Carl Zeiss Jena Tessar 50mm f/2.8






Hoje, ficamos quase só com imagens.  
O razão é que, na verdade, não sei bem o que dizer desta velha objectiva Carl Zeiss com mais de 30 anos!
Estas objectivas, produzidas sob vários modelos, estiveram em comercialização desde 1945 até 1975. Actualmente continuámos a poder utiliza-las em câmaras digitais, designadamente da Nikon e Canon através de um anel adaptar M42. Este é o motivo que faz com que lhe faça referência neste espaço. Com a chegada do “digital” e com a possibilidade de imediata visualização das fotos captadas, nomeadamente para efeitos de verificação dos resultados: histogramas, focagem, etc., as antigas objectivas de foco Manual conquistaram o seu espaço entre alguns dos fotógrafos. São ainda, todavia, poucos os que continuam ou, por outro lado, os que já descobriram o valor e a qualidade dalgumas destas antigas objectivas. Digo, “dalgumas” porque nem todas merecem que percamos tempo a tentar fotografar com elas.
Esta Carl Zeiss Jena Tessar 50mm f/2.8, na minha opinião, é precisamente um desses casos!

Senão vejamos:
- Para as utilizar com as duas marcas de SLR-D mais comuns, refiro-me obviamente à Canon e à Nikon, necessitamos de lhes acoplar um anel adaptador M42. Até aqui nada de mal, excepto que há que ter cuidado, no caso de as acoplamos numa Nikon, para que o espigão que estas Tessar têm não danifique a alavanca existente no interior do encaixe da baioneta destinada a actuar a abertura automática do diafragma das objectivas Nikkor. Se valesse a pena a utilização de maneira mais consistente destas Carl Zeiss 50mm f2.8 este seria um problema de fácil resolução. Bastaria remover os três parafusos que se encontram na sua parte posterior e, após essa operação, pelo interior retirar simplesmente esse espigão e voltar a fechar a tampa traseira da objectiva.
- Outro motivo: O “Bokeh” destas Tessar 50mm f/2.8 fica entre os piores que tenho visto! É duro, agressivo… não é de todo nada agradável.
- De igual modo, o recorte/definição destas objectivas é mediano.
- A medição de luz, bem assim como a focagem tem de se fazer manualmente. Só em certas câmaras é possível a utilização do programa de prioridade à abertura (após inserção dos dados referentes à abertura máxima da objectiva e da sua distância focal na câmara).
- Como se o anteriormente descrito não bastasse, aqui fica o aviso: estas objectivas acopladas através dos adaptadores M42 não focam ao infinito. Nas Nikon, a distância máxima de focagem não vai além de 1,5m! A razão disso prende-se com a distância existente entre o sensor da câmara e os elementos ópticos destas Carl Zeiss Tessar 50mm. Para que focassem normalmente ao infinito essa distância deveria ser menor.
Por isso: 1,5m de distância máxima de focagem; “bokeh” desagradável; exposição e focagem manual… vale a pena? Tudo depende… Há quem tenha um gosto esotérico em usar este tipo de objectivas. Sinceramente, acho que aquilo que podem ter, eventualmente, de diferente face às recentes é um tipo de “blur” característico motivado pela qualidade das ópticas e pela sua falta de revestimentos (“coatings”).

Mas, aqui ficam algumas das fotografias “possíveis” com esta objectiva e, já agora, algo que não é muito normal apresentar… o seu interior!

Fotografias de exemplo:





Qualidade Óptica
★★☆☆☆
Qualidade de Construção
★★★★
Versatilidade *
★★☆☆☆
Manuseamento
★★★☆☆
Valor
★★☆☆☆

* Em câmaras D-SLR Nikon

8 comentários:

pbl disse...

Infelizmente, só hoje descobri este magnífico blog.
Percorri-o a correr e só posso dizer que estou maravilhado com a qualidade das análises e o detalhe das explicações.
Tenho muito para ler e aprender.
Obrigado pelo extraordinário trabalho.

(só fico com pena de ser quase inteiramente dominado pela Nikon :-))

José Loureiro disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Quanto à questão das marcas… os simpatizantes da Canon que estejam atentos pois vão ter algumas surpresas e novidades nas próximas semanas!

Nuno disse...

Pois tenho a dizer que tenho um especime igual, acoplado a uma Sony Alpha 380 e consigo focar no infinito, por isso talvez seja defeito da sua copia ;)

Abraço.

José Loureiro disse...

Olá Nuno.
Infelizmente não é essa a situação. Na realidade, NENHUMA câmara de marca NIKON consegue, com estas Carl Zeiss Jena Tessar, focar ao infinito!
Para que tal aconteça, ou melhor, para que o consigam fazer tem de ser usado um adaptador M42 COM LENTES que compense a distância, como expliquei, que fica entre o último elemento posterior da objectiva e a câmara.
Claro que tal solução ainda vai introduzir mais elementos ópticos na combinação com a consequente perda de qualidade de imagem…
Por isso, usando um adaptador M42 (tal como o que consta da imagem, isto é, SEM LENTES) é IMPOSSÍVEL qualquer câmara Nikon conseguir focar ao infinito com estas objectivas Carl Zeiss Jena Tessar 50mm 2.8.
Abraço

lopes disse...

Olá José mais uma vez permita-me abusar da sua boa vontade e sabedoria para me ajudar numa questão. Comprei recentemente um kit Nikon D7000 +18-105 e como gosto muito de montanha, animais etc estou pensando em adquirir uma zoom um pouco mais potente e uma macro para as coisas mais pequeninas. Depois de umas tantas pesquisas e outras tantas leituras no seu blog e porque o meu orçamento não é muito gordo pensei nesta opção : Sigma 70-300 mm f/4-5.6 DG APO Macro S e para compensar o “pouco” macro juntava-lhe o tubo extensor Nikon PK13 o conjunto ficaria digamos dentro do meu orçamento. Vi que nos seus ensaios a sigma fica muito aquém da nikkor além das perdas em termos de luz mas n se pode ter tudo e a diferença de preços é grande se tiver que comprar uma para cada coisa. Gostaria que comentasse esta minha escolha e se puder dar alguma alternativa eu agradeceria. Um muito obrigado e parabéns pelo seu trabalho

José Loureiro disse...

Olá Lopes.
Não quero desiludi-lo mas penso que a Sigma 70-300mm DG não permitirá obter os melhores resultados com tubos de extensão. Piorar a qualidade de imagem não piorará mas também não conseguirá obter relações de reprodução muito grandes… é que a objectiva, apesar de ser intitulada “Macro” só permite, na realidade (sem tubos de extensão), um nível de reprodução de 1:2. Ou seja, metade do tamanho real do objecto fotografado.
Depois, tenha em consideração que os tubos de extensão não são propriamente baratos… O Nikon PK-13 custa mais que a Sigma 70-300mm! Mesmo o conjunto de tubos de extensão alternativos, da Kenko, custará também cerca do preço da objectiva.
A solução mais económica para fazer Macrofotografia passa pela “reversão” duma objectiva de pouca distância focal “prime” (preferencialmente, caso já possua uma ..) ou revertendo a 18-105mm. Os anéis de reversão são baratos. Dessa forma conseguirá maiores aumentos e poderá usar a Sigma somente como teleobjectiva.
Cumprimentos

lopes disse...

olá José bom mais uma vez acho que vou pelos seus conselhos e depois de uma boa reflexão decidi tirar os cordões à bolsa e vou optar por comprar a NIKON AF-S DX NIKKOR 55-300 mm f/4.5-5.6G ED VR e paralelamente (e agora é que você entra eh) estou indeciso entre duas possibilidades a SIGMA 50 mm f/2.8 DG EX Macro 1:1 ou a TAMRON SP AF 90 mm f/2.8 Di Macro 1:1, sendo a tamron bem mais cara e tendo em vista a utilização destas objetivas noutras situações (retrato etc,)acha que vale a pena a diferença de preço?quais são as maiores diferenças entre elas? o meu muito obrigado prometo que depois disto só virei comentar e dizer bem dos seus posts eheh

José Loureiro disse...

Lopes,
Infelizmente não posso ajudar. Muito rapidamente…
Sigma 50mm Macro: Nunca usei, por isso não posso emitir opinião.
Tamron 90mm Macro: Possivelmente está entre as melhores objectivas que aquela marca produziu. O modelo existe há muitos anos e continua em comercialização com boa fama…
Depois, em macrofotografia a maior distância focal é sempre uma mais valia. Mas é como lhe digo, não conheço a Sigma… por isso não posso fazer uma comparação válida.
Cumprimentos