HDR


Nikon D200 + Nikkor 24-70mmf/2.8 G ED-IF AF-S
Composição HDR de 7 fotografias [-3 Ev; -2 Ev;-1 Ev; 0 Ev; + 1Ev; + 2 Ev; + 3 EV] em CS4

HDR… o que é? Como se faz?

High Dinamic Range é o que significam as siglas mas, concretamente, em que se traduz isso?

Bom, muito resumidamente, HDR é um método usado no meio fotográfico para se obter uma maior gama dinâmica de cores e luz. Isto é, já todos nos deparamos com situações fotográficas em que as diferenças de tons e luz existentes são de vários Ev’s. Pois é precisamente para “compensar” estas diferenças de luz (que a película e o sensor não são capazes de resolver) que se recorre ao HDR.A gama dinâmica (amplitude de luminosidade correcta) que uma DSLR consegue captar é muito inferior ao que os nossos olhos vêem e, por isso, é tão complicado, por exemplo, obter exposições correctas em situações de sombra/luz. Se regularmos a exposição para não termos ruído nas sombras vamos “estourar” os brancos nas altas luzes. Se por outro lado regularmos a exposição de maneira a obter uma correcta exposição nas altas luzes ficamos com falta de informação e ruído na zona de sombras. Como resolver este problema? Naturalmente recorrendo ao HDR que “amplia” a gama dinâmica em relação ao que uma só exposição consegue!

Dito, sumariamente, o que é, falta agora dizer como se faz!

No fundo, o processo consiste na captura de várias fotografias (em formato RAW), com diferentes valores de exposição, e posterior processamento das mesmas num programa de edição específico. Os mais vulgares são o Photoshop e o Photomatix Pro.

Regra geral são aconselhadas pelo menos 3 exposições. Uma será aquela que é indicada pelo fotómetro da câmara como “ideal” para a situação. Depois, podemos começar por captar mais duas devendo uma ser subexposta e outra sobreexposta em 1 ou mais Ev’s ou, caso a diferença de luz não seja muito grande, uma fracção desse valor. Pelo contrário, e para obter maior precisão de cores e tons, podemos captar 5, 6, 7… ou mais fotos do mesmo motivo variando a exposição em cada uma delas (o único inconveniente será o tempo que depois o CS2, CS3 ou CS4 demorarão a compor a imagem final!).

Como proceder para fazer uma fotografia em HDR:
  • Primeiro devemos começar por escolher o motivo. Quer as cenas nocturnas, quer as paisagens são bons motivos.
  • Como as exposições (sobre-expostas) são um pouco mais longas devem ser evitados (a menos que propositadamente o queiramos) elementos que se movam pois vão ficar “arrastados”.
  • Se a câmara dispuser de modo de exposições por “Bracketing” esta é uma boa altura para lhe dar uso (após previamente definirmos o número de fotos e de variação de exposição entre elas que pretendemos. O mínimo será 3 fotos em variação de sub-exposição/sobre-exposição de 1 EV.)
  • Colocar a câmara num tripé (que seja efectivamente estável) e usar um cabo disparador.
  • Não alterar quaisquer parâmetros na câmara entre as diferentes exposições tais como distância focal, objectiva, abertura seleccionada, focagem (o melhor mesmo é após focar para a primeira foto desactivar a focagem AF), etc. Pessoalmente uso o método de exposição com prioridade à abertura (A) e deixo o resto por conta do fotómetro da câmara que, ao compensarmos em -/+ Ev’s adequa a mesma à velocidade correcta!
Depois disto tudo, quem pensar que descarrega as fotos para o computador abre o CS ou o Photomatix e automaticamente obtém o produto final… desengane-se!

A única coisa que estes programas vão fazer é juntar as várias fotos (a 32bits). Depois disso existe todo o trabalho de acerto de níveis, etc.. até se conseguir o resultado final (oportunamente, noutro artigo, explicarei esse processo).

Por falar nisso, esse resultado final pode ser algo parecido com a fotografia do topo (pouco realista) ou mais tradicional como é o caso da imagem nocturna abaixo em que se conseguiu uma exposição homogénea sem que ficassem “estouradas” as altas luzes (iluminação da Igreja) nem que houvesse ruído e falta de detalhe nas zonas mais escuras. Todavia, devemos estar conscientes que para se conseguir uma imagem com aspecto final agradável e realista o necessitamos de algum “trabalho” e experiência em pós-produção.

Nikon D200 + Nikkor 24-70mmf/2.8 G ED-IF AF-S
Composição HDR de 7 fotografias [-3 Ev; -2 Ev;-1 Ev; 0 Ev; + 1Ev; + 2 Ev; + 3 EV] em CS3

Para dar uma ideia da amplitude de valores de exposição (gama dinâmica) existente entre as 7 fotografias que foram necessárias para obter a imagem acima cá ficam elas:
(Reparem na variação de informação e detalhes, ou melhor, na falta deles, entre uma foto com -3 Ev’s e outra de + 3Ev’s!)

 
Imagens seguintes:
Do lado esquerdo - fotos de referência sem compensação de exposição (0 Ev) conforme a leitura indicada pelo fotómetro da câmara. Este é o melhor equilíbrio de luz entre claro/escuro possível com uma só exposição.
Do lado direito - fotos HDR. Conforme se observa, a melhoria da imagem no que concerne ao equilíbrio dinâmico é substancial. Por um lado, as altas luzes desaparecem e distinguem-se pormenores (já é possível visualizar os azulejos e não apenas uma mancha branca). Por outro lado, nas zonas escuras/sombra também se conquistam importantes ganhos em termos dinâmicos. De igual modo, há um incremento no pormenor da imagem e diminuição de ruído!

 
 




Ao lado: Áreas onde foram efectuados os Crop’s a 100% a que se referem as imagens acima.


Em suma, através da aplicação deste método “HDR” conseguimos abranger uma maior gama dinâmica, compensar as variações de valores de exposição existentes entre claro/escuro e realçar os pormenores!

Artigo relacionado: Dicas de Photoshop - Como fazer uma fotografia em HDR?

4 comentários:

Jorge C. Reis disse...

Excelente artigo. Tenho algumas fotos no meu blogue com "falsos" HDR, técnica que é também de explorar, sobretudo para quem não tem possibilidades de fotografar em RAW.
Um abraço
Jorge

José Loureiro disse...

De facto um dos “problemas” em utilizar a técnica de HDR é a facilidade com que perdemos o conceito de realidade. Ou seja, em pós-produção, torna-se por vezes mais difícil conseguir uma fotografia realista e equilibrada do que uma surrealista (daí que, só para exemplificar, tenha colocado a do topo). No fundo, quando isso acontece, na minha opinião, estamos a criar uma fotografia que até pode ser cromáticamente apelativa mas que nada tem a ver com a realidade… Por isso, também, acho mais difícil a pós-produção que a própria captura das imagem que lhe vão dar origem.
Obrigado pelo comentário!
Um abraço

Danilo Moscon disse...

Prezado Loureiro.
Inicialmente te parabenizo pelos seus instrutiveis e uteis artigos sôbre fotografias.
Sôbre as fotos em HDR, o Sr.cita que os arquivos são em RAW.
Gostaria de saber se podem ser feitas em JPEG.Se for possivel,em qual dos tipos é melhor.
Danilo Moscon

José Loureiro disse...

Olá Danilo.
Os ficheiros que podem ser usados para criar fotos em HDR são vários: RAW, JPG, TIF,….
No entanto, a ideia de criar uma imagem em HDR é conseguir extrair o máximo de amplitude possível de gama dinâmica de cores, contraste, etc. dos ficheiros com que trabalhamos. Daí que, usando ficheiros nativos em RAW a quantidade de informação de que dispomos como ponto de partida, designadamente no que concerne a sombras e altas luzes, seja maior em virtude da maior amplitude dinâmica que esses ficheiros têm comparativamente aos de JPG.
Em todo o caso, mesmo sem ser em RAW e mesmo partindo de um único ficheiro em JPG, é possível fazer imagens em HDR. São conhecidas, como já foi referido, num dos comentários por “falsas” HDR. O processo baseia-se, partindo de uma única fotografia, em fazer cópias da mesma quer sobre-expostas quer sub-expostas e depois converte-las em HDR com se tratasse de diferentes capturas iniciais.
Cumprimentos