Jupiter 36b - 250mm f/3.5



Especificações
Distância focal/Abertura:
250mm f/3.5
Construção (elementos/grupos):
4 / 3
Ângulo de imagem:
18º
Escala distâncias focais:
n/a
Diafragma:
Manual (em D-SLR's)
7 lâminas
Escala de aberturas:
f/3.5 ~ f/16
Medição de exposição:
n/a
Escala:
Desde 3,5m até ao ∞
Distância mínima de foco:
0.35m
Tamanho do filtro:
82mm
Dimensões (diam./comp.):
85 x 180mm
Peso:
1478g (pesados)





Nem todas as objectivas são construídas da mesma maneira. Isso é um facto certo e perfeitamente compreensível. Existem objectivas pequenas, existem objectivas grandes e, obviamente, o tamanho e peso duma determinada objectiva são indicadores da sua construção mais ou menos cuidada e da sua distância focal.
Mas, outra coisa certa, também, é que dentro duma determinada gama de distâncias focais o tamanho e peso de diferentes modelos e marcas costumam ser idênticos... mais coisa, menos coisa...!
Bom, de facto, esta Jupiter 36b de 250mm de distância focal com uma abertura máxima de f/3.5 varia um pouco...
Trata-se duma objectiva de médio-formato de construção Soviética.
Sair para o "campo" com uma destas objectivas Jupiter equivale a uma ida ao ginásio e a uns bons exercícios com halteres!
Lá pesada e robusta é! Peso? Na balança digital, nada mais, nada menos que 1.478g! Sem tampas!



Construção:

Tipicamente Soviética... idêntica a um "Tanque de Guerra"! Quase tudo é metálico!
Todavia, manifesta algumas falhas... Na verdade, é uma objectiva muito peculiar....Vista, por comparação, com a grande maioria das objectivas que conhecemos, tudo parece estar no sítio errado! Ergonómicamente, esta foi uma das objectivas mais mal concebidas que experimentei até hoje!
Passo a explicar: O anel de aberturas encontra-se na parte frontal da objectiva, mais concretamente onde era suposto estar colocado o anel de focagem! E este último, então, onde havia de estar? Não, não é bem no sítio do anel de aberturas... mas não anda lá muito longe!
Outro dos maiores "erros" ou falhas desta objectiva reside na falta dum local onde apertar um suporte para tripé. Fotografar com quase 1,5Kg de peso (além da câmara) acaba por ser maçador. Além disso, os f/3.5 de abertura máxima não possibilitam velocidades de obturação suficientes para permitir captar fotos a 250mm em condições de pouca luz sem recorrer a valores de sensibilidade ISO elevados ... (como, por exemplo, em dias mais encoberto ou nublados).
Portanto, tendo em conta a falta dum colar ou outro qualquer tipo de possibilidade de montagem ou fixação em tripé e o peso desta Jupiter 36b, fácil é de perceber que todas as fotos tem de ser captadas "a punho". Outra solução, seria a de fixar esta objectiva acoplada a uma câmara, pelo sistema de aperto existente na base da câmara. Todavia, isso representa um esforço exagerado na zona da baioneta (ligação entre câmara/objectiva) que também deve ser evitado....



Parasol! Outra falha! Depois de alguém ser ter dado ao trabalho de incorporar nesta objectiva um útil parasol rectrátil por que raio não se lembrou também de colocar um simples ponto de fixação ou possibilidade de bloqueio para o mesmo?! Na realidade, o parasol desliza quando quer... se virarmos a objectiva para baixo ou para cima para fotografar qualquer coisa, quase sempre o parasol desliza nesse mesmo sentido! Solução simples: um pequeno fragmento duma simples folha de papel atracada entre este e o corpo da objectiva! E fica resolvido o problema. Mas era escusado ter de "inventar"...!



 Manuseamento:
Bom, acima mencionei o problema da "troca" de lugar dos anéis de focagem e de aberturas. Pois bem, pode parecer não ter importância e ser somente uma questão de habituação, mas não! Interfere mesmo com a normal focagem. Relembro que, nesta objectiva tudo é manual... incluindo, claro está, a focagem. Ora o que acontece é que sempre que pretendemos focar, o mais usual de acontecer é mudar a abertura em vez disso! A melhor colocação da mão (por uma questão de equilíbrio) é precisamente numa posição mais próxima da frente da objectiva, no lugar onde está o anel de aberturas... Focar não é de todo prático e fácil com esta objectiva!
Por outro lado, o anel de aberturas é demasiado suave mal se sentindo os tradicionais "cliks" de mudança de f/stop.
De resto, esta Jupiter 250mm f/3.5 torna-se desequilibrada quando montada numa D-SLR. Grande parte do peso concentra-se na parte frontal e, como acima já referi, não podemos segurar a mesma nesse local pois a focagem tem de ser efectuada bem mais atrás...



Qualidade óptica:
A qualidade das imagens produzidas por esta Jupiter 250mm varia bastante... Em função de quê?
De duas coisas:
Primeiro, como é típico, em função das aberturas escolhidas. Pelos testes que fiz, as melhores imagens conseguem-se a aberturas entre os f/4 e f/5.6.
A partir de aberturas mais pequenas que f/8, mesmo em condições de boa luz, a câmara "perde" o rigor da funcionalidade de confirmação de aquisição de foco (o pequeno ponto verde no visor) e a qualidade de imagem diminui. A diferença de qualidade é mesmo muito grande... como podem ver nas imagens comparativas mais abaixo.



Infelizmente, usar "tais" aberturas ideais acaba por se tornar numa condição limitativa... a menos que usemos valores de sensibilidade ISO altos, a percentagem de fotos verdadeiramente focadas/nítidas acaba por ser reduzida... Uma distância focal de 250mm, sem qualquer sistema de estabilização óptico, sem possibilidade de usar tripé não ajudam...
A "solução" para fotografar com esta objectiva reside no "truque" de compensarmos a falta de estabilidade recorrendo a uma estabilização externa: usando o nosso corpo como suporte (ajoelhando-nos e apoiando o conjunto no cotovelo); encostando o braço ou mão a um poste ou parede, etc...
Em segundo, convém também, estar consciente que esta objectiva (como muitas outras...) não é selada, pelo que exige sempre algum tempo de espera antes de se poder começar a fotografar sempre que mudamos de ambientes. Não é de estranhar que, se não se respeitar esta "imposição", as fotos fiquem sem coloração e com falta de contraste!
Portanto, respeitando as "condicionantes" acima apontadas, designadamente usando valores em torno dos f/4~f/5.6, a Jupiter 36b 250mm até produz boas imagens!
A cor é boa (com uma ligeira tendência, a meu ver, para os tons frios), o contraste é bom e o Bokeh não sendo particularmente excepcional, também não é mau.
Quanto à separação de planos, por mais voltas que se dê, independentemente da abertura usada e da distância ao sujeito, esta objectiva Jupiter não é capaz, incompreensivelmente, de o fazer... (nas imagens de exemplo, mais abaixo, facilmente entenderão o que estou a dizer!)
Este aspecto, para mim, constituiu um verdadeiro enigma que me deixou deveras intrigado... Na minha opinião, não conseguimos captar com esta objectiva imagens em que os planos focados se destaquem devidamente do cenário secundário ou de fundo.
Por antítese, podem ver aqui um exemplo duma imagem captada com uma objectiva capaz de produzir uma excelente separação de planos (abre em novo link)
Já quanto a aberrações cromáticas, as "franjas azuladas" são comuns e surgem nos contornos dos objectos fotografados sempre que direccionámos a frente da objectiva a ângulos inferiores a cerca de 45º na direcção do sol.


Exemplos:





 


Em resumo:
Particularmente, esta Jupiter 250mm f/3.5 não me entusiasmou muito. A distância focal desta "Prime"- uma teleobjectiva de alcance médio - limita os motivos que podemos fotografar.
Depois, a falta de colar de tripé associada uma construção pouco ergonómica, "obriga", em muitas situações, a usar valores de sensibilidade ISO elevados. Caso contrário, a percentagem de fotos devidamente nítidas é pequena...
(De facto, é imperdoável a falta de colar de tripé numa objectiva, como esta, que pesa quase 1.500g!)
Mas se "esquecermos" esses factos e com alguma habituação, a Jupiter 250mm 36b até proporciona boas imagens!
Em complemento, com alguma correcção dos ficheiros, em posterior edição, conseguem-se resultados finais ainda mais interessantes!
 
Qualidade Óptica
★★★☆☆
Qualidade de Construção
★★★☆☆
Versatilidade
★★☆☆☆
Manuseamento
★★☆☆☆
Valor
★★☆☆☆

Onde comprar:
Sítio do Cano Amarelo

3 comentários:

Daniel Moreno disse...

Folgo imenso em saber que há investigação e opiniões válidas, em Portugal, sobre estes assuntos da fotografia. Apraz-me conhecer o resultado da Jupiter 250 mm Russa. Obrigado, José.

Kilson Santos disse...

Loureiro aqui no Brasil esse tipo de lente é difícil encontrar,eu em particular nunca tinha visto,para vc ter uma ideia,até mesmo a Tamron já é difícil e quando encontra o preço é alto,valeu o teste,abraços.

Anónimo disse...

Este foi um bom artigo para ler, obrigado por compartilhar isso.