O danado do “cabo”!

Nikon D300 + Nikkor 80-400mm VR: 400mm, 1/2000 seg., f/5.6, ISO 400
Abelharuco (Merops apiaster) - Azinhoso (Mogadouro)
 Julho 2012


Cada fotografia é única e, intrinsecamente, composta por uma série de factores responsáveis pelo impacto que pode provocar. Inconscientemente, são esses "factores" que nos despertam e prendem a atenção. Problema é que nem sempre os podemos controlar. A luz; a cor; o enquadramento; o pormenor; a oportunidade do momento; entre muitos outros, são disso exemplo.
Por outro lado, conseguir conjugar esses factores numa só foto constitui um verdadeiro desafio…
Desta vez estava quase lá tudo… há excepção do danado do “cabo” eléctrico! Ficava bem melhor um ramo de árvore, não?!

Como costumo "adicionar" quase sempre a estória que está por trás das fotos que publico, então cá fica a desta:
Bom, esta fotografia foi captada durante uma “breve escapada” que fiz enquanto fotografava planadores no Aeródromo de Mogadouro. Bem ali perto, fui observando algumas destas aves que já há muito ansiava fotografar. Esta era uma oportunidade que não podia deixar escapar! Por algum tempo tinha de deixar para trás os Planadores e a actividade na pista… Trata-se duma espécie migradora que só pode ser observada na zona Sul do País e/ou no Nordeste Transmontano (como foi o caso) a mais de 200Km de distância do local onde resido…

Muitas vezes, na fotografia é assim mesmo… vamos fotografar uma determinada coisa e saímos com fotos doutra…
Sem qualquer abrigo, tripé ou preparação especial lá me fui aproximando aos poucos do Abelharuco com o seu "troféu".
Utilizando o programa de exposição com prioridade à Abertura ("A"), seleccionei um valor ISO relativamente elevado (400 ISO) conjugado com uma abertura grande (f/5.6 – a maior abertura de diafragma da objectiva que estava a utilizar) de modo a obter a máxima velocidade de obturação possível e suprimir a falta de estabilização. Desta forma teria a “certeza” de conseguir uma foto nítida. No caso concreto, com uma forte incidência de luz directa num ângulo baixo (fim de tarde), a velocidade conseguida foi de 1/2000 seg.. Mais que suficiente para compensar a grande distância focal da objectiva usada (@ 400mm) ajudada pelo sistema de estabilização VR activo.

Uma das razões que me cativa e torna, quanto a mim, esta ave especial está fácil de ver: As magnificas cores da espécie!
Num país tropical, estas cores não são motivo para grande emoção pois são apresentadas em muitas aves. Infelizmente, na Europa tal não acontece. São poucas as aves que ostentam cores tão intensas e vibrantes.

Como muitos saberão, há vários anos que “fotografar aves” no seu habitat natural tem sido um dos meus "passatempos" predilectos. Com esta foto (registo...), adicionei uma nova espécie ao “Site” dedicado à fotografia de aves. Já vão em 65...
  • Embora sendo um tipo de fotografia muito específico, quem gostar de “passarada” pode (caso ainda não conheça) visitar o dito espaço aqui!(abre em novo link)
  • Para visualizar directamente por espécies ver aqui »» (no final de cada página, por ordem alfabética, encontrarão os "links" a cada uma das espécies até agora fotografadas). 

(Desculpem a "auto" publicidade mas penso que dar a conhecer a avifauna do nosso País através da fotografia das variadas espécies é um projecto interessante...)

11 comentários:

Marco C. disse...

a foto está fantástica José! e neste caso o cabo eléctrico fica "ofuscado" p'las cores do personagem principal da foto. Parabéns por mais uma!

Luis Fernandes disse...

Brilhante foto, José. E, na minha opinião, nem considero o cabo elétrico um "intruso", mas sim um elemento adicional da composição, capaz de informar que ainda conseguimos achar essa belíssima ave no nosso ambiente urbano. A foto ficou, na minha humilde opinião, completa.

Grande abraço e ótima semana!

kaneta disse...

:-):-)
Resultou numa excelente foto e o "danado":-) :-) do cabo, perante a beleza do momento, até passa despercebido.
Gostei muito e apreciei a generosidade em partilhar como fotografou.
Obrigada pelas "dicas"
Continuação de boas fotos

Ana

Manuel Antunes disse...

Excelente foto. Excelente explicação.
Muito obrigado!

mfc disse...

Os teus ensinamentos são preciosos... e a foto lindíssima!

Petinha Lira disse...

S E N S A C I O N A L!!!!!! Ainda irei fazer fotos iguais a esta.

Dylan disse...

Adoro este pássaro, nem sabia em que locais era possível vê-lo.
Só uma pergunta: porque não usa antes a "Prioridade ao Obutador" em vez da "Prioridade à Abertura"? O efeito não será o mesmo?

Jose Loureiro disse...

Sim. De certo modo, os dois modos de exposição são redundantes… Ressalva feita para as situações em que as condições de luz variam de foto para foto e que queremos mesmo um determinado valor fixo (de abertura ou velocidade de obturação). Nestes casos é conveniente (por ser mais prático) utilizar o modo que satisfaça a prioridade que nos interessa.
Na verdade, nos modos de exposição semi-automáticos – “Prioridade à abertura” e “Prioridade ao obturador” - os valores de abertura de diafragma e de velocidade de obturação funcionam em correspondência um com o outro. Quer isto dizer que, ao alterar um deles, inevitavelmente, o outro ajusta-se de forma automática.
Para quem estiver habituado acaba por tornar-se indiferente usar um ou outro independentemente se pretender regular a velocidade de obturação ou a abertura…
Basta ter em atenção os valores indicados pela câmara - da abertura ou velocidade de obturação, consoante aquele que nos interesse - ao mudar o outro.
Neste caso concreto existe ainda um nuance que acaba por tornar mais rápida a selecção da velocidade de obturação a partir da selecção do modo de “prioridade à abertura”.
Passo a explicar:
A maior velocidade de obturação conseguida com uma determinada objectiva está sempre dependente da sua abertura máxima, certo?
No caso da Nikkor 80-400mm (a 400mm) essa abertura máxima é de f/5.6. Partindo do principio que esse valor nos dá a profundidade de campo pretendida, se seleccionar-mos essa abertura, sabemos de imediato que em função da luz ambiente obteremos o maior valor possível de velocidade de obturação. Portanto, só temos de verificar se o valor que o exposimetro indica é suficiente ou não. De seguida, caso queiramos alterar o valor de obturação para um valor superior só nos resta uma alternativa - Ajustar o outro factor que influência os dois primeiros: O valor de sensibilidade ISO.
Pode parecer um pouco confuso mas com o hábito torna-se simples e intuitivo…

Dylan disse...

Obrigado pela resposta, caro José Loureiro. Percebi razoavelmente.

Luis Fernandes disse...

Resposta muito completa, José, abordou de maneira perfeitamente clara. Ótima sexta para você.

NobreLuso disse...

Mesmo que vários anos após a foto do pássaro, o amigo José Loureiro continua a merecer elogios rasgados e a gratidão de quem tem o privilégio de ver os seus magníficos trabalhos!
Se eu ainda fosse menino, diria com a maior simplicidade do mundo:
- quando eu for grande, quero tirar fotografias como o Loureiro!
Já bem crescidinho e maduro, resta-me - ainda e sempre - tentar aprender consigo!