A nova geração (G2) da Tamron 150-600mm f/5-6.3 Di VC USD versus Tamron 150-600mm da 1ª Geração




Desde que foi anunciada, em 1 de setembro de 2016, a nova geração da Ultra Teleobjetiva SP 150-600mm f/5-6.3 Di VC USD denominada pela marca de "G2" (Generation 2) que aguardava, com alguma ansiedade, a oportunidade de testar este novo modelo (A022)!
Na verdade, este tipo de objetivas (de grande distância focal), é um equipamento com o qual estou familiarizado e costumo usar com regularidade. Pelo tipo de fotografia a que se destina pretende-se, sempre, que este tipo de objetivas sejam leves, rápidas e de boa qualidade óptica. Aliás, este último aspeto, será o principal elemento a ter em conta quando pretendemos fotografar objectos ou Vida Selvagem que se encontra a alguma (às vezes, bastante) distância física do local donde estamos a fotografar. Dito isto, claro está que o que se pretende é retratar o que fotografamos com o máximo de detalhe possível apesar da distância a que se encontra.
Nesse aspeto, o 1º modelo (A011) da Tamron SP 150-600mm (lançado em 7 de novembro de 2013) que utilizo, por isso, há cerca de 3 anos, nunca me deixou ficar mal! Fez companhia em alguns Workshops e permitiu fotografias de Vida Selvagem que foram publicadas em várias revistas.
Portanto, sabendo de antemão que esta recentemente lançada Geração seria, segundo a marca, "melhor" que a 1ª, desde logo, mesmo antes de ter oportunidade de o testar e comprovar, na qualidade de embaixador da marca, solicitei à ROBISA (representante da marca em Portugal) um exemplar para utilização pessoal.
Bom, a objetiva chegou diretamente de Madrid há alguns dias e conforme prometido aos leitores cá fica, então, este artigo inteiramente dedicado a uma análise das diferenças existentes entre as duas versões.

Apesar de existirem bastantes diferenças entre estes dois modelos como, por exemplo, a focagem, o sistema de estabilização, o manuseamento,... desde já esclareço que este artigo visa somente demonstrar as diferenças ao nível estético (Design) e de QI (qualidade de imagem).  

Começando por aquela que é mais óbvia e fácil de apurar, as imagens abaixo, sem necessidade de grande explicação, demonstram "per si" as diferenças estéticas entre as objetivas em confronto.
Acerca do assunto (e como se pode verificar pelas imagens), apesar do seu "recheio" ser diferente, diria que a base/estrutura que serviu de construção à 2ª Geração é idêntica à do modelo inicial.

Nota:
Objectiva representada à esquerda nas imagens: Tamron SP 150-600mm f/5-6.3 Di VC USD - modelo novo "G2"
Objectiva representada à direita nas imagens: 
Tamron SP 150-600mm f/5-6.3 Di VC USD - modelo antigo (G1)
   





O novo modelo integra-se no Design desenvolvido para a nova geração da gama SP (Super Performance) da Tamron. Com acabamentos mais refinados ao nível visual  bem como ao nível da agradabilidade de utilização, como é o caso dos mais práticos e funcionais botões comutadores, a possibilidade de bloqueio do zoom a qualquer distância focal selecionada, o novo colar de tripé compatível, sem necessidade de utilização de qualquer placa adicional, com o sistema de encaixe "Arca Swisss" até aos acabamentos das zonas não metálicas que são de plástico tipo "revestido a borracha", existem uma série de diferenças e melhorias...
Ainda em relação às diferenças visíveis, chamo a atenção para o pormenor da parte traseira das objectivas: O novo modelo (G2) não possui a tradicional palheta destinada à abertura mecânica das lâminas do diafragma. Em vez disso, este novo modelo, utiliza um sistema electromagnético para controle do diafragma. Outra diferença, a existência, no modelo "G2" de 10 pinos de contactos elétricos em vez dos 8 da anterior. Isso permite a utilização, com total compatibilidade, com os novos Teleconversores TC-X14 e TC-X20 que a marca lançou na mesma data da "G2".


Vamos agora aquilo que não se vê mas que nem por isso não é menos importante... a questão da Qualidade de Imagem. Certamente, muitos se questionarão:
O novo modelo é melhor que o anterior?

Respondendo de maneira muito imediata, sim!
Nova pergunta: 
As diferenças são substanciais? 
Bom, para responder fundamentadamente com factos nada melhor que testar...! E assim foi!
Passo a explicar, muito sucintamente, os critérios e a técnica levada a cabo para responder a estas duas perguntas.

Critérios e técnica:
Uma vez que este tipo de objectivas é utilizado maioritariamente com o zoom nos 600mm e na sua abertura máxima possível, os testes privilegiaram essas configurações. A distância ao cenário é de cerca de 12 metros.
Os resultados abaixo demonstrados foram apenas aqueles que achei serem mais relevantes e simbolizam o globalmente conseguido de entre muitos outros.
Todos os testes à QI foram efetuados com tripé, cabo disparador, espelho levantado,... etc. etc. ... enfim, o costume....
Utilizaram-se duas câmaras SLR da Nikon - Uma DX (D300) e outra FX (D800)
Tentaram apurar-se as diferenças na qualidade de imagem entre os dois modelos com incidência na nitidez e no contraste entre as diferentes capturas a diversas aberturas.
Assim, os resultados apresentados que, como acima disse, servem de amostra de todos os efetuados (em várias condições de luz a diferentes distâncias físicas ao objeto,...) foram captados com a câmara FX acima referida a ISO 100. As aberturas escolhidas são aquelas que representam a variação de amplitude entre a mais luminosa possível a 600mm (f/6.3) e a mais fechada aconselhável (a meu ver - f/11). No meio termo ficam também os resultados a f/8.
Convém aqui dizer que estes resultados traduzem aqueles que serão os piores resultados possíveis para as duas objetivas. Ou seja, como é normal, os resultados, em termos ópticos, neste tipo de zoom's é sempre melhor se nos absteremos de utilizar a sua plena abertura e máxima distância focal. Logo, claro está, que desde que se feche um pouco o diafragma (como se comprova nos resultados) e não se utilize o máximo focal a QI melhora.
Pese embora este tipo de objetivas ser mais utilizados com câmaras DX, optei por apresentar alguns dos conseguidos com a Nikon D800 (FX) por ser aquela que exigiria, por força dos 36 MP, mais qualidade de imagem e, ao mesmo tempo, porque permitiria analisar melhor as zonas relativas aos cantos da imagens. Algo que os utilizadores de câmaras DX não terão tanto de se preocupar pois o sensor não "aproveitará" as zonas mais distantes do centro das lentes onde, se perde sempre (de modo generalizado) alguma qualidade de imagem.      



Ao lado: 
Imagem que serviu de base aos testes apresentados. 
Na mesma, encontram-se sinalizadas as zonas donde foram efetuados os "crop's".
Os "crop's" não foram alvo de qualquer edição e foram diretamente convertidos de "RAW" para "JPG" duma imagem nativa com 7360 × 4912 e representam, assim, uma pequeníssima porção do tamanho real da imagem.  





Dito isto, cá ficam os resultados:  












Conclusões:

Quanto às diferenças estéticas, essas são obvias! 
Pessoalmente, gosto deste aspeto mais refinado da nova Geração da gama SP.

Quanto à questão da Qualidade de Imagem, as coisas já não são assim tão imediatas e dividiria o assunto em duas partes - Nitidez e contraste.
Nitidez:
Apesar da qualidade de imagem ser superior a todas as aberturas e de se terem, por isso, obtido melhores resultados com o novo modelo "G2", facto é que, descobrimos isso apenas por comparação directa depois de testes efetuados em condições controladas... Ou seja, em utilização real, considerando que o 1º modelo já produzia bons resultados e se
 analisadas avulsamente as imagens, penso que as diferenças poderão não ser tão notórias.
Contraste:
Quanto a esta questão a situação já é bem diferente. Neste aspecto, talvez devido aos novos revestimentos, a nova "G2" "bate" o modelo de 1ª geração de maneira bem visível logo que começámos a fechar a abertura de diafragma. A esse facto não é alheia, também, a diferente transmissão de luz existente entre os dois modelos. Em condições idênticas, a 1ª versão parece tender a sobre-expor mais as fotografias do que a nova "G2". 
Já agora, embora não se possa tirar essa conclusão das imagens (mas, sim, doutros testes não apresentados que efetuei), existe também uma melhoria ao nível do controle das aberrações cromáticas no novo modelo.

Em suma, o novo modelo da Tamron SP 150-600mm f75-6.3 Di VC USD G2 é ainda melhor (e aqui a palavra chave é "ainda") do que o modelo antecessor. Para isso contribuem, não só, a melhor resolução de imagem, conseguida pelos melhoramentos introduzidos na construção e revestimentos ópticos mas também as inovações e melhoramentos ao nível uma outra série de factores como, por exemplo, a mais rápida aquisição de focagem e o melhorado sistema de estabilização. O conjunto de todos esses fatores é que contribui e faz a diferença nos resultados finais quando utilizamos a objetiva "no terreno".
E, assim sendo, porque queremos sempre melhor, a nova "G2" passa a partir de agora a fazer parte do equipamento que transporto na minha mala e será a Ultra-teleobjetiva com que fotografarei nos próximos tempos Vida Selvagem e outros cenários que propiciem a sua utilização

7 comentários:

guilherme teixeira disse...

Bom dia,

Eu estou a pensar comprar a tamron 150-600mm da primeira geração para usar na minha maquina Dx APS-C nikon d5200 e queria saber se ao comprar eu preciso de multiplicar a distancia focal por 1.5x para obter a distancia real que vou ter com a minha maquina?

Jose Loureiro disse...

Sim, efetivamente, caro Guilherme, assim é.
Todas as distâncias focais inscritas nas objectivas referem-se sempre à distância focal das mesmas em FX (Full frame).
Portanto, considerando que, no caso da Nikon, o factor de conversão é de 1,5 vezes, a Tamron 150-600mm equivalerá, em termos reais, quando utilizada com a sua Nikon D5200, a uma 225-900mm.

guilherme teixeira disse...

Muito obrigado pela ajuda.

Mas já agora esclareço outra dúvida sobre o mesmo tópico. Há objectivas que na referência dizem Dx ou seja são para usar com máquinas APS-C e nessas tbm tenho de usar a conversão? Pelo menos as duas objectivas nikon que tenho dizem Dx

Jose Loureiro disse...

As objectivas que tem inscrito "DX"(sigla utilizada pela Nikon - no caso doutras marcas a distinção é feita com recurso a outras nomenclaturas) isso significa com disse, corretamente, que se destinam a ser utilizadas com câmaras com sensores de formato DX (APS-C).
Respondendo, então, à sua questão:
Sim, também nessas objectivas para ter a noção da real distância focal, terá de fazer a conversão. Ou seja, por exemplo, uma objectiva 10-24mm DX equivalerá a uma distância focal real (em FX) de uma 15-36mm.
O que acontece é que só existe essa nomenclatura em objectivas de distâncias focais pequenas devido à sua construção interna e ao grande ângulo de imagem com que permitem fotografar. Se utilizar uma 10-24mm DX numa câmara FX aí sim ela seria verdadeiramente uma 10-24mm! O problema é que como está construída para o formato DX o seu |angulo de imagem e a construção fariam com que se visualizasse o seu interior...
Algumas imagens que talvez ajudem a esclarecer:
Pode ver este artigo
Esclareceu?

guilherme teixeira disse...

Isso é uma grande chatice quando se quer comprar grandes angulares...

Sim esclareceu. O seu blog tem sido uma grande ajuda para entender muitas coisas :)

Muito obrigado por toda a ajuda

Jose moreira alves disse...

Hello Sir. tenho um amigo aqui em Macau que perguntou-me outro dia dia sobre qual lente escolher: tamron 150-600 G2 and nikon 200-500 me lembrei de si nas duvidas que prontamente me ajudas-te a resolver. Seria possivel por favor mais um help ,muito agradecido

Jose Loureiro disse...

Boa tarde,
Caro José Moreira,
Não tendo eu experimentado a Nikon 200-500mm e podendo parecer suspeita, por isso, a minha opinião, se a aquisição se deve a fotografar temas que impliquem a utilização de grandes distâncias focais, inclinava-me mais para a Tamron 150-600mm GG2 pois tem um bom sistema de estabilização e ainda os 100mm "Extra" de distância focal.