Sony A900 - Full Frame 24Mp DSLR – Teste



               Especificações:





Fez recentemente um ano que a Sony introduziu no mercado a DSLR Alpha 900. Dadas as características desta câmara não é de estranhar que a Sony pretende-se concorrer, a nível de câmaras denominadas “Profissionais”, com a Canon e a Nikon. A aposta foi uma DSLR de 24,6 megapixéis, formato “full frame” e um preço competitivo face à concorrência. Resta saber se apesar desse argumento (preço) o vai conseguir.

Pela parte que me toca e na minha opinião que, como costumo dizer, “vale o que vale” acho que não.
Tive oportunidade de usar e testar esta DSLR juntamente com uma objectiva Sony 50mm f/1.4 e formei a minha opinião. Se por um lado a Sony A900 tem aspectos bastante positivos, por outro, fiquei com a ideia que a marca ainda tem um longo caminho a percorrer para concorrer em pé de igualdade com as duas outras já mencionadas marcas. Isto, também, até por uma questão de tradição.
Bom, mas passando aos factos, o primeiro aspecto que acho digno de reparo é relativo à ergonomia. De facto, mal cheguei a casa e retirei das caixas cor de laranja a A900 e a pequena objectiva 50mm tive alguma dificuldade em encontrar a posição correcta para a manusear. Habituado à Nikon D200 com o punho vertical, esta Sony parecia-me pequena demais para o tamanho da minha mão. Apesar da câmara ser robusta, grande e pesada, o punho é pequeno e fino o que obriga os dedos a ficarem numa posição menos cómoda e a não conseguirem seleccionar os botões existentes no topo do punho (exposição/equilíbrio de brancos/ ISO e motorização). O próprio botão obturador não se encontra numa posição confortável obrigando o dedo a formar uma curvatura excessiva para o activar. O selector frontal também fica no topo do punho em vez de se encontrar na tradicional posição. Para quem tenha uma mão mais pequena talvez a ergonomia esteja correcta mas, quanto a mim, faltava-me ainda espaço no punho para o dedo mindinho.
Adiante… era tempo de introduzir um cartão de memória, montar a objectiva que me foi facultada, e sair para a rua para fazer umas fotografias (basicamente de testes).
Eis que surge outro reparo que de certa forma prova o que acima disse quanto ao público preferencial desta câmara. Quando abri o compartimento dos cartões de memória fiquei satisfeito ao ver duas ranhuras… uma grande para o CF ou Microdrive e outra mais pequena que pensei ser para SD… errado! Somente serve para o formato mais caro patenteado pela Sony e denominado “Memory Stick Duo”!
Bom, seleccionei o modo RAW e lá usei um Compact Flash de 8GB que possuo. Olhei para o visor de topo e vi que podia tirar “somente” 202 fotografias! Pois é, cada captura, neste formato, ronda os 36MB.
A primeira surpresa surgiu quando olhei através do visor da câmara. Não posso dizer menos que excelente! Cobertura a 100% da imagem e uma nitidez e clareza… A informação, quanto a dados de focagem e exposição, que podemos encontrar no visor é pouca mas é a suficiente. Além disso, o visor é praticamente isento de mais elementos. Possui a indicação dos 9 pontos de focagem e de alguns pequenos “traços” que indicam o limite dos formatos 16:9 e DX.
Quanto aos menus da DSLR A900 achei-os simples e intuitivos. Em pouco tempo conseguimos “navegar” e entendermo-nos com os mesmos. Claro que também não contém 1/3 da informação disponibilizada nas câmaras Nikon, mas achei ser suficiente.
Após pressionar o botão obturador e tirar uma foto era altura de olhar para o visor LCD traseiro da câmara. Outra agradável surpresa. Excelente, também! O tamanho do LCD é grande e a nitidez com que permite visualizar as imagens captadas é muito boa. Já quanto à passagem do modo de captura para visualização e transição entre fotografias achei a câmara lenta.
Este visor, apesar da A900 não ter “Live View” (algo que seria de esperar nesta gama) serve para utilizar o modo de pré visualização inteligente. A câmara faz uma captura, quando carregamos no botão de pré visualização (situado por baixo da localização da objectiva e só accionável com a mão esquerda… uma questão de hábito) e depois mudando parâmetros vamos verificando o efeito… não é a mesma coisa que o “Live View” mas…
Depois, em utilização reparei em dois pormenores curiosos. O primeiro tem a ver com o som do espelho. Cada vez que carregamos no botão obturador ouvimos um ruído característico em máquinas antigas. De facto, o movimento (inovado pela Sony) para movimentar o espelho provoca um som metálico e, o seu próprio funcionamento provoca movimento na câmara. Para ter a certeza disso coloquei-a sobre a cabeça, carreguei no obturador e senti o seu funcionamento! Estranho… De qualquer modo não detectei nenhuma anomalia nos resultados (claro que quando o espelho fecha e provoca esta vibração a fotografia foi já captada e a cortina que separa do sensor encontra-se, por isso, fechada).
O outro pormenor é a existência de um sistema de redução de vibrações na câmara a que a Sony chama de… adivinhem… “Steady Shot”! Mais um voto positivo. O sistema funciona mesmo e é bem útil, entre outras situações, por exemplo para captar fotografias em interiores sem flash com velocidades de obturação abaixo do desejável.
Captadas algumas fotografias de teste era altura de verificar os resultados. Para isso e até para ter possibilidade também de os confrontar usei a Nikon D200. A primeira coisa que reparei é que a Sony A900 parece ter alguma dificuldade em acertar com a correcta medição de luz e cores! Se por um lado, em situações de pouca luminosidade tende a sub-expor na situação contrária tende a sobre-expor. Esta situação manteve-se independentemente do modo de medição escolhido para o fotómetro. O que é facto é que isso penaliza a gama dinâmica que a câmara é capaz. Os resultados da Nikon D200 (com as mesmas regulações) são fotografias mais “abertas” de maior gama dinâmica de cores.
Tentando, designadamente naquelas situações que a câmara sobreexpunha, ganhar um pouco mais de cor seleccionei o Modo de Cor “Vivid”. Nahhhh, também não resultou! A única coisa que consegui foi ficar com uns vermelhos, muito vermelhos, uns verdes, muito verdes e uns tons de pele pouco naturais. Portanto, em situações predominantemente um pouco mais escuras ou um pouco mais claras que o ideal parece-me que a DSLR A900 não tem o mesmo desempenho que a DSLR da Nikon. Por estar agora a comparar as diferenças e porque não quero com isto dizer que qualquer uma delas é melhor que a outra, aqui fica uma semelhança… e defeito de ambas. Tal como na D200 a A900 só permite usar a opção de espelho levantado ou o temporizador de obturação individualmente não permitindo combinar os dois…. Talvez seja para “obrigar” o utilizador a comprar um cabo disparador!
Gostei ainda do facto da Sony A900 dispor de sistema de Auto-limpeza do sensor (por vibração) que se activa cada vez que se liga ou desliga a mesma.
Depois poderia ainda falar de mais uma série de pormenores (bons e menos bons) que reparei mas penso que seria exaustivo e, de mais a mais, não serão suficientemente relevantes.

Assim, em baixo, para melhor e mais rápida compreensão fica resumida a opinião que formei sobre uma série de aspectos:



Uma outra curiosidade que tinha era, obviamente, formar uma opinião um pouco mais rigorosa quanto ao detalhe das imagens saídas desta câmara comparando com outra. Assim, como o que tinha “à mão” era uma Nikon D200 (menos de metade dos 24,6 megapixéis que dotam a Sony, ou seja, somente 10,2Mp), foi mesmo com esta! Claro que poder-se-ia pensar que estava a comparar o “não comparável” mas mais abaixo explico como o fiz de maneira a compensar as diferenças de imagem entre ambas. De certa forma os resultados foram esclarecedores, mas, quanto a isso, abstenho-me de opinar e aqui fica uma imagem para que cada um tire as suas conclusões!

O teste comparativo quanto à qualidade de imagem com a Nikon D200:



Obs:
Este teste foi realizado com ambas as câmaras colocadas em Tripé e na resolução de qualidade de imagem máxima permitida por cada uma. No caso da Sony A900, aproximou-se a mesma dos objectos a fotografar de maneira a compensar o factor de multiplicação da Nikon (DX - 1,5x) e a preencher na mesma proporção a imagem. A medição de luz e regulações de exposição foram, tanto quanto possíveis, idênticas.
A fotografia é um”crop” a 100% à área em causa sem qualquer tratamento de pós-produção, claro! Para dar a ideia do tamanho do “crop” efectuado vejam a pequena imagem.

Lado a lado as câmaras do teste – Sony A900 (s/punho vertical) e Nikon D200 (c/punho vertical):


Nota final:
Segundo alguns rumores, o sensor de 24,6Mp que equipa a câmara em teste poderá ser o mesmo a ser utilizado na nova Nikon D700x ou D800 cujo lançamento poderá ocorrer ainda em finais do corrente ano! A ver vamos…

Mais algumas fotografias captadas com o conjunto Sony A900 + Sony 50mm f/1.4 podem ser vistas aqui:

6 comentários:

laizek disse...

Oh mestre da fotografia, preciso de uma sugestão sua...
Quero comprar uma nova câmera, tinha uma Sony H50 e gostaria de adquirir uma com características semelhantes (melhores) mas na marca Nikon. Podes me sugerir uma?

José Loureiro disse...

Caro amigo,
sinceramente não conheço muito bem a Sony H50 mas, atendendo às características da mesma, para mudar para a Nikon e dar realmente um salto qualitativo teria de adquirir uma câmara dentro da gama da D90 ou se quiser “esticar um pouco mais os cordões à bolsa”, ainda dentro do formato DX, teria outra proposta: a nova D300s.
Depois, há ainda que ter em conta a aquisição de uma objectiva. Atendendo a que actualmente a câmara que possui tem um zoom equivalente, em formato 35mm, a uma 31-465mm para ficar com a mesma gama de distâncias focais teria de adquirir (se precisar mesmo da tele além dos 200mm) duas objectivas Nikkor pois não existe nenhuma com tamanha amplitude. Contudo, não perdendo uma das características que actualmente possui na sua H50 (steady shot), tem a nova Nikon 18-200mm VR II com sistema de redução de vibrações. Esta será actualmente, para quem pretender uma objectiva zoom versátil, com uma grande amplitude, talvez a melhor proposta da Nikon para o formato DX (caso da D90 e da D300s).
Claro que isto é uma opinião e sugestão de carácter pessoal…
Abraço

Anónimo disse...

Quero comprar uma câmera semi-profissional, ainda sou leiga no assunto e gostaria de saber sua opinião sobre a Sony HX1 e qual seria uma com características semelhantes mas da marca Nikon ou Canon. Podes me sugerir uma?

José Loureiro disse...

Para não me estar a repetir aqui fica a opinião que emiti, em tempos, acerca da mesma questão. A diferença é que, actualmente, deverá ser ponderada a hipótese da Nikon D3100:

"É um pouco difícil responder à pergunta que faz…. O motivo porque o digo é pelo facto de estar a pedir opinião sobre dois produtos distintos. De idêntico só têm o preço….Sendo assim, cada um deles tem as suas vantagens e desvantagens sobre o outro. Isto é, a Sony HX1 é uma câmara compacta que faz uso de certos avanços tecnológicos (Detecção de Faces e a Obturação por Sorriso; steady shot; etc.) de maneira a simplificar o seu uso por pessoas com menos conhecimentos de fotografia e a melhorar os resultados finais. No fundo trata-se de uma compacta, com um zoom 28-560mm capaz de captar até 10 fotos/seg. (algo que não conseguirá na Nikon pelo preço da HX1). Quanto à Nikon D3000, trata-se da câmara de entrada das SLR daquela marca. É uma câmara simples que permite, caso seja essa a ideia “aprender” um pouco mais acerca da fotografia. No fundo conseguirá fazer o mesmo com uma que com a outra mas, provavelmente, no caso da Nikon terá de se “esforçar” mais para isso. Mas são conceitos de câmaras diferentes…
Pessoalmente, acho a D3000 um produto um pouco frágil… Um pouquinho melhor, para quem poder despender de mais algum dinheiro será a D5000, também frágil, mas que penso mesmo assim valer a diferença…
Contudo, a escolha entre uma ou outra câmara deve depender acima de tudo da maneira como vê a fotografia e como quer fotografar … (penso que este deverá ser o factor decisivo na sua escolha!).
Ao nível da qualidade das fotografias que produzem, devo confessar que nunca fiquei muito impressionado com a qualidade das Sony, quer das compactas (atenção que nunca usei/testei a HX1…!), quer do seu topo de gama a A900 que testei há tempos. Por seu lado, a objectiva que poderá comprar e que virá como “Kit” com a D3000 também não será o melhor que a Nikon produz….
A grande diferença: Se comprar a Sony HX1 não poderá, mas também não precisará, de comprar mais nenhuma objectiva. No caso da D3000 independentemente da que vier no “Kit” poderá, caso queira, mudar/trocar por outra(s) de diferentes distâncias focais, aberturas, qualidade…."

Cumprimentos

Carlos disse...

José Loureiro...sim tenho lido alguns comentários seus...muito correcto nas interpretações, não aponta radicalismos nem abcessões por esta ou aquela máquina..parabens!
Contudo posso adiantar...que sou possuidor de uma Nikon d3000 algo controvérsia, mas posso afirmar que tira excelentes fotos no que respeita á qualidade definição e cõr..( aqui para nós; passo horas comparando fotos tiradas com máquinas diferentes nas mesmissimas comdições técnicas de disparo..e posso afirmar: a Nikon D 3000 é a melhor máquina com sensor ccd que tive oportunidde de experimemtar e usar, com excepção de algum ruido incomodadissimo a partir de 800 ISO)Pretendo apenas dar o meu testemunho de utilizador como profissional que sou ao usar essa máquina para todos os eventos( excepto desportos)...Obrigado pelos seus comentários....muito úteis num país ainda muito atrasado..!!

José Loureiro disse...

Caro Carlos,
Felizmente não sou pago para fazer qualquer comentário acerca de equipamento seja ele de que marca for… Mesmo que o fosse isso não alteraria o teor dos artigos, acredite! Isso permite-me falar com isenção e de forma objectiva. E é isso que, de resto, tento sempre fazer. Só assim este espaço poderá ser útil…
Por isso, não é de estranhar que os maiores elogios que teci a uma câmara sejam relativos a uma Canon quando é sabido que sou maioritariamente utilizador da Nikon há muitos anos… Quando gosto, gosto! Quando não gosto também o digo de forma directa…
Há que saber e dizer o que é bom e o que é menos bom em cada marca ou modelo.
Claro que, acima de tudo, não passam de artigos de opinião que, claro, “valem o que valem”.