Plataforma para Macro-bellows: A fase actual

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Quando começamos a fotografar pequenas coisas, técnica essa vulgarmente conhecida por Macrofotografia (algumas considerações gerais podem ser vistas aqui), de um instante para o outro, somos tentados a descobrir cada vez mais os pormenores do que vamos fotografando e a tentar ampliar uma realidade, até então, completamente alheia aos nossos olhos. No fundo é essa "realidade desconhecida" que nos deslumbra e maravilha. Essa é a essência da Macrofotografia!
Começam-se geralmente por experimentar filtros "Close-up", depois vem os "Tubos de extensão" ou a técnica da "inversão de objectivas" e de seguida entramos em níveis de ampliação (que podem ir até 11 ou mais vezes o tamanho real do que fotografamos) só possíveis com "Macro-bellows" (foles de extensão).
Pois é, mas depois, para conseguir fotografar com este grau de pormenor, vem outros problemas como a estabilização do sistema, a reduzidíssima profundidade de campo, as dificuldades em conseguir uma boa iluminação, etc., etc....

Parte desses problemas superam-se com alguma paciência e "bricolage". Aliás é habitual, em Macrofotografia, que cada um vá inventando à sua maneira... desde sistemas de estabilização até suportes de iluminação, etc.
Vai-se fazendo, vai-se testando, vai-se aperfeiçoando, enfim vai-se... até os resultados começarem a ser satisfatórios. Este "processo de desenvolvimento" pode ser frustrante se desistirmos "à primeira tentativa". Muitas vezes construímos uma qualquer inovação e depois, na prática, ela de nada serve e não corresponde ao que esperávamos... mas é mesmo assim. Só resta esquecer o tempo e o $$$ que investimos e tentar outra solução!

A foto acima é demonstrativa daquilo que acabo de dizer e representa o actual estado evolutivo da Plataforma que construí para fotografar com "Macro-bellows".
Vista assim parece uma qualquer geringonça cheia de "coisas" estranhas e desnecessárias. Nada de mais errado! Acreditem que todas essas "coisas" (que legendei) tem a sua finalidade e contribuem, colectivamente, para o resultado final!

A mais recente transformação, ou melhor, aditamento, não é nada de muito inovador... apenas dois pequenos projectores de luzes LED que estou a testar (para já sem resultados minimamente satisfatórios devido aos reflexos que provocam) enquanto não construo um anel de iluminação, que penso ser a solução mais eficaz em termos de homogeneidade de iluminação... mas lá chegaremos!
Em todo o caso, para os eventuais interessados neste tipo de Macrofotografia deixo a descrição do equipamento que integra este sistema:
Por esta altura, muitos certamente já perguntarão: "É pá, mas para que raio serve isto tudo????"
Pois bem, já conseguiram ver, a "olho nu", os "pêlos" duma Libelinha?  E os de uma pequena borboleta? Ou ainda, as patas duma Cigarrinha? E que tal os inúmeros olhos duma mosca?
Não dá, não é? Pois! Por isso tem sempre de existir alguns curiosos que "inventem" maneira de os poder ver! Ora acontece que sou um desses curiosos...
Depois de tanto "paleio", para poderem ter uma ideia das potencialidades de ampliação deste sistema, aqui ficam (em baixo) alguns exemplos (meramente uns testes de "afinação" que fiz).
(Cliquem nas imagens para aumentar)



    E é isto!
    Dá para ver/fotografar em pormenor alguns dos insectos (ou outras pequenas coisas) com que convivemos no nosso dia a dia!

      13 comentários:

      Marco C. disse...

      todas as fotos tão espetaculares, mas essa dos olhos da mosca é qq coisa mesmo... Fantástica.

      mfc disse...

      Os caminhos complexos da fotografia!
      Parece fácil... e é esse o objectivo!
      É que pareça fácil!

      Fábio Martins disse...

      É uma coisa que gostava de iniciar mas primeiro tenho que investir numa lente de 50mm ou menos.

      De facto, conseguiu obter grandes resultados nessas imagens. Parabéns

      assime disse...

      Belas fotos, como é habitual
      Melhor ainda, como as fazer.
      Grato pela partilha.
      Abraço
      JF

      J. Cesar disse...

      Magnifíco!!!!

      Manuel Luis disse...

      Esta tudo dito! Já me contentava com a D7 e uma lente de 300mm.
      Grato pela informação preciosa e pelo seu tempo e dedicação.
      Abraço

      Anónimo disse...

      Gostaria de perguntar se posso montar directamente a Nikon D7000 ao PB-6 e usar a lente Nikkor 105 Micro sem mais acessórios.
      Que cabo disparador devo usar neste caso ? (já encomendei 2 Fotomate LP-01).

      Obrigado pela atenção,
      Rui G

      Jose Loureiro disse...

      Olá Rui,
      Primeira resposta: Pode sim montar a Nikon D7000 num Nikon Bellows PB6 (todavia é conveniente utilizar um espaçador ou tubo de extensão entre a câmara e o PB6 pois fisicamente penso só ser possível montar na vertical a D7000 no Bellows… mas só testando…).
      Segunda resposta: Em relação à Micro Nikkor 105mm, lamento não lhe poder dar boas notícias… Essa objectiva não pode ser usada com bellows. É uma objectiva da série “G” e não dispõe, por isso, de anel de aberturas de modo a controlar a abertura do diafragma e consequente entrada de luz. Além disso, com Bellows, quanto menor a distância focal da objectiva que usar melhor. O ideal será os 20mm a 35mm, Quando muito, as 50mm ou 60mm Macro.
      Quanto aos cabos disparadores, na câmara poderá usar o tradicional, somente para abertura do espelho e disparo. Na outra extremidade, depende se usar objectivas Nikkor ou se outra qualquer combinação bem assim se as usar montadas da maneira tradicional ou, pelo contrário, invertidas… No entanto, duma maneira ou outra, uma vez que não existe qualquer comunicação com a câmara tudo terá de ser efectuado de maneira manual… abrir o diafragma para proceder à focagem e de seguida, para cada exposição fechar a mesma e medir a luz…
      Neste tipo de fotografia, cada elemento que queira adicionar tem uma solução diferente… e portanto, anéis, espaçadores, tubos de extensão, cabos, etc.. variam em função do que se for usando… Por exemplo, um dos tipos de lentes que resultam bem neste tipo de plataformas são os visores oculares de certos Microscópios. Para os usar, recorre-se a “ligações” muito pouco convencionais em que “cada caso é um caso”…
      Espero não o ter confundido, mas a plataforma que vê construída neste artigo para utilização com Macro Bellows é, ainda assim, das mais simples e convencionais.

      Anónimo disse...

      Muito obrigado pelo esclarecimento.
      Assim sendo, peço-lhe a gentileza de sugestão para uma boa objectiva Nikkor a colocar à frente (seja a que melhor achar com uma boa abertura) para eu ver se tenho hipótese de adquirir, bem como o cabo disparador adequado à mesma. Eu estava inicialmente inclinado para uma Nikkor 50mmm 1.4 AF-D mas não sou conhecedor. Por isso lhe peço o favor de me dar a melhor sugestão.

      Muito obrigado.
      Se quiser, pode usar o meu email:
      rui.jr.goncalves@gmail.com

      Jose Loureiro disse...

      • Uma objectiva que costuma proporcionar bons resultados é a Nikon 50mm EL f/2.8.
      Trata-se duma objectiva específica para ampliadores de laboratório (projecção de imagem) e não propriamente para fotografar. Conseguem-se comprar a preços baixos. No entanto, de modo invertido, pode ser acoplada ao PB-6 mediante um anel de reversão de encaixe de baioneta (tipo F – sistema de encaixe tradicional da Nikon) tipo BR-2A e entre este e a objectiva um anel de redução de 52mm para 40,5mm pois penso ser esse o diâmetro da frente da 50mm 2.8 EL (…se não me falha a memória).

      • Solução mais simples e com recurso a menos acessórios: Uma Nikkor 20mm ou 35mm montada directamente no PB-6. Quanto ao cabo (para abrir e fechar o diafragma da objectiva, caso esteja não esteja montada de forma invertida) o descrito na imagem (Nikon AR-3).
      Qualquer 20mm ou 35mm (mesmo antigas, da série AI ou AI-S) provavelmente permitirão os mesmos resultados (ou até melhores) que a Nikon 50mm f/1.4. Com o uso de Foles de Extensão o que se usa mais (para obter alguma profundidade de campo) são sempre as aberturas de f/11 ou mais pequenas (f/22,…).

      Manuel Domingues disse...

      Com a BR-2A acoplada à BR-6, e com um pouco de habilidade para manter a abertura desejada por um posicionamento aproximado da alavanca de control da abertura, podem ser utilizadas as objectivas tipo G no PB-6! No entanto, não sei há uma grande vantagem nisso!
      No entanto ando com a intenção de fabricar uma escala de aberturas, para limitar à abertura desejada o disparador tipo AR.

      Vidal Pinheiro disse...

      Bom dia jose Loureiro, não sei se o que vou dizer é um perfeito disparate, quando se fala de macro fotografia, mas parece-me uma boa solução para a iluminaçao uma caixa de luz (dessas usadas para fotografar produtos ) e duas outres lanternas de leds de alta potencia 1000 lms ou mais em conjugação com os flashes.

      Normalmente essas lanternas tem zoom o que permite concentar ou difundir o foco de luz e direncionando-os para a caixa de luz que servira de difusor vai criar uma iluminação uniforme e sem brilhos, os flashes poderao aumentar o grau de iluminação dado as aberturas com que se trabalha.

      Tenho usado esta tecnica para outro tpo de fotos , mas nunca fiz Macro fotografia.

      Jose Loureiro disse...

      Não, não é disparate nenhum. Efectivamente, além dos focos de LED (que, aliás, servem mais para projectar a luz nas “paredes” duma caixa feita em K-Line de cor branca que envolve toda a plataforma), costumo usar ainda uma softbox grande por cima e por vezes projectores/difusores colocados lateralmente e um pouco mais afastados.