Manfrotto 488RC2 vs 468MGRC2 vs 323 (RC2)




Estas duas cabeças de tripé com rótula da Manfrotto destinam-se sobretudo ao uso com SLR’s com objectivas pesadas ou câmaras de médio-formato. Ao lado estão descritas as características gerais das duas cabeças de tripé aqui em comparação. Vistas assim quase podemos dizer não haver grandes diferenças entre elas. Pois bem, após manusearmos uma e outra rapidamente se desvanecem as evidentes aparências e chegamos à conclusão de que não é bem assim. Com peso e estrutura idêntica ambas estas cabeças de rótula suportam, também, idêntico peso máximo (com a plataforma de encaixe rápido RC2 a diferença é apenas de 2kg entre as duas cabeças. Caso se opte pela montagem de outra plataforma de encaixe essa diferença pode chegar aos 8kg podendo suportar, a 468MGRC2, o peso máx. de 16kg!).
Mas não penso que seja só esta a diferença essencial entre ambas. O grande trunfo da cabeça de rótula 468MGRC2 é o seu inovador sistema hidrostático. Se a este sistema lhe adicionarmos uma outra diferença em relação à 488 que é o facto da bola (rótula) ter um revestimento a teflon, ficamos com uma cabeça de tripé extremamente robusta e precisa. Os ressaltos que existem no manuseamento da 488, principalmente quando procuramos focar com precisão fazendo pequenos ajustes (por exemplo na macrofotografia) desaparecem e obtemos movimentos suaves e contínuos independentemente do peso do conjunto máquina/objectiva que lhe colocarmos em cima.
Esta sim, é a característica que faz com que valha a pena (para quem puder claro) o dispêndio de três vezes mais dinheiro pela aquisição da 468 em relação, em minha opinião, à já muito boa 488.
A 468MGRC2 usa dois botões para o ajuste da rótula. Um de grandes dimensões, revestido a borracha, de aperto rápido e bloqueio e um pequeno, de metal, para o micro ajustamento da fricção. Fazendo uso conjugado dos dois, dependendo do tipo de máquina/objectiva que temos montada e do nosso gosto pessoal em termos de sensibilidade de aperto, obtemos um controle suave e preciso sobre a rótula. Como aspecto negativo (pelo menos para os mais distraídos e menos habituados à suavidade desta cabeça) chamo a atenção para a necessidade de bloquear com um pouco mais de intensidade a cabeça através do botão grande de borracha, após termos o conjunto na posição desejada, pois no caso de não o fazermos, um pequeno toque acidental no botão grande de aperto pode ser o suficiente (principalmente se estivermos a usar teleobjectivas) para que a mesma ceda. Esta necessidade não existe na 488 uma vez que para obtermos movimentos um pouco mais suaves temos que “folgar” um pouco mais o botão de aperto e, nessa posição, facilmente verificamos que o conjunto não fica suficientemente seguro havendo, de imediato, que apertar com firmeza o mesmo.
Uma outra diferença entre estas duas cabeças de tripé reside na forma de aperto, ou melhor de fixação, da sapata RC2 à rótula que, no caso da 488 é em forma de abertura com rosca (fêmea de 3/8") e no caso da 468 é através de um parafuso hexagonal ao centro do eixo do tubo que liga à rótula reforçado por mais um outro pequeno parafuso do mesmo tipo, colocado ao lado, que assegura a não rotação da sapata sobre a rótula. Esta diferença poderá ter interesse para quem pretenda mudar o sistema de sapata RC2 por outro compatível, uma vez que é obrigatório ter em atenção a diferença entre os dois sistemas de fixação da mesma à extremidade do tubo que faz ligação à rótula.
De resto, ambas permitem a captura rápida de fotografias verticais (rodando a rótula 90º) e ambas têm o mesmo sistema de controlo de panning.
Por último, visualmente a 468MGRC2 é praticamente isenta de lubrificação, devendo-se talvez este facto ao revestimento da rótula, como acima já foi referido, ser em teflon. Quanto à 488RC2, apesar da rótula ser lubrificada, com uma massa tipo grafite, tal não causa sujidade para o exterior da mesma e não me parece que sejam necessárias intervenções frequentes para repor tal lubrificação.
Estas cabeças de tripé (488RC2 e 468MGRC2), ambas de rótula, com as diferenças acima expostas, poderão ter as suas vantagens e desvantagem sobre outros sistemas mas acima de tudo são um bom compromisso para vários tipos de fotografia , dada a sua polivalência de aplicações, rapidez e facilidade de uso.

(Actualizado a 19/04/2009)
Pese embora não seja propriamente uma cabeça de rótula, a placa de ligação rápida 323(RC2) é mais um equipamento que a Manfrotto também disponibiliza para fazer a ligação rápida da câmara e/ou objectiva a um monopé ou até a um tripé, se assim o quisermos.Obviamente que não possui qualquer articulação, motivo pelo qual o seu uso é mais indicado aos monopés. Também, por isso, é vendida com uma parafuso adaptador/redutor pelo que pode ser usada com roscas de 1/4” e 3/8”. O seu pequeno tamanho e peso, aliados a um “simpático” preço, são bons argumentos para investir nesta placa. Desta forma substitui-se um outro tipo de cabeça nos monopés (a que tem sempre que acrescer mais uma placa de engate) ou, não querendo usar uma cabeça evitar, de cada vez que se quer usa-los, ter de estar a enroscar a câmara nos mesmos. Na fotografia está o conjunto tal como é comercializado, constituído pela placa de engate, a sapata de encaixe rápido (RC2) e o parafuso redutor de 1/4" para 3/8" destinado a reduzir o diâmetro da rosca da placa de engate.
  • Não deixa de ser estranho, porém, que esta placa de aperto rápido 323, própria para monopés, não seja 100% compatível com os da própria marca mas de facto assim é! Pelo menos no caso do Manfrotto 680B com o qual já testei. O que acontece é que o diâmetro da base existente no monopé, onde a mesma deve apertar, é maior do que o que devia e faz com que a saliência existente por baixo da placa de aperto 323 (onde se centra a alavanca que faz "soltar" a sapata de encaixe) não aperte na totalidade, nem de forma uniforme, no mesmo. Solução: ou “cortar” um pouco à volta de toda a base plástica do monopé de maneira a diminuir o seu diâmetro ou colocar uma base, por exemplo em borracha, de cerca de 1mm de espessura de maneira a não ser necessário que a placa 323 aperte por completo e desse modo não chegue a essa saliência.

4 comentários:

zm disse...

Olá,
Descobri hoje o teu blog, via Elogio da Sombra. Pelo pouco que já li, parece-me que vou ficar cliente habitual. Sou nikonista fanático há umas décadas e curiosamente o meu tripé tem esta cabeça 488RC2. Dou-me muito bem com ele e com a respectiva cabeça. Penduro lá a D300 com qualquer das lentes que tenho, mas não tenho nenhuma lente muito pesada.
Obrigado pela informação disponibilizada.
Abraço.
ZM

José Loureiro disse...

Antes de mais obrigado pelo comentário.
Fico contente que tenhas apreciado este blogue que tento actualizar semanalmente e que foca, essencialmente, aspectos técnicos, equipamentos, pequenas experiências pessoais….
De facto, não me considerando exclusivamente Nikonista, o que é facto é que também há vários anos que sou um cliente fiel da marca e actualmente é a que uso quase a 100%. Mas isso nunca me impediu de fotografar com outras marcas e saber reconhecer que cada uma delas tem as suas vantagens e desvantagens. Ao longo do tempo também fui criando uma simpatia com a marca Nikon a qual continuo a ver, quer em termos de design de equipamentos quer em termos de ergonomia, a melhor do mercado. Quanto a outros aspectos, designadamente à qualidade que o equipamento que fabrica pode proporcionar em termos de resultados finais, a “guerra” entre a Canon, Nikon e agora recentemente a Sony tem, nesta era digital, levado a rápidas e tremendas evoluções em que sinceramente acho que o 1º classificado se vai alternando. Por exemplo, quanto a corpos de câmaras, se há uns tempos atrás achava que o 1º lugar iria para a Canon EOS -1Ds Mark III (FX e 21,1 Mp) actualmente penso que tal lugar deve ser ocupado pela nova Nikon D3x (FX e 24,4 Mp). Claro que é a minha opinião, que vale o que vale, e é perfeitamente subjectiva tanto mais que ainda não tive o prazer de experimentar nem uma nem outra… mas baseando-nos nos dados técnicos….

Quanto às cabeças de tripé em comparação de facto, quanto a mim, a grande diferença não reside tanto no peso que cada uma delas é capaz de suportar mas sim na precisão e suavidade de movimentos no manuseamento permitida pelo diferente controlo de fricção hidrostático da 468mgrc2.
1 abraço
Loureiro

Pedro Oliveira disse...

José Loureiro. Boa noite.

Por mero acaso, hoje tomei conhecimento deste blogue, o qual me despertou, de imediato, um grande interesse, pela qualidade da informação e pelo rigor da informação.

Penso que faz falta existirem espaços como este onde se tratem de assuntos que a todos nós interessa.

Mais uma vez parabens e irei ser mais 1 dos leitores assíduos.

José Loureiro disse...

Caro Pedro...
Obrigado e seja bem-vindo!