A "Regra dos Terços" na fotografia


Nikon D200 + Nikkor 28-70mm f/2.8 ED-IF AF-S + BW-CL-PL
(@ 28mm; ISO 100; f/8; 1/40 Seg.)


Porque é que certas fotografias, mesmo que de algo bem singelo, podem cativar mais, ou menos, os nossos sentidos dependendo da forma como são captadas?
Ao olhar para esta fotografia (árvore em Mogadouro) de imediato me ocorreu escrever um pouco sobre uma regra básica da fotografia – a Regra dos terços.
Apesar das regras não serem uma verdade absoluta e incontornável existem. Por vezes, podem ser “quebradas” mas não deixam de assim se chamar porque são… regras!
Esta fotografia não foge “à regra” e é um bom exemplo demonstrativo da mesma.
Este princípio consiste em dividir, de forma imaginária, através de 4 linhas (2 verticais e 2 horizontais) aquilo que vemos através do visor da câmara. Desta forma a cena fica dividida em 9 partes iguais. São precisamente estas linhas que vão dividir a cena em terços. Quer horizontalmente, quer verticalmente ficamos com a imagem dividida em 3 partes iguais.
Essas linhas imaginárias, que dividem a cena, servirão de guia para “centrar” o objecto principal da nossa fotografia na intercepção das verticais com as horizontais.
Se bem que já exista muita, e boa, informação acerca desta regra disponível para os internautas, nada como deixar aqui também a minha versão.
Fazendo uso dum velho ditado que diz que uma imagem vale por mil palavras e “pegando” na fotografia em causa, fiz uma sobreposição em Photoshop dessas tais linhas “imaginárias” com vista a demonstrar como ficaria a divisão acima explanada.





Como se observa, o motivo principal encontra-se na intercepção da linha vertical (2) com a linha horizontal (3) – Ponto A.
Qualquer um dos outros pontos de intercepção de linhas (marcados a vermelho e também chamados de “pontos de ouro”) seria igualmente válido. Tudo depende do motivo a fotografar.





Porquê fazer uso desta regra?
Bom, é tudo por uma questão de enquadramento, de composição e de estética. Esta é uma regra básica “herdada” das artes, designadamente da pintura (onde assume também grande importância) não sendo exclusiva, por isso, da fotografia. De igual modo é também seguida noutras áreas da imagem como no vídeo e cinema.
Esta regra pode e deve ser seguida, sempre que possível, nas várias vertentes da fotografia que seja paisagística, arquitectónica, de pessoas, etc.
Ao evitar centrar os objectos que fotografamos e fazendo uso desta regra estamos a criar mais harmonia e impacto nas fotografias.
Por exemplo, as fotografias que retratem o horizonte ganham mais impacto se o enquadrarmos no terço horizontal superior ou no inferior. Um enquadramento no centro da fotografia deve por isso ser evitado.
Regressando ao exemplo, também de maneira instintiva, verificamos que a fotografia da árvore em causa ocupa os 2/3 verticais direitos da imagem deixando livre o restante terço vertical. É outra maneira de interpretar esta regra. Colocar o objecto da fotografia de maneira a ”fazer uso” de 2/3 da imagem, quer sejam verticais, quer sejam horizontais. Ou, pelo contrário, usando somente os restantes 1/3 com o motivo principal e deixando “livre” a outra parte!
A este propósito, quando usada esta regra em objectos em movimento ou mesmo em estáticos mas em que haja um sentido de marcha lógico (para a frente) deve deixar-se o espaço 1/3 ou 2/3, consoante seja o caso, livres à frente desse objecto.
Mais uma vez, uma imagem com certeza que explicará melhor este conceito!
No caso concreto desta fotografia, de um Rabiruivo, não haveria um enquadramento correcto se a ave estivesse na posição da linha 1.
Não haveria espaço à frente do sentido lógico de deslocação da ave tornando, isso, a composição desagradável e esteticamente muito pouco apelativa.
Este outro princípio, aqui associado à regra dos terços, também deve ser seguido em casos de fotografias de animais, veículos e… de tudo aquilo que se possa mover e tenha o tal sentido lógico de marcha.

Outra “maneira” de entender ou de interpretar a regra dos terços, já acima referida, é a de ocupar 1/3 ou 2/3 da área do fotograma (vertical ou horizontalmente) com o motivo principal e deixar o restante espaço “livre”. No exemplo seguinte vemos a diferença entre uma composição centrada (imagem da esquerda) e uma que segue esta regra. O aglomerado de casas (na fotografia da direita) foi “posicionado” nos 2/3 horizontais inferiores da imagem e deixado quase “livre” o terço superior.













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Para os utilizadores de câmaras Nikon, posteriores à analógica F80 (penso que foi das primeiras a disponibilizar esta opção) e designadamente no caso da D200, existe uma pequena ajuda em termos de composição caso se opte pela “visualização de rede” existente no campo “d2” no “Menu de Ajuste Personalizado”. Contudo, estas “grid lines” não podem ser usadas como guias para a regra que acima expliquei (regra dos terços) porquanto divide o visor com seis linhas (três verticais e outras três horizontais) dividindo, por isso a imagem em 12 partes iguais – 4 verticais e 4 horizontais - em vez de a dividir, segundo a regra dos terços, em 9 partes iguais (3 verticais e 3 horizontais).
Em todo o caso, e tendo em conta este factor, dispomos de uma melhor noção quer do nivelamento vertical quer do horizontal da imagem podendo, com algum hábito, usar os espaços entre essas linhas de grelha para calcular e situar o nosso objecto.


A figura ao lado mostra, para comparação, a vermelho a correcta posição das linhas correspondentes à regra dos terços (divisão em da imagem em 9 partes iguais) e a amarelo aquelas que são disponibilizadas no visor das actuais câmaras Nikon quando usada a função de “Visualização de rede” (divisão da imagem em 12 partes iguais).
São estes pormenores que muitas vezes fazem a diferença entre uma fotografia com pouco interesse ou impacto e aquela em que o observador é forçado a procurar o objecto principal entre todo o contexto da imagem vendo primeiro o “todo” e só posteriormente “guiando” o seu olhar para o principal! Pelo contrário, uma fotografia em que o motivo principal esteja centrado obriga de imediato o espectador a direccionar o seu olhar para esse motivo perdendo o restante interesse!

12 comentários:

Catarina disse...

Confesso que depois de pesquisar e ler sobre este assunto em vários sites e blogs...eis alguém que fez luz na minha cabeça.
Dou a maior força para continuar este blog, que é excelente para quem está a começar.
Obrigado.

Frederico Daniel disse...

Olá, escontrei seu blog enquanto pesquisava sobre fotografia para um curso q estou fazendo - me ajudou muito. Parabéns pelo trabalho. Muito bom. Abraço

Mantenedor disse...

Amigo boa tarde,sou iniciante em fotografia, tudo que pretendo fotografar corro aqui e dou uma pesquisada , suas explicações são facéis de entender memso para um iniciante,parabéns pode contar comigo estarei sempre aqui apoiando seu trabalho que é show...

Ciro disse...

Adoro este blogue, é uma pequena enciclopédia online para os iniciados na fotografia.
Obrigado pelo seu trabalho.

Miguel Teixeira

Duarte disse...

Olá, estou a começar no mundo da fotografia.Gostei muito do blog, é muito esclarecedor.
Obrigada bom trabalho.

Maria Duarte

Marco Aurélio Soares disse...

Olá José,

parabéns pelo blog. A divulgação de conhecimento engrandece o seu ser!
Gostaria de relatar que algumas fotos não aparecem nas postagens do seu blog, como neste tutorial sobre a regra dos terços.

Abraços,
Marco Aurelio Soares

Jose Loureiro disse...

Olá Marco Aurélio.
Obrigado pelo alerta.
Provavelmente tratou-se dum “erro temporário” do servidor onde estão alojadas as fotos… Neste momento parece-me estar tudo bem.
Abraço

Dani Pivatelli disse...

Estamos, eu e colegas d ocurso, revirando tudo atrás de como achar os reticulados de composição na nikon. Eis q digito regra dos terços na busca e esta postagem traz a luz.
Parece que minha câmera não faz mesmo, mas pelo menos, com essa sobreposição de quadros que você fez já é possível nos situarmos.
Muito obrigada!

Jose Loureiro disse...

Não tem de quê.
Ainda bem que o artigo ajudou e foi útil!

Paulo Moreira disse...

Boa tarde José Loureiro;
Recentemente adquiri uma Nikon D3200 com uma objetiva 18-55 e outra 55-200mm, já tinha uma Sigma 70-300mm e um teleconversor 2x, tudo para a Nikon. Ao tentar fotografar com a 70-300, reparei que a lente interior está suja, gostava de saber como posso fazer para a limpar. Quanto a D3200 gostava de saber a tua opinião e o que posso esperar da máquina.
Obrigado
Paulo Moreira

Paulo Moreira disse...

Boa tarde José, mais uma vez.
Gostava de saber qual a diferença entre o full frame e o crop, acho que é assim que se escreve. Como posso saber se a minha máquina é full ou crop. Tendo uma Nikon D3200, verifico que a imagem do visor nada tem a haver com o do LCD, quando enquadro um objeto no visor ele é totalmente diferente tanto no PC como no LCD, seja em JPEG ou em nef.
Obrigado
Paulo Moreira

Jose Loureiro disse...

Olá Paulo
Vou tentar responder por partes...
A D3200 é uma câmara de entrada de gama com imensas potencialidades e capaz de produzir bons ficheiros. É uma câmara com sensor de formato DX. Os sensores DX tem uma menor dimensão que os FX (Full frame).
A questão das diferenças que entre o visor óptico e o LCD tem a ver com a porção de imagem que cada um é capaz de transmitir. O visor óptico (da D3200) não consegue “mostrar” 100% da imagem. Logo, em reprodução posterior quer LCD ou PC observará mais do que aquilo que viu quando captou a imagem.
JPEG ou RAW (NEF, no caso da Nikon) são formatos de gravação de imagem. Independentemente do que utilize o enquadramento que fez (porção de imagem captada) será sempre igual!
Por último, em relação à sujidade interna da Sigma 70-300mm um único conselho: mandar reparar a um centro de assistência técnica especializada!