RAW ou JPEG? Qual o melhor formato de arquivo? (vantagens vs desvantagens)


Hoje vou arriscar a falar num dos temas, provavelmente, mais controversos da fotografia digital:
– O uso do formato de gravação Raw (ou não…)!

Tenho trocado opiniões com muitos fotógrafos que dizem só usar Raw. Facto é que, quando se lhes pergunta o porquê, não sabem muito bem qual a resposta a dar… a mais vulgar é: “porque é melhor”, ou “porque guarda mais informação”, ou ainda porque “fico sempre com o ficheiro original intacto sem sofrer perdas de qualidade”….

Depois, há a ideia generalizada que o formato RAW é o formato tipicamente e exclusivamente usado a nível “pro” e que, pelo contrário, o formato de gravação JPG é usado/destinado ao uso amador ou por não profissionais…

Bom, sobre este assunto e para que fique desde já esclarecido, não vou aqui dizer qual é o melhor ou pior formato de gravação (RAW ou JPG). Vou simplesmente transmitir a análise das vantagens e desvantagens de cada um deles dando, ao mesmo tempo, uma opinião pessoal sobre a matéria. Até porque, como mais à frente veremos, não há melhor, nem pior... tudo depende...!

Embora este artigo seja um pouco extenso penso que, para a generalidade das pessoas, valerá a pena a sua leitura pois ajudará a esclarecer algumas dúvidas sobre o assunto. Para isso, nada melhor que visualizar e comprovar as diferenças através dos testes/demonstrações efectuados.

Mas primeiro que tudo, para comparar os dois formatos, temos desde logo que entender o significado de cada um. Sem querer aprofundar este tema entendo, contudo, que para a maior parte dos leitores uma noção básica será necessária para que se compreendam as diferenças:
  • RAW – Não é nenhuma abreviatura. É uma palavra que traduzida para português significa “cru”. A expressão equivalente mais correcta, na minha opinião, talvez seja “em bruto” ou “não processado”. Quer isto dizer que este tipo de ficheiros contém a informação de imagem (em pixels) inalterada tal como “sai” do sensor da câmara. Os ficheiros são gravados pela câmara sem qualquer compressão (actualmente existem câmaras capazes de “comprimir a informação dos ficheiros RAW, mas isso já é outra questão…). Esses ficheiros não são afectados com a utilização de regulações na câmara como, por exemplo, ajustes de “sharpenning” (nitidez), WB (equilíbrio de brancos), modos de cor seleccionados (vivid, menor ou maior saturação de cor, etc…). No fundo são aquilo que de mais parecido e equivalente temos ao negativo do filme da era analógica. Convém ainda saber que cada câmara e cada modelo de câmara tem o seu próprio RAW. Ou seja, o formato RAW não é estandardizado e único! Por isso é que cada modelo de câmara tem o seu apropriado programa de leitura/tratamento e conversão para TIF ou JPG! Estes ficheiros “em bruto” também podem ter terminologias próprias de marcas como “NEF” (Nikon Electronic Format), CRW – CR2 (Canon), ... Actualmente a Adobe criou um sistema que visa uniformizar os formatos RAW face há já vasta implementação e vulgarização deste tipo de ficheiros. O formato é denominado de DNG (Digital Negative). Algumas marcas já possibilitam a sua utilização (Hasselblad, Leica, Casio, Ricoh, e Samsung). A mesma empresa possibilita também no seu programa “Photoshop” (a partir da versão CS2) e “Photoshop Elements” (a partir da versão 3) a conversão dos ficheiros “RAW” das várias marcas e modelos de câmaras actuais em ficheiros DNG para que mais tarde possam ser lidos e compatíveis. (Como pequeno aparte posso referir que a actual versão Plug-in do Photoshop CS4 - Camera RAW 5.5 – supera, quer em termos de facilidade de uso, quer em termos de capacidade de leitura e correcta conversão de ficheiros as anteriores versões disponibilizadas no CS3, pelo menos no que diz respeito à leitura dos ficheiros das Nikon D200).
  • JPEG ou JPG – É a abreviatura de "Joint Photographic Expert Group". Este tipo de ficheiros é substancialmente mais pequeno que o mencionado anteriormente. Contudo, o resultado final tem em conta todos os parâmetros (regulações) que lhe introduzimos e o resultado final é a imagem processada pela câmara em modo comprimido com a adição desses factores. Essas alterações à imagem (equilíbrio de brancos, modos de cor, nível de nitidez, …) são irreversíveis. Ficam a fazer parte integrante do ficheiro original.
A imagem do topo foi colocada propositadamente de forma a ilustrar e a melhor entender aquilo que acabo de dizer. Em baixo podem observar-se, nos crop’s a 100% da mesma, as diferenças dos resultados. A imagem em JPG conta com a “adição” de informações (regulações da câmara) como “sharpenning hard”, “cores mais saturadas” e equilíbrio de brancos regulado para “nublado”. O resultado final em termos cromáticos é mais próximo da realidade, mas estas alterações efectuadas pela câmara introduziram também artefactos e isso provocou uma diminuição do recorte da imagem. (Caso não tivessem sido feitos quaisquer ajustes na câmara, provavelmente não seriam notórias, neste tipo de visualização ou até em pequenas impressões, quaisquer diferenças entre elas)


Agora vamos passar a mais uns testes/demonstrações das diferenças entre os dois formatos mas desta vez com ficheiros RAW (sem compressão) e ficheiros JPG, no modo de prioridade à qualidade e tamanho grande, em modo “flat” (sem regulações na câmara de modificação de imagem).


Quanto ao recorte (grau de pormenor):

Esta fotografia foi escolhida para este teste/demonstração em virtude do grau de pormenor que permite analisar.
Para esse efeito foram efectuados dois crop´s aos ficheiros originais com apenas 300x300px. Esses crop´s estão aqui representados/ampliados a 200% (sem mais qualquer alteração).
Quer isto dizer que os crop’s representam, em tamanho real, uns meros 8x8cm numa área total de impressão em papel de mais de 1 metro de comprimento por cerca de 70cm de largura!!!
(Ao ampliar a 200% uma pequena área da imagem com 300x300 pixéis estamos a prejudicar obviamente a qualidade real da mesma mas, deste modo, podemos visualizar e aferir melhor acerca das diferenças existentes).

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Quanto à preservação da informação nas Altas Luzes:






Se no exemplo anterior (teste às diferenças de recorte), mesmo com um aumento a 200% as diferenças não são muitas, já quanto ao teste das Altas Luzes, começamos a notar a vantagem dos ficheiros RAW no que toca à preservação de informação (detalhe).
Desta vez foram efectuados crop´s a 100% das imagens originais com o tamanho de 600x600px.


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Para melhor vermos as diferenças vamos analisar os histogramas (reportam-se à fotografia imediatamente anterior):


Quanto ao tamanho dos ficheiros?

Pois bem, os ficheiros JPG’s destes dois últimos exemplos tem 4,84MB e 4,14MB, respectivamente, enquanto que os RAW’s tem… 15,7MB e 15,4MB!!!

Para dar uma ideia dessa diferença vamos, hipoteticamente, pensar num daqueles dias em que estamos “inspirados” para “carregar no botão” (na realidade isso depende de cada um e do tipo de fotografia que estamos a fazer) … mas vamos fazer as contas a 400 fotos. Ora, 400 ficheiros em formato JPG com cerca de 5MB cada = a 2GB. Nada que não caiba num cartão de memória e que ocupe muito tempo a descarregar para o computador. Continuando… as mesma 400 fotos, desta vez em formato RAW (sem compressão) a uma média de 15MB cada = 6GB! Hum… já é um bocado, não? E isto, ou mais, num só dia…!

Dito tudo isto e tendo também já sido explicado (muito sumariamente…) o que significa cada um dos formatos vamos, agora, passar à análise de cada um, designadamente as suas vantagens e desvantagens.

Para isso e uma vez mais para melhor compreensão elaborei a tabela abaixo que resume a informação que os distingue:

                 (*) – Aspectos mais relevantes

Depois de ver as principais diferenças entre “RAW” e “JPG” ficamos com a resposta acerca de qual o melhor formato de gravação de imagens?
Não, na realidade precisamos de saber e compreender acima de tudo porque precisamos de usar um ou outro formato e qual o mais adequado às nossas necessidades…

Uma vez, usei o seguinte analogismo para explicar porque é que nem sempre necessitamos de fotografar em RAW (na altura foi em Inglês por isso vou tentar transmitir a ideia principal):

“ … muitas pessoas usam “RAW” porque é o melhor… a pergunta que faço é esta: Necessitam desse formato? Sabem utilizar as suas potencialidades em pós-produção? …. Usar o formato de gravação “RAW” indiscriminadamente “porque é melhor” sem o compreender, não ter meios (computador capaz) e não saber tirar partido dele é como “comprar um Ferrari pelo motivo de ser um carro rápido e depois não o saber conduzir aproveitando a potência que tem ou utilizá-lo somente para fazer percursos citadinos a velocidades máximas de 50/60Km/h…!”.

Usando RAW devemos estar conscientes de que vamos precisar de um computador capaz (processador e memória) para “tratar” e converter as nossas fotografias (ficheiros). Depois há que saber tirar partido da pós-produção (recuperação e/ou correcção de níveis, equilíbrio de brancos, etc.).

Outra pergunta importante que devemos questionar-nos e que pode ajudar a responder acerca do formato que devemos utilizar:
- O que vamos fazer com os nossos ficheiros? Vamos imprimi-los? De que tamanho? Em mini-lab (porventura dos novos de sublimação térmica)?

Pois é. A maior parte das pessoas fotografa em RAW porque é “supostamente” o melhor formato, mas para quê? Para guardar simplesmente centenas ou milhares de enormes ficheiros de imagens no computador? Para colocar as imagens finais sob reduzidos tamanhos na Internet?

Se o caso é algum dos anteriormente citados esqueçam o RAW! Só estarão gastando tempo, armazenamento e a complicar o trabalho que vão ter em pós-produção!

Uma fotografia com o comum tamanho de 10x15cm impressa num mini-lab (as actuais “máquinas de impressão”) a partir dum ficheiro original JPG reduzido a 1000 x 700 pixéis em JPG a 300 DPI’s com apenas 2MB de tamanho provavelmente não será diferenciável pela maior parte das pessoas duma impressa no mesmo sítio a partir dum ficheiro original RAW convertido para 8 Bits com o tamanho final de 7/8 ou mais MB! Se não acreditam, testem!

Quando disse no início que iria “arriscar” a falar acerca da utilização do formato RAW era precisamente quanto a esta opinião pessoal que me referia… provavelmente muita gente que usará sempre RAW não concordará comigo, e nunca testou as diferenças… usará esse tipo de ficheiros porque lhe dizem ser “o melhor”. Fica a pergunta: Tira partido das suas potencialidades?

Bom, qualquer imagem para poder ser imprimida tem necessariamente de ser convertida (caso esteja em formato RAW) para os formatos TIF ou JPG.

Dica: Quanto à deterioração dos ficheiros JPG, é certo que cada vez que os abrimos, fazendo modificações (nem que seja somente rodar a imagem) e os guardamos com essas alterações, perdem informação pois estão sujeitos a nova compressão com a inerente e irreversível perda de qualidade face ao ficheiro original. Este sim, seria um dos motivos válidos para que não mais usássemos esse formato. Mas a solução é simples… Tal como nos ficheiros RAW, que não perdem qualidade cada vez que trabalhamos neles, os ficheiros em JPG podem ser iguais! Como? Fácil. Basta que se crie uma cópia do ficheiro original e se “trabalhe” nessa cópia! Não é isso mesmo que acontece com os ficheiros RAW? Guardamos os ficheiros originais JPG e fazemos alterações/correcções/modificações utilizando uma cópia!

Outra dica: Caso fotografemos em JPG o que devemos fazer é utilizar o modo que a câmara disponibilize que faça a menor compressão possível dos ficheiros. Usar um tamanho de fotografia Grande (L/Large) e simultaneamente usar a prioridade à qualidade em relação ao tamanho que o ficheiro ocupa são boas opções. Isto porque, quanto maior for a compressão efectuada pela câmara aos ficheiros JPG, menor será o seu tamanho. Todavia, a qualidade de imagem será, também, tanto pior quanto maior for a percentagem de compressão.

Quanto aos tamanhos de fotografias que podemos imprimir em JPG? Utilizando as regulações acima descritas, numa câmara de 10/12Mp, podem imprimir-se fotografias até ao tamanho A3 sem que se note qualquer “pixelização” na imagem! Diferenças para uma captada em RAW e convertida em JPG para impressão? A profundidade de cores e dependendo dos ajustes efectuados em pós-produção um pouco menos de ruído de imagem. Todavia, para estes tamanhos, na minha opinião, começa a fazer sentido que cada qual use o método de gravação com que se sinta mais “à-vontade” para “trabalhar” em pós-produção.

CONCLUSÕES:
Dependendo do tipo de fotografia que se faz; dependendo dos conhecimentos em pós-produção de cada um; dependendo para que efeito e em que tamanho queremos imprimir o nosso trabalho; dependendo do tempo que cada um tem para “tratar digitalmente” as fotografias; dependendo do espaço de armazenagem que possuímos; …. Cada um deve fazer a sua escolha!

Pessoalmente uso (actualmente) os dois formatos, dependendo…
  • Situações em que fotografo em “RAW”?
- Quando faço fotografia de paisagem, aves, … e de certa forma quero ter a garantia de que se precisar de as imprimir em formatos grandes (A3 ou até A2) posso ter mais alguma “margem e liberdade” de trabalho.
- Quando utilizo panorâmicas, HDR, …
- Quando efectuo testes à qualidade de imagem a objectivas. (Dessa forma, mesmo que me esqueça de remover todas as opções de regulações na câmara que afectem os resultados finais não há qualquer problema. Em formato RAW elas não são tidas em consideração!)
- Quando vou fotografar e sei que não vou fazer muitas capturas…
  • Situações em que fotografo em “JPG”?
- Quando vou, por exemplo, fotografar aviões, pois preciso de velocidade de processamento de imagem e acima de tudo de capacidade de armazenamento!
- Quando pretendo imprimir fotos em formatos pequenos (10x15cm ou 15x20cm).

Por isso, não posso dizer que nenhum dos formatos é exclusivamente o melhor, tudo depende…

26 comentários:

pbl disse...

Ora nem mais.
Este artigo é a excelente demonstração teórica da conclusão a que cheguei com a prática.
Eu, habitualmente, faço RAW+JPEG, só por uma questão de cautela, para o caso de precisar de mexer muito na imagens, sobretudo no balanço do brancos ou em imagens em que seja preciso recuperar muita informação.
Mas, se o JPEG estiver bem, nem olho para o RAW.
Não tenho pachorra para andar a editar profundamente todas as imagens que faço.
De todo o modo, considerando que hoje em dia, os suportes e o armazenamento são muito baratos, guardo tudo, mantendo o RAW como um negativo digital.

filipe m. disse...

Se me permitem, tenho apenas alguns comentários que poderão ajudar a esclarecer ainda mais alguns pequenos pormenores naquele que já é um bom artigo logo à partida:

A comparação entre os ficheiros RAW e os negativos / slides vai ainda mais longe do que o "normal" significado que lhe é atribuído normalmente, e que faz referência à película revelada, antes da impressão. A comparação mais correcta deverá ser feita com a película depois de exposta, mas antes ainda de sofrer o processo de revelação, quando as fotografias estão ainda em estado latente.
Significa isto que os ficheiros RAW, não estão, tal como um filme já revelado, "presos" à tecnologia existente à data da sua revelação.
É impossível pegar numa película já revelada e voltar a fazê-lo com químicos / tempos de processamento diferente; no entanto, um ficheiro RAW permite ser revelado hoje com, por exemplo, a tecnologia de "demosaic" presente no Camera Raw 5.6 / Lightroom 2.6, e daqui a um ano com um hipotético Camera Raw 6.x / Lightroom 3.x. A versão Beta do Lightroom 3.0 já está disponível ao grande público, e as diferenças no processamento da imagem são bastante acentuadas a vários níveis.

Esta sim, é para mim uma das maiores vantagens do ficheiro RAW. Para além da latitude de processamento que permite (e a possibilidade de correcção de white balance é uma característica que por si só já justificaria a sua utilização), a constante evolução dos algoritmos de processamento é uma mais valia apreciável, visto que mesmo que a finalidade seja converter as minhas fotos para jpeg e impressão em formatos pequenos, não fico preso apenas à tecnologia actual (que, em abono da verdade, é impressionante, tal como a velocidade da sua evolução, o que me dá mais uma razão para querer preservar os ficheiros RAW: processá-los com a tecnologia existente em 2015, por exemplo!).

Quanto à comparação directa RAW / jpeg processado na máquina, ela para mim só é válida quando o RAW é processado pelo software proprietário do fabricante da máquina, neste caso, ViewNX ou CaptureNX. O processamento em Camera Raw / Lightroom / Capture One / Bibble / qualquer outro vai introduzir muitas mais variáveis na equação, devido à utilização de algoritmos proprietários. O que me leva ao último ponto do meu comentário...
Usar RAW + JPEG é, na minha sincera opinião, um desperdício de espaço e velocidade de processamento / gravação de ficheiros, e passo a explicar:
Todos os ficheiros RAW têm embebido um jpeg de preview, processado com as definições da máquina, com as mesmas dimensões do RAW, mas fortemente comprimido (para não tornar o ficheiro RAW ainda maior). Este ficheiro pode ser extraído com um software tipo "IJFR - Instant JPEG from RAW", e se a finalidade é a publicação na internet em tamanhos reduzidos, então a qualidade é mais do que suficiente para o efeito.
Se a finalidade é obter um ficheiro jpeg com melhor qualidade, semelhante ao que se obteria na própria máquina, então basta abrir as fotos no ViewNX (para utilizadores Nikon, claro) e exportar a partir daí; O ViewNX aplica automática e exactamente as mesmas definições que a máquina no momento da captura (as definições estão codificadas no ficheiro .NEF), pelo que o resultado é precisamente o mesmo.
Sim, é um passo adicional que é necessário tomar, mas com as vantagens de poupar 30 - 50% de espaço no cartão, juntamente com a velocidade de escrita / processamento / descarga do buffer da máquina, com o consequente aumento da velocidade de disparo em modo contínuo, se for o caso.

Filipe

pbl disse...

Esse aspecto da evolução do software está efectivamente muito bem visto, Filipe.
Excelente argumento.
Mas na minha perspectiva, como mero amador que faz umas apenas umas 10.000 imagens por ano e com pouco tempo para dedicar a isto, o importante é encontrar um workflow que permita gastar o mínimo de tempo possível com a edição e organização das imagens, sem grandes maçadas a manipular ficheiros nesta ou naquela aplicação.
Uso o Aperture, que me permite facilmente ingerir, organizar e fazer a edição básica dos ficheiros de uma forma coerente, quase sem nunca olhar sequer para o RAW que guardo como negativo, pois tenho imediatamente disponível um JPEG de excelente qualidade que, em quase todas as circunstâncias, chega perfeitamente para aquilo que dele pretendo fazer.
Quanto ao espaço, sinceramente, a partir do momento em que 1TB custa €100,00 ou menos, não me parece que seja questão.
Os RAW da máquina que uso fazem 21Mg, o JPEG na resolução máxima cerca de 5Mg, cabendo por isso cerca de 40.000 imagens num disco de 1Tb.
Ou seja, já com o backup, quatro anos de fotografia custam €200,00, ou seja, €50,00 por ano.
Não me parece, por isso, que valha a pena poupar neste aspecto, já que o custo é absolutamente marginal, senão mesmo desprezível..
Admito que, para um fotógrafo profissional que queime um obturador num ano ou dois as coisas possam ser diferentes.

José Loureiro disse...

Pedro e Filipe,
Alguns artigos que publico neste blogue destinam-se essencialmente a uma camada de leitores que possuam já alguns prévios conhecimentos técnicos mas, por outro lado e simultaneamente, tento, também, ser suficientemente claro, usando uma linguagem simples, não sendo demasiado exaustivo, para que a informação seja abarcada e acessível a todos.
De todo o modo, apraz-me que leitores com conhecimentos mais vastos igualmente participem, transmitindo suas opiniões e conhecimentos neste espaço, pois são uma mais-valia ajudando a enriquecer e a completar a informação.
Por isso, bem vindos e obrigado aos dois pelos pertinentes comentários!

olga p.g. disse...

E foi assim comigo, porque sou uma "aprendiz no início". Embora não domine a linguagem, pude compreender o artigo por ser bastante didático. Por isso é algo a mais na minha ainda leve bagagem.
Beleza de blog!

Adelino Oliveira disse...

Mais um óptimo artigo. Esclarecedor, directo e de utilidade.
Continuação de um bom trabalho.
Um abraço.
Adelino Oliveira

PHOTOMAIS disse...

Excelente blog.

murilo disse...

Muito bom o artigo e comentarios aproveitei ao maximo, Obrigado e Abracos.

Marco Ferreira disse...

Excelente artigo... esta selecção entre fotografar em RAW ou JPEG e mais ao menos a que eu faço, mas de inicio só fotografava em RAW, mas como me começou a faltar tempo para tratar de tantas imagens começei a fazer a seleção...
Obrigado

j.cesar disse...

Olá José Loureiro, queria saber porque uma foto em raw tem, digamos, 15MB e, ao transformá-la em PGEP, reduz para aproximadamente 5MB ou algo assim. Seria o formato do ficheiro, ou estou falando besteira? Outra coisa, o que determina esses valores ( no nosso exemplo o 15MB raw e 5MB jepg ) é possível aumentá-los ou depende da capacidade da camera ( neste caso seria Nikon D5000 ). Agradeço sua atenção. Cesar

José Loureiro disse...

César,
RAW e JPG (ou JPEG) são tipos de ficheiros diferentes. No primeiro caso (RAW) os ficheiros são maiores pois não existe qualquer compressão. Ou seja, na realidade podemos usar compressão em RAW mas é uma compressão que diminui em menor grau o tamanho dos ficheiros. Já a mesma fotografia em JPG terá um menor tamanho pois não contém a mesma quantidade de informação que uma em RAW estando a informação nela constante comprimida. Do mesmo modo, tal como uma imagem produzida directamente pela câmara e posteriormente convertida (pela câmara) em JPG é mais pequena que uma em RAW, o mesmo se passa caso faça essa conversão em computador a partir dum ficheiro em RAW.
O factor que determina os valores (tamanho em pixéis) dos ficheiros é a quantidade de megapixéis que cada câmara, ou melhor, cada sensor da câmara tem. Por isso, uma imagem produzida por uma câmara de 4Mp será, obviamente, menor que a mesma imagem produzida por uma câmara de 12Mp. Contudo, nem todas as imagens produzidas por uma mesma câmara têm o mesmo tamanho. Isso varia em função duma série de factores como por exemplo as cores, brilho, saturação, etc., do motivo que fotografamos… Dou-lhe um exemplo: uma fotografia à lua em que o fundo é todo duma cor negra homogénea e não existem grandes pormenores será muito mais pequena que uma tirada a um jardim com diversas flores de distintas cores e com diversos pormenores. É essa informação – cores, brilho, contraste, etc. – que faz variar o tamanho dos ficheiros (quer sejam RAW ou JPG). No entanto, os ficheiros em JPG são mais afectados por este tipo de variações pois não é possível fazer uma compressão tão grande no segundo exemplo (jardim) como no primeiro (lua). A compressão JPG aproveita as mesmas cores ou intensidades para reduzir vários pixéis contíguos num só. Desse modo, uma fotografia que contenha um fundo ou uma grande porção duma determinada cor que seja igual será comprimida, nessa parte, de maneira mais acentuada.
Por último, é possível aumentar o tamanho da fotografia (quantidade de pixéis) mas só em pós-produção através da chamada interpolação. Todavia, isso não vai melhorar a qualidade da imagem. Só a vai aumentar em tamanho, adequando o número de pixéis e esse novo tamanho escolhido.
Não sei se consegui ser suficientemente claro para o conseguir esclarecer…
Cumprimentos

J. Cesar disse...

Foi sim. Por gentileza, não abusando de sua atenção, você menciona no texto acima o seguinte: " Uma fotografia com o comum tamanho de 10x15cm impressa num mini-lab (as actuais “máquinas de impressão”) a partir dum ficheiro original JPG reduzido a 1000 x 700 pixéis em JPG a 300 DPI’s com apenas 2MP de tamanho provavelmente não será diferenciável pela maior parte das pessoas..." Muito bem. E uma foto em tamanho 35X22cm, impressa num mini-lab, a partir de um ficheiro JPG em 4288 x 2848 px a igualmente 300 dpi's, deverá ter quantos MP? para uma boa qualidade de impressão? Eu estou quebrando a cabeça para saber isso mas não consigo encontrar a fórmula. Sendo possível responder, fico agradecido. Cesar.

José Loureiro disse...

Cesar,
Uma foto de 4288 x 2848 pixéis terá isso mesmo… Ou seja, 4288 pixéis (resolução horizontal) vezes 2848 pixéis (resolução vertical) o que dá 12,2 Megapixéis - a tal resolução do sensor da câmara.
A 300 DPI (DPI = termo Inglês que designa pontos por polegada), o tamanho métrico desses pixéis traduz-se numa fotografia com 36,31cm x 24,11cm. Mas, atenção que o tamanho normal de impressão não ultrapassa os 150 DPI’S e, nessa resolução a mesma fotografia com 4288 x 2848 px terá o tamanho de 72,61cm por 48,22cm! Um tamanho mais que suficiente para obter uma óptima resolução em termos de qualidade.
Em todo o caso, cabe aqui esclarecer que quando mencionei que duas imagens obtidas pela mesma câmara podem ter tamanhos diferentes em função da cor, brilho, etc., referia-me ao tamanho em Mb (bytes) = tamanho ou espaço de alojamento que os ficheiros ocupam no disco do computador.
Para tentar ficar com uma ideia das resoluções necessárias para obter uma boa qualidade de imagem (a 300 DPI) aqui ficam, por aproximação, algumas correspondências gerais:
• Tamanho de foto 10 x 15 cm – 1800 x 1200 pixéis - cerca de 2,1 MP
• Tamanho de foto 13 x 18 cm - 2100 x 1500 pixéis - cerca de 3,2 MP
• Tamanho de foto 15 x 20 cm – 2500 x 1800 pixéis - cerca de 4,5 MP
• Tamanho de foto 20 x 30 cm – 3600 x 2400 pixéis - cerca de 8,6 MP
• Tamanho de foto 36 x 24 cm - 4200 x 2800 pixéis – cerca de 12 MP

Espero que ajude….
Cumprimentos

Cesar disse...

Olá, J. Loureiro, tudo bem?
Estive fazendo algumas edições de fotos, a partir de ficheiro JPG, havendo redução dos MP ( isso, pelo que aprendi é normal). Minha questão é a seguinte: uma foto que traz 2592X1944 pixels, no original com 2,7MP, que após editada e salvada uma cópia, diminuiu para 1,9MP, certo? Muito bem. Fazendo os cálculos para uma impressão em 300DPI, seria possível uma ampliação. próxima de 21 X 16 cm. O que eu gostaria de saber é se essa dimunição dos MP interfere na mencionada ampliãção, visto que, comparada com a tabela (aproximada ) acima, minha foto tem quase a metade dos MP da tabela.
Se for possível, poderia me explicar? Ficaria imensamente agradecido.
Um abraço, Cesar

José Loureiro disse...

Olá César.
Penso que está a confundir Mp (Megapixéis) com Mb (Megabytes) …
Uma fotografia de 2592 x 1944 pixéis tem cerca de 5MP.
O que diminuiu foi o tamanho do ficheiro e não os pixéis… Em todo o caso, a qualidade da ampliação dependerá também do tipo de edição que efectuou, quer o ficheiro fique de menor dimensão, quer fique de maior dimensão que o original…
Ou seja, crop’s, sharpening, saturação, etc, são “adições” ao ficheiro original que podem influenciar o resultado final… mas isso é outra questão!
Abraço

jose gonçalves disse...

Bom Artigo e bem explicado. Permita-me um reparo. Onde afirma "Estes ficheiros “em bruto” também podem ter terminologias próprias de marcas como “NEF” (Nikon Electronic Format), CRW – CR2 (Canon), ACR (Adobe Camera Raw" O ACR não é um formato de ficheiro, mas sim o programa que o Photoshop "chama" para processar o ficheiros RAW.
Outro reparo, apesar de estarmos habituados a nos referirmos desta forma, mas as imagens digitais, Maquina e Ecrã expressam-se me PPIs e não em DPIs.
São duas coisas totalmente distintas, DPIs são pontos, podem ter vários tamanhos e são impressos em modo CMYK, PPIs são pixéis encontram-se em modo RGB e é o que obtemos ao fotografarmos ou quando vemos as nossas imagens no ecrã. Ainda existem o SPIs (samples per inch) = Scanner, mas que são comprados aos PPIs, e por fim os LPIs Lines per Inch usados na impressão em gráficas, por exemplo uma imagem para ser impressa a 133 LPIs deve de ser digitalizada a 266 SPIs = 266 PPIs, já que o factor neste caso é de 2, LPI x 2 = SPI (PPI), para uma imagem impressa em papel brilhante numa revista com bastante qualidade onde se usam resoluções de 150-300 LPI mas com uma taxa de conversão de 1.5 então teríamos: 175 LPIs (vou usar esta resolução) x 1.5 factor = 203 SPIs (PPIs) Basicamente uma taxa de 1.5 é suficiente mas a melhor opção é informar-se na gráfica antes de digitalizar imagens.

José Gonçalves
Adobe Certified Expert, Adobe Certified Instructor.

Cesar disse...

Ola J. Loureiro.

Realmente " confundi as bolas " (como se diz aqui no Brasil ) MP com MB, desculpe! mas, em todo caso, quero te agradecer pelas explicações claras e objetivas. Sei que és um profundo conhecedor da matéria mas, ao responder nossas perguntas, como é de seu feitio, encontra as palavras perfeitas para se expressar,tornando a leitura leve e interessante. ( logicamente que, se for necessário, sabes tecer comentários em alto nível técnico). Parabéns de verdade. Excelente 2011 para você e espero que continue a nos brindar com seus textos maravilhosos... Um forte abraço. Cesar.

José Loureiro disse...

Caro José Gonçalves,
Antes de mais agradeço o seu reparo quanto ao ACR (que entretanto já rectifiquei). Efectivamente tem toda a razão. Por lapso, englobei o programa (erradamente) nos tipos de ficheiros RAW quando queria referir-me sim à terminologia dos ficheiros gerados pelo referido formato: Os ficheiros DNG…
Quanto à restante explicação, fico contente que leitores eruditos e atentos contribuam com a sua opinião e partilhem os seus conhecimentos, quer seja rectificando, quer seja melhorando (e bem) as informações que vou escrevendo.
Desse modo ganham também todos os restantes leitores! E esse é o propósito principal deste espaço…
Por isso, obrigado e bem-vindo.
Cumprimentos

Dinis disse...

Sr.José Loureiro, gostaria da sua opiniao em relaçao a estas maquinas Canon powershot G12, S95 ou Nikon P7000, estou inclinado para comprar a G12 tenho uma Canon 350D mas nao é muito versatil.

José Loureiro disse...

Caro Dinis.
Infelizmente não posso emitir qualquer opinião válida e fundada quanto às três câmaras que pondera pelo motivo de não ter usado qualquer uma delas.
Em todo o caso não entendo muito bem porque diz que a Canon 350D “não é muito versátil”… A menos que pretenda adquirir uma das câmaras que indicou para “estudos/ensaios” por uma questão de tamanho ou portabilidade não vejo como possam ser mais versáteis que a que possui.
Regra geral, quem tem câmaras compactas (pese embora as que estão em causa se inserirem num segmento denominado de “compactas para fotógrafos avançados/profissionais”) e gosta de explorar a ”arte fotográfica” anseia por comprar uma SLR e não o contrário. Se é pelo motivo da que tem precisar de ser substituída ou por querer uma melhoria a nível da qualidade de imagem, porque não ponderar a compra duma nova DSLR da Canon e continuar a usar as objectivas e restantes acessórios que provavelmente também já possui?
Cumprimentos

Dinis disse...

Caro José Loureiro,
Tenho estado a exprimentar fotografar em Raw mas reparei que depois da foto convertida em JPG tem as seguintes dimençoes.
width: 41,15 height: 27,43 Enquanto que tiradas directamente em JPG tem.
width: 137,16 height: 91,44 sera isto normal?
Utiliso o photoshop CS4.
Obrigado e parabéns pelo blog.

José Loureiro disse...

Olá Dinis.
A dimensão das fotos, quer em ficheiro RAW, quer em JPG são iguais.
Provavelmente o que estará a acontecer é que ao converter a imagem de RAW para JPG está a reduzi-la de tamanho.
Está a trabalhar ambas as fotografias com os mesmos “ppi’s”?
Caso esteja a abrir a fotografia em RAW (NEF) no “Camera RAW” com mais ppi’s do que o ficheiro em JPG ao converte-la ela ficará mais pequena… Se for esse o caso, ao abrir o ficheiro no “Camera Raw” verifique na parte inferior (a azul) qual os ppi’s e confira com o valor que está a abrir os ficheiros em JPG.

Cesar disse...

Olá, J. Loureiro.

Tempos atrás ( quase 1 ano!!! caramba o tempo passou ligeiro...) lhe fiz algumas perguntas neste post, que foram muto bem respondidas e, aqui estou novamente. Pois é, quanto mais se aprende, mais dúividas vão surgindo, então queria entender um pouco como funciona a conversão de RAW para TIFF. É simples como transformar em JPEG? ou exige-se mais conhecimento? Qual a vantagem em trabalhar com o TIFF?
Também notei que alguém acima disse que fotografa em RAW+JPEG e não entendi, aliás, nunca fiz isso. Ou seja, sempre fiz em RAW ou então em JPEG. Não são dois tipos de ficheiros diferentes?

Abraços, Cesar.

José Loureiro disse...

Olá César.
Quanto à conversão de RAW para TIFF o processo é análogo à conversão de RAW para JPG. Ou seja, após abrir o ficheiro RAW simplesmente ao guardá-lo escolhe o formato TIFF. Este tipo de arquivo gera ficheiros de tamanho (muito) grande.
A vantagem dos ficheiros TIFF ('Tag Image File Format) é que guardam as informações relativas a vários parâmetros da imagem em campos separados. Basicamente é um formato usado para grandes impressões (Outdoors, etc) pois podem guardar uma série de diferentes informações relativas a tipos de compressão de imagem e espaços de cor.
A questão do porquê de fotografar em RAW+JPG tem a ver com a facilidade de visualização de ficheiros e posterior edição. Ou seja: Os ficheiros RAW só podem ser impressos depois de abertos e convertidos para JPG. No caso de verificar que, para o tamanho de impressão que pretende, o ficheiro nativo, captado em JPG, serve então não precisa de estar com o trabalho (e inerente consumo de tempo) a converter os ficheiros RAW para esse mesmo formato. Por outro lado, usar o modo de gravação simultânea dos dois tipos de ficheiros (RAW +JPG) confere uma maior liberdade de escolha: JPG directo no caso dos ficheiros não precisarem de correcções e RAW caso as fotos precisem de algum “trabalho” de edição (face à flexibilidade de recuperação que este tipo de ficheiros possibilita).
Respondendo à sua questão “RAW e JPEG - Não são dois tipos de ficheiros diferentes?”: São sim! Tal como ficou explicado no artigo. Contudo, hoje em dia, quase todas as câmaras digitais (SLRD) permitem a gravação SIMULTÂNEA dos dois tipos de ficheiros por uma questão de flexibilidade de escolha.
Um abraço

Anónimo disse...

Parabens. Muito bom o artigo.

Regardez-vous disse...

José,

Obrigada pelas informações tão utéis. De forma muito ampla e didática!
Um abraço,
Cláudia