Fotografia aérea (algumas considerações)


Nikon D200 + Nikkor 24-70mmf/2.8 G ED-IF AF-S
(@ 70mm; ISO 100; f/3.5; 1/250seg.)
Coimbra – Julho 2009
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A fotografia aérea é, sem dúvida, um dos tipos de fotografia que me apraz fazer.
Na realidade, o que me atrai mais neste tipo de fotografia são as formas geométricas, as cores, os contrastes e a visão global duma determinada área vista de uma certa altitude. A terra observada a algumas centenas de metros de altitude passa a ser uma globalidade de elementos. É precisamente essa globalidade, que me encanta, que tento fotografar. Nem todos os locais têm esta harmonia de formas, linhas, cores… mas sabendo escolher, há locais deveras belos! Uns desses locais na minha opinião, e um bom exemplo do que acabo de dizer, são as salinas de Aveiro e zonas envolventes (ver link a algumas fotografias mais antigas no final).
Geralmente tentamos fotografar o individual, o particular, destacar um ou outro elemento… do ar tentamos o contrário, ou seja, captar o conjunto e realçar com harmonia vários elementos.
A fotografia do topo foi captada a bordo dum Cessna 152 II, num fim da tarde, do pretérito mês de Julho quando regressava do Coimbra Airshow 2009.
Não existe nela nenhum elemento que se evidencie ou sobressaia, não existem planos diferentes…. É apenas uma fotografia, com foco ao infinito, de uma área de várias centenas de metros quadrados observada do ar na sua globalidade. As linhas formadas pelos carreiros que dividem os campos de cultivo, as diferentes orientações das plantações… tudo isto, no seu conjunto, “fazem” esta fotografia. Esta sim, é a essência deste tipo de fotografia.

Com algum material e um pouco de sensibilidade qualquer um consegue fotografias aéreas atractivas.
A nível de equipamento pouco é preciso. Uma SLRD, uma objectiva fixa ou zoom normal e um filtro polarizador (dependendo, essencialmente, das condições do tempo, orientação, local a fotografar e hora do dia) são tudo o que precisamos.
Claro que o resto é que é difícil! Ou seja, um avião que sirva para o efeito e o respectivo piloto. No ar, são estes dois elementos que podem fazer a diferença entre conseguir captar, ou não, boas fotografias.
Torna-se necessário haver coordenação entre fotógrafo e piloto. Temos de saber explicar o que pretendemos fotografar e como, (de que ângulo, de que altitude...) e por sua vez aquele tem de saber interpretar as nossas ideias e conseguir colocar-nos no local certo. Por vezes este diálogo é feito somente por gestos.
Já quanto aos aviões existem uns mais adequados que outros (não falando dos especificamente preparados para esse fim – com aberturas na sua estrutura na parte de baixo do avião de forma a permitir fotografar verticalmente – claro que este, em bom rigor, e para uma fotografia aérea “mais a sério” será um método com algumas vantagens pois não existem distorções de linhas paralelas a convergir para o infinito, não existem obstáculos como os pilares das rodas e asas, etc.).
Mesmo para fazer fotografia aérea de maneira mais básica, se pretendemos obter um mínimo de qualidade obviamente que devemos, se possível, “escolher” o avião. Aqueles que estão desprovidos de janelas que se abram são de evitar. Fotografar através de vidros/acrílicos é pura perda de tempo! As fotografias não vão ter recorte, contraste…. Por isso gosto tanto do Cessna 152! Lembram-se dos velhinhos Citroen 2 cv? Lembram-se de como abriam as suas janelas da frente? Pois é, o Cessna 152 também tem essa singularidade! Abre as janelas, quer do piloto quer do acompanhante, para fora e para cima. Além do mais, em voo, ficam “coladas” à parte inferior da asa (que fica num nível superior à nossa cabeça) e com a deslocação do vento nunca mais se fecham.
Isto sim! É pegar na câmara, coloca-la de fora do avião esticando-nos um pouco, pedir ao piloto para sobrevoar à mais baixa velocidade possível o local que pretendemos e “carregar” no botão. Quer dizer, é mais ou menos isto…. Depois, temos de usar velocidades de obturação relativamente rápidas pois não podemos esquecer que estamos a captar fotografias deslocando-nos, no caso deste Cessna, entre cerca de 120/160 Km/h!
A propósito, dada a “força” do ar que ocorre quando se coloca a câmara além da janela do avião, é conveniente ter a mesma bem segura e evitar a sua colocação perto do aro da janela do avião pois qualquer mudança de altitude ou direcção podem fazer com que colida contra esta. A pressão do ar é muita… imaginem colocar uma câmara de fora dum carro a circular numa auto-estrada e tentar fotografar! Claro que quanto maior for a objectiva que usarmos maior vai ser a resistência ao ar e as diferenças são bem notórias! Mais uma das aplicações em que a pequena Nikkor 50mm f/1.4 AI é uma boa companheira!

Ps: aproveito para deixar um abraço e dedicar esta mensagem ao amigo Pedro, piloto com quem partilho estas aventuras aéreas e na companhia de quem foram captadas as imagens. Até à próxima…!

Nikon - Compatibilidade entre câmaras SLRD e objectivas antigas sem CPU


Nikon D200 com uma Nikkor 50mm f/1.4 AI sem CPU


Este artigo é especialmente dirigido aqueles que possuem câmaras Nikon designadamente os modelos mais avançados denominados de gama “pro” e nunca fizeram uso das mesmas com objectivas Nikkor mais antigas nomeadamente AI, AI-S ou Series E.
Na era digital tudo tende a ser mais prático e as recentes objectivas Nikkor também se souberam adaptar aos tempos modernos não fugindo, por isso, a essa tendência. Mesmo as objectivas actuais de gama mais baixa já estão dotadas do sistema de motorização AF-S.
Tudo evoluiu…tudo tende a ser mais rápido….mas será que aquelas “velhas” objectivas, sem sistemas de auto-focagem, estão completamente obsoletas?
Pela parte que me toca e baseado no uso que tenho feito de algumas tenho precisamente uma ideia bem contrária. De facto quem nunca experimentou acoplar uma “velha” objectiva AI, AI-S ou Series E, sem CPU, a um dos mais recentes corpos da Nikon, “sair para a rua” e captar umas fotografias…não sabe o que perde!
Na realidade, há um elemento subjacente à captação das imagens que, apesar de toda a evolução técnica, se mantêm inalterado… a parte óptica! Quero com isto referir-me às lentes com que são construídas as objectivas e que são o elemento mais importante no recorte/definição da imagem. Apesar de, no que concerne ao revestimentos das lentes (coatings), ter havido melhorias ao longo dos tempos esse facto por si só não é garante de melhor imagem. Actualmente todas as lentes tem revestimentos “multi-coatings” e bem recentemente já existem algumas com “nano-coatings” ao contrário de algumas objectivas mais antigas em que o revestimento era “single-coating”.Estes revestimentos destinam-se predominantemente a eliminar “reflexos e fantasmas” da imagem em condições de luz não ideais.
Pessoalmente, demorei um pouco a “render-me” ao digital. Mas porque não, uma vez que a Nikon teve a feliz ideia de permitir que assim fosse, não aliar o melhor e a mais recente tecnologia presente nas câmaras Nikon à qualidade das “velhas” objectivas Nikkor? Essa compatibilidade é quase de 100% nalgumas câmaras. Mesmo no que diz respeito à medição de luz!
Pena é que essa possibilidade não seja estendida a toda a gama de corpos Nikon. No caso das Nikon D40, D50, D60, D70, D80, D90, D100 e a recente D5000 temos que “adivinhar” a medição de luz e "trabalhar" unicamente com o modo de exposição Manual. Nas Nikon de gama mais cara D200, D300, D700, D2 e D3 além de ser possível a utilização dos três sistemas de medição disponibilizados pelas câmaras podemos ainda trabalhar quer nos modos de exposição Manual, quer em "A" (prioridade à Abertura)!

Compatibilidade entre câmaras/objectivas e modos de exposição e sistemas de medição de luz possíveis:

Esta possibilidade de continuar a usar “velhas” objectivas, designadamente AI, AI-S e series E, é a prova que a Nikon sabe que os utilizadores de boas objectivas Nikkor iriam ficar pouco satisfeitos caso assim não fosse. Esta compatibilidade permite usar objectivas com mais de 20 anos de idade nos mais recentes corpos da Nikon! O facto de serem de foco manual pouco importa a alguns desde que a qualidade final seja boa.
Atenção: Quanto às objectivas “pré-AI”, também conhecidas como “não-AI” não podem ser usadas em alguns dos recentes corpos de SLRD sob pena de fazerem estragos! O problema da sua montagem, nalgumas câmaras, reside naquela pequena aba existente no encaixe das mesmas que roda simultâneamente com o anel de aberturas quando acoplamos uma objectiva e que não é compativel com as "pré-AI" ou "não-AI". Curiosamente, parece-me que podem ser usadas, embora só em modo M (Manual) e sem posibilidade de qualquer medição de luz, nas D40, D60, e D5000, algo que, contudo, ainda não testei! Mas o melhor é, quanto a estas objectivas, consultar caso a caso, o respectivo manual das câmaras!
Aproveito para esclarecer, aqueles que nunca experimentaram usar objectivas de foco manual, que focar com estas objectivas (de foco exclusivamente manual), é bem mais fácil do que focar manualmente com a maior parte das actuais objectivas auto-focus. Foram concebidas para isso. No caso das objectivas AF, principalmente nas de gama média e de “kit”, essa utilização é duma maneira geral, pouco usual. Provavelmente, grande parte dos utilizadores dessas objectivas nunca fotografou recorrendo à focagem manual! E mesmo que o tenham feito facilmente desistem pois a focagem é imprecisa e pouco agradável com grande parte delas. Claro que também, entre as “antigas”, existem diferenças na facilidade e precisão de focagem. Posso dar um exemplo: Entre as duas objectivas Nikkor 50mm f/1.4 AI e a 50mm f/1.8 E existe uma substancial diferença na facilidade de aquisição e precisão de foco. A Nikkor 50mm f/1.4 AI (imagem do topo) é facílima de utilizar e mesmo com pouca experiência qualquer um consegue fotos nítidas inclusive de objectos em movimento! Já com a Nikkor 50mm f/1.8 as coisas não são bem assim e focar devidamente demora um pouco mais.
Claro que estas objectivas foram feitas para focar com outras câmaras. O actual sistema de ecrã de focagem das modernas SLRD é diferente do que usavam, por exemplo, as antigas Nikkormat. O ecrã de focagem ideal para quem fizer questão duma focagem precisa e fácil, numa utilização predominante manual será o chamado “Katz Eye” (olho de gato).
Todas as câmara Nikon, umas de maneira mais fácil que outras, suportam a substituição do ecrã original por um do tipo “Katz Eye”. Existem mesmo empresas que se dedicam exclusivamente a fabricar este tipo de ecrã para os mais variados modelos e marcas actuais de SLRD!
No caso de “mantermos” o ecrã de focagem original a confirmação de foco continua a ser o pequeno ponto verde que aparece na parte inferior do visor.
Também esta “confirmação” (aparecimento do ponto verde de maneira fixa – prova de que o objecto está focado) varia consoante a objectiva manual que usarmos, mas também nas AF e AF-S isso acontece. Nem todas adquirem o foco correcto da mesma maneira e facilidade!

Não quero dizer com tudo isto que devemos preferir as “velhas” objectivas AI às mais recentes por estas serem melhores. Nada disso! Actualmente existem excelentes objectivas que proporcionam excelente qualidade de imagem e toda a recente tecnologia deve ser aproveitada, mas caso tenhamos alguma daquelas MF (foco manual) guardadas no “armário” é bom saber que podemos usa-las nas recentes câmaras e que os resultados serão bons!
Outro aspecto importante e onde reside a diferença (importante) dos corpos das câmaras designadas “pro” para as da restante gama abaixo é a possibilidade de medição matricial de luz. É que estas câmaras, das séries D200 e D2 e superiores, possibilitam, usando estas antigas objectivas de foco manual sem CPU, além das medições de luz central ponderada e pontual, uma medição matricial de luz (em 2DMatrix uma vez que continua a faltar a informação relativa à distância “D” para que possam fazer essa medição em 3D).
Mais, como modo de exposição podemos usar, além do programa Manual (M) o programa de prioridade à abertura (A). A abertura passa a ser controlada pelo anel de aberturas da própria objectiva contrariamente ao que se passa com as actuais (excluindo as da série “G” que nem sequer o possuem) em que esse anel de aberturas da objectiva tem de ficar “bloqueado” na abertura mínima para que seja possível fazer uma leitura correcta da luz e regular as aberturas através dos botões de comando da câmara. Caso contrário, não estando na abertura mínima (o maior nº f/stop, indicado a cor laranja, geralmente f/22) teremos uma indicação de erro no painel superior da câmara.
O uso destas objectivas antigas, de foco manual, nas câmaras que permitam a leitura matricial de luz é simples e são precisos apenas alguns ajustes no menu para que, de um momento para o outro e sempre que quisermos, possamos trocar de objectivas AF para as “antigas” de foco manual (MF) sem CPU sem ter de cada uma dessas vezes configurar a câmara. Mesmo que usemos diferentes objectivas MF.

A seguir mostra-se como, em 3 simples passos, se efectuam as regulações necessárias no menu de ajustes das câmaras (o exemplo é da Nikon D200 mas penso que é válido para todas as outras que o permitam):


O processo é simples e permite, depois de seguidos os passos acima descritos, a mudança entre objectivas Nikkor sem CPU mantendo a possibilidade de correcta medição de luz matricial (2DMatrix) para todas elas.
Após efectuado o processo, acima descrito, de atribuição da função de “leitura de dados” de objectivas sem CPU, ao “botão de função” (situado na frente da câmara do lado do punho – botão inferior – ver fig.) só temos que introduzir dois parâmetros cada vez que trocamos de objectivas (sem CPU, pois quanto às outras a câmara automaticamente reconhece nada mais havendo necessidade de alterar):
  1. Introduzir a informação referente à abertura máxima (nº de f/stop mais pequeno) da objectiva que acoplamos – operação que se faz rodando o selector de disco da frente da câmara;
  2. Introduzir a informação referente à distância focal da objectiva (50mm; 85mm, etc.) - operação que se faz rodando o selector de disco existente na parte de traseira da câmara.
Esta operação é efectuada pressionando simultaneamente o botão de função (depois de termos seguido os 3 passos acima explicados e estando por isso já configurado para o efeito) e rodando os discos selectores conforme acima descrito. Esta alteração é possível de controlar no visor superior da câmara.
Resta dizer que se estivermos a acoplar uma objectiva zoom (em que a distância focal e as aberturas variam) os dados a introduzir são a abertura máxima e a mínima distancia focal indicada. Por exemplo, no caso de uma objectiva zoom 70-210mm f/4.5-5.6, os dados a introduzir seriam 70mm e f/4.5. A partir daí a câmara automaticamente “ajusta” a abertura à distância focal utilizada.
Na realidade se tivermos a câmara regulada para, por exemplo, 50mm e f/1.4, se acoplarmos uma 300mm f/2.8 ou uma 600mm f/5.6 a medição de luz matricial vai continuar a ser correcta, pois mantemos a regulação proporcional entre abertura e distância focal. Claro que no EXIF da fotografia aparecerão os números introduzidos na câmara e não os que efectivamente usamos mas, apesar disso, vamos ter uma correcta medição de luz!
Só resta, caso possua alguma destas “velhas” objectivas, regular a câmara e experimentar!
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Coimbra Airshow 2009 - 1100 fotografias de aviões numa tarde!


Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 200; f/6.3; 1/1250 Seg.)


Realizou-se no passado fim-de-semana (11/12 de Julho), no Aeródromo Municipal Bissaya Barreto, o Coimbra Airshow 2009.
O evento, organizado pelo aeroclube de Coimbra, contou com a presença de variados aviões e pilotos, nomeadamente os Asas de Portugal, o espanhol Ramón Alonso e os Smoke Wings entre outros.
Durante o show, no solo, puderam ser observados (pelos mais atrevidos, ao contrário do que era solicitado, tocados) os aviões que lá se encontravam parados antes e depois de cada demonstração.

Por vezes, quem já só vê o produto acabado, neste caso as fotografias de aviões, desconhece o “trabalho”, no meu caso “prazer” que está subjacente à sua realização. Assim, e especialmente dirigido aqueles mais curiosos em saber pormenores, deixo hoje aqui um pequeno texto narrativo/descritivo de como é um dia passado a fotografar aviões num evento deste tipo e, já agora, alguns pormenores técnicos. Para aqueles que prescindam do texto ficam as fotos….!!!

Desta vez, fui “aos aviões” de avião.
Combinado previamente com o amigo Pedro, o qual atempadamente marcou o voo e tratou das necessárias autorizações de aterragem e descolagem, no domingo passado lá fomos ver o Coimbra Airshow no pequeno Cessna 152 II que se encontra em Aveiro.
No dia anterior, mais concretamente no sábado à noite, decidi “arranjar” o saco com o material que iria necessitar.
Para o dia seguinte iria levar somente duas objectivas com a Nikon D200. Uma Nikkor 80-400mm, para fotografar os aviões em voo e a recente (praticamente a estrear) Nikkor 24-70mm para aproveitar a altura e captar umas fotografias aéreas entre Aveiro e Coimbra.Estava visto que o saco da Nikon não daria pelo que tive de levar o Hama Defender 210, onde cabe perfeitamente a câmara com qualquer umas dessas duas objectivas montadas e a outra ao lado (sobrando ainda bastante espaço….). Mesmo assim, com estas duas objectivas, a D200, um monopé Manfrotto 680B, uns filtros e umas baterias extras o peso a transportar era superior a 7kg. Algo que já se torna, aliado ao próprio volume do saco, um pouco penoso de transportar caso tenhamos de andar de um lado para o outro o que, por acaso, não foi o caso.

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 200; f/5.6; 1/1250 Seg.)

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 200; f/5.6; 1/1250 Seg.)


Na realidade, chegarmos de avião a um destes eventos tem as suas vantagens.
Mas vamos por partes. Como a autorização de chegada a Coimbra era para as 14:00h todo o timing foi programado em função disso.
Por volta das 11:30h e na companhia do amigo Pedro já era servido o almoço lá em casa. Não me lembro de alguma vez ter almoçado quase à hora do pequeno-almoço mas enfim… era um dos sacrifícios a fazer.
12:00 horas e lá estávamos de partida para Aveiro, sítio onde iríamos iniciar o nosso voo. Cinco minutos antes da hora de chegada prevista, ou seja às 12:55h estacionávamos o jeep no aeroclube local.
O Cessna 152 II já estava fora do hangar e após os usuais procedimentos de verificação à hora que tínhamos previsto (13:30h) lá partimos.

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 100; f/6.3; 1/350 Seg.)

Quarenta minutos depois chegávamos ao Aeródromo Municipal Bissaya Barreto.
Houve algumas confusões quanto à autorização para efectuar a aterragem dado o evento que ali decorria, mas no fim, uma vez que havia prévia autorização lá aterramos.
Após aterrar mais umas pequenas confusões quanto ao lugar onde devia ser “estacionado” o avião. Volta para a frente, volta para trás lá estacionamos bem próximo da pista principal onde aterravam e levantavam voo todos os aviões do Airshow (à excepção dos Asas de Portugal).
Mais umas verificações após desligar o motor, antes de “abandonar” o avião, e lá fomos rumo ao edifício do aeroclube de Coimbra tratar das papeladas.
Aqui é que se começaram a sentir algumas das “mordomias” pelo facto de termos ido de avião. Foi-nos dado uma espécie de “Freepass” que viria a ser muito útil pois permitia-nos a livre deslocação por todo o recinto bem assim como o acesso ao local onde tinhamos deixado o avião e que era próximo da pista. Ah!...e as bebidas... água claro, por gentileza do aeroclube também ficaram “por conta da casa”!


Bom, uma das dificuldades que se depara quando se fotografa eventos do género é o excesso de gente à volta o que, desta vez, não aconteceu.
As fotografias foram captadas em local privilegiado, bem próxima da pista e sem “obstáculos”! Além do mais passavam ao nosso lado quase todos os aviões e respectivos pilotos quando acabavam a sua exibição!
Mas nem por isso o lugar era o ideal e se já durante a tarde não tive grandes dúvidas acerca dos resultados que iria obter, posteriormente, quando cheguei a casa e descarreguei as fotos para o computador mais frustrado fiquei.
O sol, além de muito intenso, encontrava-se mesmo de frente e só nas passagens laterais ou em voos a pouca altitude da pista é que se conseguia alguma cor nos aviões. Vindos de frente ou da direcção do sol, os aviões, não passavam de pequenas manchas escuras sem contornos, cores….
Tentei fotografar usando as várias medições de luz possíveis da câmara (matricial, central ponderada e pontual) mas sem grandes melhorias de resultados. Como seria de esperar fotografar um objecto em movimento e em contra-luz, além de mais difícil nunca proporciona grandes resultados. Pena que não fosse possível atravessar a pista para o outro lado…!
Nem mesmo uma experiência com a 24-70mm e um filtro polarizador da B+W foram capazes de fazer escurecer o azul do céu e manter os aviões na cor e contraste certos.

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 230mm; ISO 100; f/18; 1/20 Seg.)


As velocidades de obturação que utilizei variaram desde os 1/20 seg. (como foi o caso da fotografia acima do “Extra 300”) criando o efeito de panning, até 1/1250 (como foi o caso da fotografia dos dois “Alfa Jet’s” do início desta mensagem). Já quanto à sensibilidade do filme (ISO) os valores usados foram, regra geral de 100/200 e numa ou noutra altura de 320. Dada a forte luminosidade do dia, mesmo com aberturas um pouco “lentas” – quase sempre de f/5.6 para cima - não houve necessidade de usar valores ISO mais elevados, pois as velocidades de obturação conseguidas eram mais que suficientes.

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 100; f/6.3; 1/500 Seg.)

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 100; f/6.3; 1/640 Seg.)

Já agora fica aqui uma dica (para quem não está habituado nestas lides, claro):
Na fotografia a aviões, designadamente dos que possuem hélice, devemos usar velocidades relativamente baixas (tendo em conta a distância focal da objectiva – princípio da relação de igualdade entre a distancia focal e a velocidade, ou seja, 300mm= 1/300seg. mínimo; 600mm=1/600seg. mínimos…) de maneira a permitir visualizar o arrastamento provocado pela mesma. Às vezes temos mesmo que fotografar abaixo da velocidade ideal esquecendo essa regra. Fazendo isso estamos a criar, ou melhor, a permitir que a fotografia transmita a sensação de movimento. Uma fotografia a um avião, em pleno voo, em que a hélice se encontra “congelada” por se ter usado uma velocidade de obturação elevada, além de ter pouco impacto, soa a irreal pois era impossível, nessa circunstância, que o avião se mantivesse no ar!
Já a situação é outra se estivermos a captar fotografias a aviões a jacto tendo por fundo o céu (como foi o caso dos Alfa Jet’s dos “Asas de Portugal”) em que somos “obrigados” a usar velocidades de obturação mais elevadas para conseguir uma fotografia com alguma nitidez e detalhe. É que a velocidade destes aviões supera os 1.000 Km/h!

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 100; f/5.6; 1/500 Seg.)

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 230mm; ISO 100; f/5.6; 1/750 Seg.)

Neste tipo de fotografia convém sabermos de antemão como devemos “programar” a câmara e que efeito se pretende criar. Ao contrário da fotografia de paisagem, em que dispomos de tempo para testar e reformular as regulações da câmara de maneira a ir ao encontro do que pretendemos, na fotografia deste tipo de eventos não há possibilidades de “repetir” a fotografia e tudo se passa de maneira muito rápida! Por isso aqui fica a explicação de como foi possível em pouco mais de 2 horas obturar cerca de 1100 vezes!
Quase sempre regulo a câmara como na maneira descrita para o “panning” usando velocidades variadas, consoante aquilo que pretendo.

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 310mm; ISO 200; f/10; 1/125 Seg.)


Pela primeira vez, consegui atingir o limite máximo do “bufffer” da D200 no que toca a guardar fotografias. A captar sequências de fotografias, à velocidade de 5 por segundo, nem mesmo a “reserva” proporcionada pelo “buffer” chegou (para os menos entendidos “buffer” = espécie de memória temporária interna da câmara que permite guardar, no caso da Nikon D200, até 25 fotografias [em formato RAW e, salvo erro, até cerca de 37 caso estejamos a fotografar em formato JPEG modo “Large” e “Fine”], enquanto vão sendo gravadas/descarregadas no cartão de memória que é um pouco lento para assimilar “rajadas” de fotos seguidas à razão de 5 por segundo. Enquanto vão sendo gravadas para o cartão essa “memória” vai ficando livre e permitindo a gravação de novas fotografias!). Outro dado: apesar de ter levado comigo 3 baterias Nikon EnEl3e uma única chegou para esta tarde. Claro que tive, como regra geral tenho sempre, o visor da D200 desligado (opção de não exibição de fotos após a captura) e poucas fotos tive tempo para rever. Por isso atingi quase o nº de fotos máximas que supostamente se consegue captar com estas baterias na Nikon D200… quando cheguei ainda restavam 6% de carga!

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 200; f/5.6; 1/1000 Seg.)


As fotografias que aqui publico são apenas algumas das 1.100 que captei em pouco mais de duas horas!
Claro que a maioria dessas fotografias são “lixo” pois ou não estão devidamente focadas, ou não estão suficientemente contrastadas, não estão com enquadramentos correctos, etc… mas, neste tipo de fotografia, é mesmo assim. Se das 1.100, atendendo também às condições de luz, “aproveitar” umas 10 /15 fotografias já considero uma tarde proveitosa!

Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 220mm; ISO 100; f/5.6; 1/640 Seg.)


Já agora, só me falta falar no regresso desta viagem de Coimbra a Aveiro que foi um pouco atribulado.
Após alguns minutos de espera pela autorização da torre de controlo para levantar voo de Coimbra lá partimos. A saída estava prevista para as 18.00h mas como, nessa altura, faziam exibição os “Smoke Wings” levantamos cerca das 18:40h.
De início tudo correu bem permitindo o tempo, inclusive, tirar algumas fotografias aéreas logo à saída de Coimbra. Quando sobrevoávamos a zona de Ovar subitamente encontramos um nevoeiro cerrado, com visibilidade praticamente zero, obrigando a um pequeno período de navegação somente por instrumentos.
Desceram-se cerca de 1200 pés virou-se para a costa e assim fomos até ser visível o farol da barra de Aveiro sobrevoando sempre a praia a uma altitude baixa, cerca de 150m, evitando assim o denso nevoeiro que pairava por cima de nós.
No final tudo correu bem e fizemos uma boa aterragem. Chegamos a casa já bem tarde devido ao trânsito na zona da Torreira mas mesmo assim, após o jantar, ainda houve algum tempo para descarregar as 1100 fotografias do dia! Só isso… pois o descanso era merecido!
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