Fotografia aérea (algumas considerações)


Nikon D200 + Nikkor 24-70mmf/2.8 G ED-IF AF-S
(@ 70mm; ISO 100; f/3.5; 1/250seg.)
Coimbra – Julho 2009
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A fotografia aérea é, sem dúvida, um dos tipos de fotografia que me apraz fazer.
Na realidade, o que me atrai mais neste tipo de fotografia são as formas geométricas, as cores, os contrastes e a visão global duma determinada área vista de uma certa altitude. A terra observada a algumas centenas de metros de altitude passa a ser uma globalidade de elementos. É precisamente essa globalidade, que me encanta, que tento fotografar. Nem todos os locais têm esta harmonia de formas, linhas, cores… mas sabendo escolher, há locais deveras belos! Uns desses locais na minha opinião, e um bom exemplo do que acabo de dizer, são as salinas de Aveiro e zonas envolventes (ver link a algumas fotografias mais antigas no final).
Geralmente tentamos fotografar o individual, o particular, destacar um ou outro elemento… do ar tentamos o contrário, ou seja, captar o conjunto e realçar com harmonia vários elementos.
A fotografia do topo foi captada a bordo dum Cessna 152 II, num fim da tarde, do pretérito mês de Julho quando regressava do Coimbra Airshow 2009.
Não existe nela nenhum elemento que se evidencie ou sobressaia, não existem planos diferentes…. É apenas uma fotografia, com foco ao infinito, de uma área de várias centenas de metros quadrados observada do ar na sua globalidade. As linhas formadas pelos carreiros que dividem os campos de cultivo, as diferentes orientações das plantações… tudo isto, no seu conjunto, “fazem” esta fotografia. Esta sim, é a essência deste tipo de fotografia.

Com algum material e um pouco de sensibilidade qualquer um consegue fotografias aéreas atractivas.
A nível de equipamento pouco é preciso. Uma SLRD, uma objectiva fixa ou zoom normal e um filtro polarizador (dependendo, essencialmente, das condições do tempo, orientação, local a fotografar e hora do dia) são tudo o que precisamos.
Claro que o resto é que é difícil! Ou seja, um avião que sirva para o efeito e o respectivo piloto. No ar, são estes dois elementos que podem fazer a diferença entre conseguir captar, ou não, boas fotografias.
Torna-se necessário haver coordenação entre fotógrafo e piloto. Temos de saber explicar o que pretendemos fotografar e como, (de que ângulo, de que altitude...) e por sua vez aquele tem de saber interpretar as nossas ideias e conseguir colocar-nos no local certo. Por vezes este diálogo é feito somente por gestos.
Já quanto aos aviões existem uns mais adequados que outros (não falando dos especificamente preparados para esse fim – com aberturas na sua estrutura na parte de baixo do avião de forma a permitir fotografar verticalmente – claro que este, em bom rigor, e para uma fotografia aérea “mais a sério” será um método com algumas vantagens pois não existem distorções de linhas paralelas a convergir para o infinito, não existem obstáculos como os pilares das rodas e asas, etc.).
Mesmo para fazer fotografia aérea de maneira mais básica, se pretendemos obter um mínimo de qualidade obviamente que devemos, se possível, “escolher” o avião. Aqueles que estão desprovidos de janelas que se abram são de evitar. Fotografar através de vidros/acrílicos é pura perda de tempo! As fotografias não vão ter recorte, contraste…. Por isso gosto tanto do Cessna 152! Lembram-se dos velhinhos Citroen 2 cv? Lembram-se de como abriam as suas janelas da frente? Pois é, o Cessna 152 também tem essa singularidade! Abre as janelas, quer do piloto quer do acompanhante, para fora e para cima. Além do mais, em voo, ficam “coladas” à parte inferior da asa (que fica num nível superior à nossa cabeça) e com a deslocação do vento nunca mais se fecham.
Isto sim! É pegar na câmara, coloca-la de fora do avião esticando-nos um pouco, pedir ao piloto para sobrevoar à mais baixa velocidade possível o local que pretendemos e “carregar” no botão. Quer dizer, é mais ou menos isto…. Depois, temos de usar velocidades de obturação relativamente rápidas pois não podemos esquecer que estamos a captar fotografias deslocando-nos, no caso deste Cessna, entre cerca de 120/160 Km/h!
A propósito, dada a “força” do ar que ocorre quando se coloca a câmara além da janela do avião, é conveniente ter a mesma bem segura e evitar a sua colocação perto do aro da janela do avião pois qualquer mudança de altitude ou direcção podem fazer com que colida contra esta. A pressão do ar é muita… imaginem colocar uma câmara de fora dum carro a circular numa auto-estrada e tentar fotografar! Claro que quanto maior for a objectiva que usarmos maior vai ser a resistência ao ar e as diferenças são bem notórias! Mais uma das aplicações em que a pequena Nikkor 50mm f/1.4 AI é uma boa companheira!

Ps: aproveito para deixar um abraço e dedicar esta mensagem ao amigo Pedro, piloto com quem partilho estas aventuras aéreas e na companhia de quem foram captadas as imagens. Até à próxima…!

3 comentários:

Pedro Ferreira disse...

bem a foto nesse "post" nao sei se será mesmo em Coimbra...sei que os km em voo demoram menos tempo a passar :) mas o local da foto penso que fica bem para Oeste de Coimbra...mas ok, em termos de aviação poderemos dizer que fica lá mesmo ao lado :)

Abraço

Pedro

Javalí Rubio disse...

Que blog fantástico para quem ama a aviação!!! Parabéns!!!
Visitem também este blog português relacionado com a aviação e a Fotografia Aérea de Portugal:
http://portugalfotografiaaerea.blogspot.com

Celso Bessa disse...

Tenho visto fotos aéreas muito bacanas de Portugal. Nunca foi um lugar que tive algum desejo especial em conhecer, mas ando pensando bastante em visitar estas paisagens.

Falando em fotos aéreas. já viram estas do Brasil?

http://www.fotografiasaereas.com.br

É de um cliente e amigo meu que além deste trabalho comercial tem séries aéreas artísticas, o nome é Cássio Vasconcellos.

Não vou colocar link aqui para não parecer que estou fazendo spam. Mas se procurar no Google, vai encontrar o site dele.

'braços e boas fotos!