A importância de "tapar" a entrada de luz pelo visor óptico das SLR durante a captura de fotografias


De certa forma, fotografar com tripé representa uma natural evolução e uma tentativa no sentido de melhorar os resultados das nossas fotografias. É, por isso, normal que quem “ganhe” algum gosto mais sério pela fotografia comece a fazer uso deste importante acessório. As situações que "obrigam" à sua utilização são várias e vão desde a simples necessidade de obter uma melhor estabilização do conjunto câmara/objectiva, conseguindo com isso fotos mais nítidas, até à necessidade imperiosa da sua utilização para capturas cuja exposição seja mais longa.

Tudo isso é certo mas, se por um lado o recurso ao tripé pode melhorar as nossas fotografias, há que ter alguns cuidados…

Porque me lembrei disto e que relação é que tem com o título do "post"???
Bom, o motivo é simples... Frequentemente, observo pessoas a capturar fotografias com todos os cuidados, tentando fazer "tudo certo", fazendo uso do tripé, do cabo disparador, mas… cometendo uma falha, não se dando sequer por isso, nem sabendo até que ponto ela compromete as suas fotografias! Qual o "erro"? Simplesmente o facto de se esquecerem-se de tapar o ocular da câmara!

Esse "erro" é válido para outras situações mesmo que sem recurso ao tripé! Mas é geralmente nessa condição que o vejo ser cometido mais vezes…. Com tripé, em exposições demoradas, após focar, não precisamos mais de estar a olhar pelo visor e o princípio que não devemos "tocar na câmara" leva a que, inconscientemente, desencostemos a nossa face da parte traseira da câmara a fim de evitar contacto com a mesma deixando, dessa forma, entrar luz pelo visor ocular.

Por vezes, quando presencio essa situação (com algum receio que me "levem a mal"), arrisco uma breve abordagem explicando como fazer para melhorar os resultados e o porquê pedindo, ao mesmo tempo, para fazer um simples teste a fim de comprovar o que digo captando duas fotografias sem variar outro qualquer factor - Somente uma "com", e outra "sem", o visor tapado.
Pois bem, este artigo não tem grandes dissertações sobre a questão destinando-se unicamente, de forma simples e intuitiva, a demonstrar aquilo a que me refiro (e que costumo explicar) através da visualização entre a diferença dos resultados...



As câmaras SLR captam a luz pela objectiva. Isso toda a gente sabe, não é? Agora, o que muitos desconhecem é que durante a exposição, designadamente enquanto o espelho e a cortina da câmara estão abertos de forma  a permitir a chegada de luz ao sensor/película, existe outra parte da câmara que deixa passar também alguma luz influenciando, desse modo, a exposição: O Visor óptico da câmara!

Não é à toa que câmaras de topo têm integrado um sistema de protecção contra a entrada de luz para evitar precisamente essa situação como é o caso das Nikon D2x (imagem do topo) ou das Nikon D3 e D700. Curiosamente, a Canon não possui um sistema de "fecho" integrado nas suas câmaras de topo recorrendo antes a um sistema idêntico à restante gama da Nikon.... simplesmente, encontra-se apenso à correia de ombro...

Mas, até a simples Nikon D40 tem um acessório próprio para esse efeito (que de resto é comum a muitos outros modelos de câmaras da marca): A tampa da ocular “DK-5”!

... aquele “pequeno pedaço de plástico preto” que muitas vezes deixamos ficar na caixa que transporta a câmara… Em todo o caso, em exposições pouco demoradas, tendo alguns cuidados, até acaba por ser desnecessário. A sua função é tapar a entrada de luz e isso pode ser feito colocando a palma da mão, em forma de concha (sem tocar na câmara) de forma a impedir a entrada de luz. Este princípio é válido quer para capturas diurnas, quer nocturnas.


Como facilmente se verifica pelas imagens (e pelo histograma referente a cada uma delas), a captura efectuada, sem tapar o óculo, está nitidamente sobreexposta. Neste caso, à luz ambiente lida pelo exposímetro da câmara através da objectiva - a chamada leitura TTL - "Through The Lens" (valor esse que a câmara usou para regular a exposição) foi acrescentada alguma luz "extra" entrada pelo visor óptico que este não teve em consideração.
Ou seja, a câmara regulou a exposição para uma determinada quantidade de luz (lida através da objectiva) mas não teve em conta a luz adicionada através do visor. Resultado: foto com luz a mais (sobreexposta)!
Dito isto, aqui fica demonstrado como, tendo em consideração este pormenor, podemos tornar as nossas fotografias melhores!

14 comentários:

Fernando Borracha disse...

Desconhecia completamente..!! muito bem explicado e demonstrado... Obrigado...

pbl disse...

Em terra de cegos (com visor tapado) quem tem olho é rei (com visor destapado).
Bom 2011.

José Loureiro disse...

... :)
Bom 2011!

Anónimo disse...

Olá, José Loureiro. Obrigado por mais esta dica.
Um Bom 2011.
João

Bruno Matias disse...

bom dia José Loureiro,

encontrei o seu blog quando andava à procura de informações da D7000 e foi mesmo aqui que a descobri em primeira mão em Portugal.

quanto a este ultimo artigo, tb desconhecia este pequeno e tb grande pormenor..

muitos Parabéns pelo blog e bom 2011.

bruno matias

João Pereira disse...

Um "post" simplesmente genial!!
Obrigado José!

Anónimo disse...

Eu tenho uma "simples Nikon D40" e tampa ocular anda comigo sempre!

Passei por aqui só para agradecer o jeito que o seu blog me tem dado e decidi comentar por que achei graça ao "simples Nikon D40" de facto é uma máquina simples e já foi descontinuada, mas é boazinha e há falta de melhor já me tem rendido umas boas fotosinhas!

Cumprimentos,
SaraCarvalho (Fórum Aves)

José Loureiro disse...

Olá Sara.
A expressão não pretende ser depreciativa… depois, como sempre digo, mais vale um bom fotografo que uma boa câmara…
Para “fugir” às marcas e modelos de câmaras… um piloto de corridas pode fazer milagres num mini (dos antigos…) e um mau condutor provavelmente “espeta-se” num Ferrari…!
Cumprimentos

Jaime Henriques disse...

Li com muito agrada uma situação que desconhecia.
Este blog tem para mim muita importância.
Obrigado
Cumprimentos

Samuel Fidalgo disse...

Artigo magnifico!
Obrigado por me explicar para que servia aquele pedacinho de plastico esquecido na caixa da maquina :-)

d disse...

onde arranjar essa tampa ocular dk-5?? :)

Jose Loureiro disse...

A tampa vem sempre com a câmara... é uma daquelas pequenas peças de plástico, aparentemente sem serventia que, quase sempre, deixámos na caixa da embalagem!
No caso de ter perdido qualquer loja que venda eauipamento da marca Nikon deve arranjar.

DelgadoNunes disse...

Muito agradecido por este e tantos outros ensinamentos.
Restou-me um a dúvida: a luz, ao entrar pelo visor tira qualidade à imagem?
Como trabalho quase sempre em Manual/histograma este problema existe?
Os maiores sucessos para si.

Jose Loureiro disse...

Delgado Nunes
Sim, Tal como ficou demonstrado nas imagens, a luz que entra pelo visor óptico altera a correcta medição de luz da câmara e consequentemente a qualidade de imagem.
Respondendo à sua segunda questão: Medição de luz é uma coisa e modo de exposição é outra. Portanto, mesmo que utilize o modo de exposição Manual a situação da medição de luz é exactamente igual. Ou seja, a câmara efectua uma medição de luz e posteriormente (estando o visor óptico) é adicionada uma maior entrada de luz do que aquela que a câmara mediu. Logo, se regulou a exposição no modo Manual (enquanto mantinha o rosto a tapar o visor óptico) e posteriormente, aquando da obturação, destapou o mesmo vai ter uma exposição alterada pela introdução dessa luz “extra” pelo visor óptico.