exemplo, as antigas Nikkormat. O ecrã de focagem ideal para quem fizer questão duma focagem precisa e fácil, numa utilização predominante manual será o chamado “Katz Eye” (olho de gato).
Todas as câmara Nikon, umas de maneira mais fácil que outras, suportam a substituição do ecrã original por um do tipo “Katz Eye”. Existem mesmo empresas que se dedicam exclusivamente a fabricar este tipo de ecrã para os mais variados modelos e marcas actuais de SLRD!
No caso de “mantermos” o ecrã de focagem original a confirmação de foco continua a ser o pequeno ponto verde que aparece na parte inferior do visor.
Também esta “confirmação” (aparecimento do ponto verde de maneira fixa – prova de que o objecto está focado) varia consoante a objectiva manual que usarmos, mas também nas AF e AF-S isso acontece. Nem todas adquirem o foco correcto da mesma maneira e facilidade!

Não quero dizer com tudo isto que devemos preferir as “velhas” objectivas AI às mais recentes por estas serem melhores. Nada disso! Actualmente existem excelentes objectivas que proporcionam excelente qualidade de imagem e toda a recente tecnologia deve ser aproveitada, mas caso tenhamos alguma daquelas MF (foco manual) guardadas no “armário” é bom saber que podemos usa-las nas recentes câmaras e que os resultados serão bons!
Outro aspecto importante e onde reside a diferença (importante) dos corpos das câmaras designadas “pro” para as da restante gama abaixo é a possibilidade de medição matricial de luz. É que estas câmaras, das séries D200 e D2 e superiores, possibilitam, usando estas antigas objectivas de foco manual sem CPU, além das medições de luz central ponderada e pontual, uma medição matricial de luz (em 2DMatrix uma vez que continua a faltar a informação relativa à distância “D” para que possam fazer essa medição em 3D).
Mais, como modo de exposição podemos usar, além do programa Manual (M) o programa de prioridade à abertura (A). A abertura passa a ser controlada pelo anel de aberturas da própria objectiva contrariamente ao que se passa com as actuais (excluindo as da série “G” que nem sequer o possuem) em que esse anel de aberturas da objectiva tem de ficar “bloqueado” na abertura mínima para que seja possível fazer uma leitura correcta da luz e regular as aberturas através dos botões de comando da câmara. Caso contrário, não estando na abertura mínima (o maior nº f/stop, indicado a cor laranja, geralmente f/22) teremos uma indicação de erro no painel superior da câmara.
O uso destas objectivas antigas, de foco manual, nas câmaras que permitam a leitura matricial de luz é simples e são precisos apenas alguns ajustes no menu para que, de um momento para o outro e sempre que quisermos, possamos trocar de objectivas AF para as “antigas” de foco manual (MF) sem CPU sem ter de cada uma dessas vezes configurar a câmara. Mesmo que usemos diferentes objectivas MF.

A seguir mostra-se como, em 3 simples passos, se efectuam as regulações necessárias no menu de ajustes das câmaras (o exemplo é da Nikon D200 mas penso que é válido para todas as outras que o permitam):


O processo é simples e permite, depois de seguidos os passos acima descritos, a mudança entre objectivas Nikkor sem CPU mantendo a possibilidade de correcta medição de luz matricial (2DMatrix) para todas elas.
Após efectuado o processo, acima descrito, de atribuição da função de “leitura de dados” de objectivas sem CPU, ao “botão de função” (situado na frente da câmara do lado do punho – botão inferior – ver fig.) só temos que introduzir dois parâmetros cada vez que trocamos de objectivas (sem CPU, pois quanto às outras a câmara automaticamente reconhece nada mais havendo necessidade de alterar):
  1. Introduzir a informação referente à abertura máxima (nº de f/stop mais pequeno) da objectiva que acoplamos – operação que se faz rodando o selector de disco da frente da câmara;
  2. Introduzir a informação referente à distância focal da objectiva (50mm; 85mm, etc.) - operação que se faz rodando o selector de disco existente na parte de traseira da câmara.
Esta operação é efectuada pressionando simultaneamente o botão de função (depois de termos seguido os 3 passos acima explicados e estando por isso já configurado para o efeito) e rodando os discos selectores conforme acima descrito. Esta alteração é possível de controlar no visor superior da câmara.
Resta dizer que se estivermos a acoplar uma objectiva zoom (em que a distância focal e as aberturas variam) os dados a introduzir são a abertura máxima e a mínima distancia focal indicada. Por exemplo, no caso de uma objectiva zoom 70-210mm f/4.5-5.6, os dados a introduzir seriam 70mm e f/4.5. A partir daí a câmara automaticamente “ajusta” a abertura à distância focal utilizada.
Na realidade se tivermos a câmara regulada para, por exemplo, 50mm e f/1.4, se acoplarmos uma 300mm f/2.8 ou uma 600mm f/5.6 a medição de luz matricial vai continuar a ser correcta, pois mantemos a regulação proporcional entre abertura e distância focal. Claro que no EXIF da fotografia aparecerão os números introduzidos na câmara e não os que efectivamente usamos mas, apesar disso, vamos ter uma correcta medição de luz!
Só resta, caso possua alguma destas “velhas” objectivas, regular a câmara e experimentar!
Artigo relacionado:

Coimbra Airshow 2009 - 1100 fotografias de aviões numa tarde!


Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 200; f/6.3; 1/1250 Seg.)


Realizou-se no passado fim-de-semana (11/12 de Julho), no Aeródromo Municipal Bissaya Barreto, o Coimbra Airshow 2009.
O evento, organizado pelo aeroclube de Coimbra, contou com a presença de variados aviões e pilotos, nomeadamente os Asas de Portugal, o espanhol Ramón Alonso e os Smoke Wings entre outros.
Durante o show, no solo, puderam ser observados (pelos mais atrevidos, ao contrário do que era solicitado, tocados) os aviões que lá se encontravam parados antes e depois de cada demonstração.

Por vezes, quem já só vê o produto acabado, neste caso as fotografias de aviões, desconhece o “trabalho”, no meu caso “prazer” que está subjacente à sua realização. Assim, e especialmente dirigido aqueles mais curiosos em saber pormenores, deixo hoje aqui um pequeno texto narrativo/descritivo de como é um dia passado a fotografar aviões num evento deste tipo e, já agora, alguns pormenores técnicos. Para aqueles que prescindam do texto ficam as fotos….!!!

Desta vez, fui “aos aviões” de avião.
Combinado previamente com o amigo Pedro, o qual atempadamente marcou o voo e tratou das necessárias autorizações de aterragem e descolagem, no domingo passado lá fomos ver o Coimbra Airshow no pequeno Cessna 152 II que se encontra em Aveiro.
No dia anterior, mais concretamente no sábado à noite, decidi “arranjar” o saco com o material que iria necessitar.
Para o dia seguinte iria levar somente duas objectivas com a Nikon D200. Uma Nikkor 80-400mm, para fotografar os aviões em voo e a recente (praticamente a estrear) Nikkor 24-70mm para aproveitar a altura e captar umas fotografias aéreas entre Aveiro e Coimbra.Estava visto que o saco da Nikon não daria pelo que tive de levar o Hama Defender 210, onde cabe perfeitamente a câmara com qualquer umas dessas duas objectivas montadas e a outra ao lado (sobrando ainda bastante espaço….). Mesmo assim, com estas duas objectivas, a D200, um monopé Manfrotto 680B, uns filtros e umas baterias extras o peso a transportar era superior a 7kg. Algo que já se torna, aliado ao próprio volume do saco, um pouco penoso de transportar caso tenhamos de andar de um lado para o outro o que, por acaso, não foi o caso.

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 200; f/5.6; 1/1250 Seg.)

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 200; f/5.6; 1/1250 Seg.)


Na realidade, chegarmos de avião a um destes eventos tem as suas vantagens.
Mas vamos por partes. Como a autorização de chegada a Coimbra era para as 14:00h todo o timing foi programado em função disso.
Por volta das 11:30h e na companhia do amigo Pedro já era servido o almoço lá em casa. Não me lembro de alguma vez ter almoçado quase à hora do pequeno-almoço mas enfim… era um dos sacrifícios a fazer.
12:00 horas e lá estávamos de partida para Aveiro, sítio onde iríamos iniciar o nosso voo. Cinco minutos antes da hora de chegada prevista, ou seja às 12:55h estacionávamos o jeep no aeroclube local.
O Cessna 152 II já estava fora do hangar e após os usuais procedimentos de verificação à hora que tínhamos previsto (13:30h) lá partimos.

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 100; f/6.3; 1/350 Seg.)

Quarenta minutos depois chegávamos ao Aeródromo Municipal Bissaya Barreto.
Houve algumas confusões quanto à autorização para efectuar a aterragem dado o evento que ali decorria, mas no fim, uma vez que havia prévia autorização lá aterramos.
Após aterrar mais umas pequenas confusões quanto ao lugar onde devia ser “estacionado” o avião. Volta para a frente, volta para trás lá estacionamos bem próximo da pista principal onde aterravam e levantavam voo todos os aviões do Airshow (à excepção dos Asas de Portugal).
Mais umas verificações após desligar o motor, antes de “abandonar” o avião, e lá fomos rumo ao edifício do aeroclube de Coimbra tratar das papeladas.
Aqui é que se começaram a sentir algumas das “mordomias” pelo facto de termos ido de avião. Foi-nos dado uma espécie de “Freepass” que viria a ser muito útil pois permitia-nos a livre deslocação por todo o recinto bem assim como o acesso ao local onde tinhamos deixado o avião e que era próximo da pista. Ah!...e as bebidas... água claro, por gentileza do aeroclube também ficaram “por conta da casa”!


Bom, uma das dificuldades que se depara quando se fotografa eventos do género é o excesso de gente à volta o que, desta vez, não aconteceu.
As fotografias foram captadas em local privilegiado, bem próxima da pista e sem “obstáculos”! Além do mais passavam ao nosso lado quase todos os aviões e respectivos pilotos quando acabavam a sua exibição!
Mas nem por isso o lugar era o ideal e se já durante a tarde não tive grandes dúvidas acerca dos resultados que iria obter, posteriormente, quando cheguei a casa e descarreguei as fotos para o computador mais frustrado fiquei.
O sol, além de muito intenso, encontrava-se mesmo de frente e só nas passagens laterais ou em voos a pouca altitude da pista é que se conseguia alguma cor nos aviões. Vindos de frente ou da direcção do sol, os aviões, não passavam de pequenas manchas escuras sem contornos, cores….
Tentei fotografar usando as várias medições de luz possíveis da câmara (matricial, central ponderada e pontual) mas sem grandes melhorias de resultados. Como seria de esperar fotografar um objecto em movimento e em contra-luz, além de mais difícil nunca proporciona grandes resultados. Pena que não fosse possível atravessar a pista para o outro lado…!
Nem mesmo uma experiência com a 24-70mm e um filtro polarizador da B+W foram capazes de fazer escurecer o azul do céu e manter os aviões na cor e contraste certos.

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 230mm; ISO 100; f/18; 1/20 Seg.)


As velocidades de obturação que utilizei variaram desde os 1/20 seg. (como foi o caso da fotografia acima do “Extra 300”) criando o efeito de panning, até 1/1250 (como foi o caso da fotografia dos dois “Alfa Jet’s” do início desta mensagem). Já quanto à sensibilidade do filme (ISO) os valores usados foram, regra geral de 100/200 e numa ou noutra altura de 320. Dada a forte luminosidade do dia, mesmo com aberturas um pouco “lentas” – quase sempre de f/5.6 para cima - não houve necessidade de usar valores ISO mais elevados, pois as velocidades de obturação conseguidas eram mais que suficientes.

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 100; f/6.3; 1/500 Seg.)

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 100; f/6.3; 1/640 Seg.)

Já agora fica aqui uma dica (para quem não está habituado nestas lides, claro):
Na fotografia a aviões, designadamente dos que possuem hélice, devemos usar velocidades relativamente baixas (tendo em conta a distância focal da objectiva – princípio da relação de igualdade entre a distancia focal e a velocidade, ou seja, 300mm= 1/300seg. mínimo; 600mm=1/600seg. mínimos…) de maneira a permitir visualizar o arrastamento provocado pela mesma. Às vezes temos mesmo que fotografar abaixo da velocidade ideal esquecendo essa regra. Fazendo isso estamos a criar, ou melhor, a permitir que a fotografia transmita a sensação de movimento. Uma fotografia a um avião, em pleno voo, em que a hélice se encontra “congelada” por se ter usado uma velocidade de obturação elevada, além de ter pouco impacto, soa a irreal pois era impossível, nessa circunstância, que o avião se mantivesse no ar!
Já a situação é outra se estivermos a captar fotografias a aviões a jacto tendo por fundo o céu (como foi o caso dos Alfa Jet’s dos “Asas de Portugal”) em que somos “obrigados” a usar velocidades de obturação mais elevadas para conseguir uma fotografia com alguma nitidez e detalhe. É que a velocidade destes aviões supera os 1.000 Km/h!

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 100; f/5.6; 1/500 Seg.)

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 230mm; ISO 100; f/5.6; 1/750 Seg.)

Neste tipo de fotografia convém sabermos de antemão como devemos “programar” a câmara e que efeito se pretende criar. Ao contrário da fotografia de paisagem, em que dispomos de tempo para testar e reformular as regulações da câmara de maneira a ir ao encontro do que pretendemos, na fotografia deste tipo de eventos não há possibilidades de “repetir” a fotografia e tudo se passa de maneira muito rápida! Por isso aqui fica a explicação de como foi possível em pouco mais de 2 horas obturar cerca de 1100 vezes!
Quase sempre regulo a câmara como na maneira descrita para o “panning” usando velocidades variadas, consoante aquilo que pretendo.

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 310mm; ISO 200; f/10; 1/125 Seg.)


Pela primeira vez, consegui atingir o limite máximo do “bufffer” da D200 no que toca a guardar fotografias. A captar sequências de fotografias, à velocidade de 5 por segundo, nem mesmo a “reserva” proporcionada pelo “buffer” chegou (para os menos entendidos “buffer” = espécie de memória temporária interna da câmara que permite guardar, no caso da Nikon D200, até 25 fotografias [em formato RAW e, salvo erro, até cerca de 37 caso estejamos a fotografar em formato JPEG modo “Large” e “Fine”], enquanto vão sendo gravadas/descarregadas no cartão de memória que é um pouco lento para assimilar “rajadas” de fotos seguidas à razão de 5 por segundo. Enquanto vão sendo gravadas para o cartão essa “memória” vai ficando livre e permitindo a gravação de novas fotografias!). Outro dado: apesar de ter levado comigo 3 baterias Nikon EnEl3e uma única chegou para esta tarde. Claro que tive, como regra geral tenho sempre, o visor da D200 desligado (opção de não exibição de fotos após a captura) e poucas fotos tive tempo para rever. Por isso atingi quase o nº de fotos máximas que supostamente se consegue captar com estas baterias na Nikon D200… quando cheguei ainda restavam 6% de carga!

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 200; f/5.6; 1/1000 Seg.)


As fotografias que aqui publico são apenas algumas das 1.100 que captei em pouco mais de duas horas!
Claro que a maioria dessas fotografias são “lixo” pois ou não estão devidamente focadas, ou não estão suficientemente contrastadas, não estão com enquadramentos correctos, etc… mas, neste tipo de fotografia, é mesmo assim. Se das 1.100, atendendo também às condições de luz, “aproveitar” umas 10 /15 fotografias já considero uma tarde proveitosa!

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 220mm; ISO 100; f/5.6; 1/640 Seg.)


Já agora, só me falta falar no regresso desta viagem de Coimbra a Aveiro que foi um pouco atribulado.
Após alguns minutos de espera pela autorização da torre de controlo para levantar voo de Coimbra lá partimos. A saída estava prevista para as 18.00h mas como, nessa altura, faziam exibição os “Smoke Wings” levantamos cerca das 18:40h.
De início tudo correu bem permitindo o tempo, inclusive, tirar algumas fotografias aéreas logo à saída de Coimbra. Quando sobrevoávamos a zona de Ovar subitamente encontramos um nevoeiro cerrado, com visibilidade praticamente zero, obrigando a um pequeno período de navegação somente por instrumentos.
Desceram-se cerca de 1200 pés virou-se para a costa e assim fomos até ser visível o farol da barra de Aveiro sobrevoando sempre a praia a uma altitude baixa, cerca de 150m, evitando assim o denso nevoeiro que pairava por cima de nós.
No final tudo correu bem e fizemos uma boa aterragem. Chegamos a casa já bem tarde devido ao trânsito na zona da Torreira mas mesmo assim, após o jantar, ainda houve algum tempo para descarregar as 1100 fotografias do dia! Só isso… pois o descanso era merecido!
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Ver mais fotografias de aviões:

Nikon Nikkor 60mm f/2.8 Micro AF-D


Nikon Nikkor 60mm Micro...
Quanto a mim, esta é também uma das objectivas fabricadas pela Nikon que se pode incluir, em termos de definição e detalhe de imagem, entre as melhores.
A que tenho, é uma das minhas objectivas favoritas e já me faz companhia há cerca de 16 anos! Penso mesmo que foi das primeiras AF-D que se venderam por cá. Na realidade, esta foi a minha primeira compra de uma objectiva via internet. Na altura, a diferença de preço para as nossas lojas comerciais em Portugal era abismal (cerca de 40 a 45% a menos)!
Em termos de preço o seu valor tem-se mantido quase inalterado ao longo de todos estes anos e, à data, era sensivelmente igual ao que ainda hoje custa a sua nova versão, a 60mm AF-S! É evidente que hoje em dia esse valor representa muito menos.

A Nikon Nikkor 60mm f/2.8 Micro AF-D é, como o próprio nome o indica, uma objectiva vocacionada para a macrofotografia. A Nikon opta pela designação de “Micro” e não “Macro” sendo, no fundo, só uma questão de nome.
Esta objectiva é capaz de reproduções máximas de 1:1, ou seja, no formato de filme 35mm (24x36mm), o tamanho do objecto fotografado na película (ou sensor), é igual ao seu tamanho real.

A construção é robusta e, em proporção com o tamanho que tem, pode dizer-se que é pesada. Pesa mais do dobro da pequena Nikkor 50mm f/1.8 Series E que é toda construída em metal!
A qualidade de imagem (QI) em fotografias, quer de pessoas, quer em casos de focagem ao infinito, como por exemplo de paisagens não é, contudo, melhor do que a da 50mm. É uma objectiva feita para captar fotografias macros usando, por isso, de pouca distância entre esta e o objecto a fotografar.
Os 21cm que se indicam acima nas especificações (distância mínima de foco) são contados, sempre, desde o plano focal e não da frente da objectiva. O plano focal nas câmaras está graficamente representado por aquela pequena marca, regra geral, no seu topo, (pequena circunferência traçada a meio - Ø) e que representa o local onde se encontra o plano do filme fotográfico. As DSLR continuam a ter essa marca representando, na mesma, o local do filme, desta vez substituído pelo sensor.
Na realidade, fotografar em verdadeiro modo macro 1:1 (relação de proporção de 1 para 1), significa quase tocar com a extremidade da objectiva no objecto. Após uma rápida (e por isso, não exacta) medição cheguei à conclusão que essa distância mínima de foco se situa nesta objectiva, quando na sua capacidade máxima de aproximação, apenas entre 5 a 7 cm entre o objecto fotografado e a frente da objectiva (que fica bastante saliente quando nesta relação de proporção). Este é um aspecto em que a Nikkor 105mm tem vantagem sobre esta pequena 60mm porquanto o espaço de trabalho, para obtenção da mesma relação de reprodução, é maior.
Para contrariar as distorções que surgem quando fotografamos a tão curtas distâncias, esta nikkor 60mm está dotada do sistema denominado CRC (Close Range Correction System) o que permite uma correcção dessa “normal” distorção aquando em macrofotografia, portanto fotografias captadas de muito perto. Este sistema é também usado nas objectivas grande-angulares para corrigir distorções.
Curiosamente, consegue usar-se esta Nikkor com aberturas extremamente pequenas com uma boa QI, designadamente em termos de definição de imagem, algo que contraria um princípio natural, pois seria normal a aberturas de f/32, ou menos, haver difracção.
Claro que isto é uma boa notícia pois em macrofotografia é normal e frequente o uso de distâncias pequenas ao objecto e de f/stop grandes (aberturas pequenas) para consegui alguma profundidade de campo.
Aqui fica um exemplo duma fotografia de um Gafanhoto do Egipto captada com esta objectiva a f/32.

Auto-focus:
Lento, mas em macro-fotografia isso não é importante pois usa-se quase sempre focagem manual.

Outros aspectos relevantes:
Botão limitador de foco com 2 posições:
Full – para utilização em modo macro (permite o foco em toda a extensão de distâncias – dos 0,219 até ao ∞;
Limit - para uma utilização geral permitindo o foco somente desde os… deixa cá ver…. ah!, 0,3m até a infinito. Diga-se que, mesmo usando esta posição, que “obriga” a um menor percurso do foco interno, quando este se perde… demora um pouco a chegar ao seu limite e regressar… nesse aspecto, certamente, que a nova Nikkor 60mm AF-S, deve ser melhor. Por falar nisso, um dos aspectos menos agradáveis nesta objectiva é o barulho que tem aquando da focagem provocado pela deslocação do foco controlado pelo sistema de motor servo da câmara. Estes dois aspectos negativos, o facto de ser lenta a focar em AF e o barulho não são nada com que não se possa viver… nem sequer são importantes para a utilização principal a que esta objectiva se destina.
Todavia, como referi, é uma objectiva específica para macrofotografia e para uma utilização mais genérica é preferível comprar, por exemplo, qualquer uma das bem mais baratas 50mm que têm melhor abertura, são mais pequenas, pesam menos, são mais rápidas….

Escalas: Tem três. Uma relativa á medição em metros (em branco), outra em pés (em amarelo) e uma última de relação de reprodução (em vermelho).

A selecção de passagem de modo Auto-focus (AF) para Manual-focus (MF), além de poder, claro, ser feita nas câmaras pode, também, ser feita na própria objectiva através do selector de modo A/M.

Como sugestão, sempre direi que o uso do conjunto de uma SLRD com uma objectiva macro não é tarefa simples e, por isso, nada melhor que, para conseguir bons resultados, usar um tripé e uma boa cabeça de tripé dadas as baixas velocidades com que se trabalha a fim de se conseguir alguma profundidade de campo (a Manfrotto 468MGRC2 é excelente para macrofotografia).
Abaixo deixo um exemplo da relação directa do aumento da profundidade de campo com a abertura.
Reparem como (sem alterar a luminosidade ambiente) à medida que se aumenta a profundidade de campo (f/stops maiores) diminui a velocidade:

f/5 - 1/125 seg.
f/8 -1/50 seg.
f/16 - 1/13 seg.
f/32 – 1/4 seg.

Portanto, com o mesmo ambiente e com a mesma luminosidade, se com uma abertura de f/5 temos uma velocidade já rápida (para a distância focal desta objectiva), a f/32 ou até mesmo a f/16 essa velocidade já diminui para valores abaixo do desejável para obter fotografias com boa definição.

Parasol- HN-22 metálico e vendido separadamente (dada a localização profunda da lente frontal, que fica muito recuada em relação á frente da objectiva, o seu uso é dispensável – raras vezes cheguei a usar o que tenho!)

Ver mais imagens captadas com esta objectiva.

Qualidade Óptica
★★★★★
Qualidade de Construção
★★★★★
Versatilidade
★★★☆☆
Manuseamento
★★★★★
Valor
★★★★★

A "Regra dos Terços" na fotografia


Nikon D200 + Nikkor 28-70mm f/2.8 ED-IF AF-S + BW-CL-PL
(@ 28mm; ISO 100; f/8; 1/40 Seg.)


Porque é que certas fotografias, mesmo que de algo bem singelo, podem cativar mais, ou menos, os nossos sentidos dependendo da forma como são captadas?
Ao olhar para esta fotografia (árvore em Mogadouro) de imediato me ocorreu escrever um pouco sobre uma regra básica da fotografia – a Regra dos terços.
Apesar das regras não serem uma verdade absoluta e incontornável existem. Por vezes, podem ser “quebradas” mas não deixam de assim se chamar porque são… regras!
Esta fotografia não foge “à regra” e é um bom exemplo demonstrativo da mesma.
Este princípio consiste em dividir, de forma imaginária, através de 4 linhas (2 verticais e 2 horizontais) aquilo que vemos através do visor da câmara. Desta forma a cena fica dividida em 9 partes iguais. São precisamente estas linhas que vão dividir a cena em terços. Quer horizontalmente, quer verticalmente ficamos com a imagem dividida em 3 partes iguais.
Essas linhas imaginárias, que dividem a cena, servirão de guia para “centrar” o objecto principal da nossa fotografia na intercepção das verticais com as horizontais.
Se bem que já exista muita, e boa, informação acerca desta regra disponível para os internautas, nada como deixar aqui também a minha versão.
Fazendo uso dum velho ditado que diz que uma imagem vale por mil palavras e “pegando” na fotografia em causa, fiz uma sobreposição em Photoshop dessas tais linhas “imaginárias” com vista a demonstrar como ficaria a divisão acima explanada.





Como se observa, o motivo principal encontra-se na intercepção da linha vertical (2) com a linha horizontal (3) – Ponto A.
Qualquer um dos outros pontos de intercepção de linhas (marcados a vermelho e também chamados de “pontos de ouro”) seria igualmente válido. Tudo depende do motivo a fotografar.





Porquê fazer uso desta regra?
Bom, é tudo por uma questão de enquadramento, de composição e de estética. Esta é uma regra básica “herdada” das artes, designadamente da pintura (onde assume também grande importância) não sendo exclusiva, por isso, da fotografia. De igual modo é também seguida noutras áreas da imagem como no vídeo e cinema.
Esta regra pode e deve ser seguida, sempre que possível, nas várias vertentes da fotografia que seja paisagística, arquitectónica, de pessoas, etc.
Ao evitar centrar os objectos que fotografamos e fazendo uso desta regra estamos a criar mais harmonia e impacto nas fotografias.
Por exemplo, as fotografias que retratem o horizonte ganham mais impacto se o enquadrarmos no terço horizontal superior ou no inferior. Um enquadramento no centro da fotografia deve por isso ser evitado.
Regressando ao exemplo, também de maneira instintiva, verificamos que a fotografia da árvore em causa ocupa os 2/3 verticais direitos da imagem deixando livre o restante terço vertical. É outra maneira de interpretar esta regra. Colocar o objecto da fotografia de maneira a ”fazer uso” de 2/3 da imagem, quer sejam verticais, quer sejam horizontais. Ou, pelo contrário, usando somente os restantes 1/3 com o motivo principal e deixando “livre” a outra parte!
A este propósito, quando usada esta regra em objectos em movimento ou mesmo em estáticos mas em que haja um sentido de marcha lógico (para a frente) deve deixar-se o espaço 1/3 ou 2/3, consoante seja o caso, livres à frente desse objecto.
Mais uma vez, uma imagem com certeza que explicará melhor este conceito!
No caso concreto desta fotografia, de um Rabiruivo, não haveria um enquadramento correcto se a ave estivesse na posição da linha 1.
Não haveria espaço à frente do sentido lógico de deslocação da ave tornando, isso, a composição desagradável e esteticamente muito pouco apelativa.
Este outro princípio, aqui associado à regra dos terços, também deve ser seguido em casos de fotografias de animais, veículos e… de tudo aquilo que se possa mover e tenha o tal sentido lógico de marcha.

Outra “maneira” de entender ou de interpretar a regra dos terços, já acima referida, é a de ocupar 1/3 ou 2/3 da área do fotograma (vertical ou horizontalmente) com o motivo principal e deixar o restante espaço “livre”. No exemplo seguinte vemos a diferença entre uma composição centrada (imagem da esquerda) e uma que segue esta regra. O aglomerado de casas (na fotografia da direita) foi “posicionado” nos 2/3 horizontais inferiores da imagem e deixado quase “livre” o terço superior.













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Para os utilizadores de câmaras Nikon, posteriores à analógica F80 (penso que foi das primeiras a disponibilizar esta opção) e designadamente no caso da D200, existe uma pequena ajuda em termos de composição caso se opte pela “visualização de rede” existente no campo “d2” no “Menu de Ajuste Personalizado”. Contudo, estas “grid lines” não podem ser usadas como guias para a regra que acima expliquei (regra dos terços) porquanto divide o visor com seis linhas (três verticais e outras três horizontais) dividindo, por isso a imagem em 12 partes iguais – 4 verticais e 4 horizontais - em vez de a dividir, segundo a regra dos terços, em 9 partes iguais (3 verticais e 3 horizontais).
Em todo o caso, e tendo em conta este factor, dispomos de uma melhor noção quer do nivelamento vertical quer do horizontal da imagem podendo, com algum hábito, usar os espaços entre essas linhas de grelha para calcular e situar o nosso objecto.


A figura ao lado mostra, para comparação, a vermelho a correcta posição das linhas correspondentes à regra dos terços (divisão em da imagem em 9 partes iguais) e a amarelo aquelas que são disponibilizadas no visor das actuais câmaras Nikon quando usada a função de “Visualização de rede” (divisão da imagem em 12 partes iguais).
São estes pormenores que muitas vezes fazem a diferença entre uma fotografia com pouco interesse ou impacto e aquela em que o observador é forçado a procurar o objecto principal entre todo o contexto da imagem vendo primeiro o “todo” e só posteriormente “guiando” o seu olhar para o principal! Pelo contrário, uma fotografia em que o motivo principal esteja centrado obriga de imediato o espectador a direccionar o seu olhar para esse motivo perdendo o restante interesse!