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Zeiss Ikon Box Tengor - Model 54/18 "Baby-Box" (1934~1938)
É difícil não ficar atraído pelas pequenas dimensões desta encantadora "Zeiss Ikon Baby Box". O seu tamanho? Apenas 8x6x5,5cm! Na verdade, mais parece um pequeno brinquedo... Mas não é!
Estas pequenas máquinas, de origem Alemã, conhecidas como câmaras"miniatura" foram populares durante os anos 30 pela sua facilidade de uso e transporte. Com um pequeno rolo denominado de "A8" ou "127"(como é mais conhecido), próprio para as mesmas e outros tipos de câmaras miniaturas da altura, conseguia captar 16 fotografias cujos negativos não ultrapassavam as dimensões de 3x4cm!
A primeira versão deste modelo de câmaras data de 1931 e esteticamente diverge da reportada na imagem (2ª versão -1934) pela isenção da placa decorativa hexagonal que rodeia a objectiva.
Por falar nisso... a objectiva desta pequena câmara, em concreto, é uma "Goerz Frontar" 50mm f/11 de foco fixo com uma única velocidade de obturação: 1/25 seg. (além de "B").
No fundo a estrutura desta máquina é extremamente simples - trata-se duma "Box Camera" - de corpo metálico revestido a imitação de pele com um visor (tipo "pull up") colocado na parte posterior do topo da câmara que é completado por uma moldura em arame na parte da frente (que tem de estar levantado para que o obturador funcione). Na parte traseira existem somente duas pequenas aberturas circulares transparentes revestidas a vermelho que serviam para confirmar a correcta posição da película (após rodar o rolo) para a próxima exposição - o número da exposição tinha que aparecer repetido nas duas aberturas.
Em baixo, para transmitir a noção do seu tamanho, uma comparação... com um relógio de pulso!
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Câmaras Colecção
kodak No. 3A Folding Pocket Kodak - Model B (1903~1904)
Sem dúvida, esta é uma das mais belas e fascinantes câmaras clássicas que possuo. Além de esteticamente imponente, é um modelo muito pouco usual de se ver nos nossos dias pelo que pode apelidar-se de "raridade". Trata-se do 2º modelo (Model B) das "No. 3A Folding Pocket Kodak" (F.P.K.) produzidas nos Estados Unidos da América pela pela Eastman Kodak Company durante os anos de 1903 a 1914.
Deste "Modelo B" foram apenas produzidas 15.000 unidades! Este é um dos modelos destas câmaras fotográficas mais difícil de encontrar.
Concretamente, existiram 7 diferentes versões (ou modelos) destas máquinas. A saber, por ordem cronológica: A, B, B-2, B-3, B-4, B-5 e C.
O "modelo A" foi, portanto, o primeiro a ser comercializado e a utilizar os específicos e enormes rolos de formato "122" entre Junho de 1903 e Setembro do mesmo ano. Dada a sua limitada produção (5.000 unidades), este modelo, é de todos o mais raro (...por sua vez, o modelo "mais comum" é o B-4).
Segue-se-lhe o modelo da câmara da imagem (modelo B) produzida entre Setembro de 1903 e Junho de 1904. Tal permite datá-la, com rigor, àquele pequeno período. Significa isso, que tem mais de um século! *
Na altura, contrastando com as mais baratas e populares "brownie", esta era uma das câmaras mais refinadas e mais caras que existiam. Os materiais que a compõem são o alumínio, pele e madeira de mogno.
O seu preço, aquando do lançamento, era verdadeiramente astronómico: 78,00 dólares!
O seu preço, aquando do lançamento, era verdadeiramente astronómico: 78,00 dólares!
Tão grande como o preço era o seu tamanho... Esta câmara é imponente e enorme! Tem cerca de 25cm de altura e mais de 1Kg de peso! No entanto era considerada uma câmara de bolso (pocket camera)... como mudaram os hábitos de vestuário ao longo dos tempos... :)
De igual modo - grandes - eram também os negativos usados por estas câmaras. O rolo "122" produzia negativos do tamanho de postais (8.25x14cm).
O obturador é um "Kodak Automatic" (pneumático... daqueles que funcionam através de pressão numa pêra de borracha). A objectiva que equipa este modelo de câmaras são as "Bausch & Lomb" Rapid Rectiliniar.
A história percorre caminhos curiosos... assim com esta máquina.... Produzida nos Estados Unidos da América, foi vendida para a Grã-Bretanha onde ficou até quase aos nossos dias.
Sendo eu um relativo "apreciador" de antiguidades fico triste sempre que vejo sair do nosso país uma qualquer peça histórica com valor museológico. Pelo contrario, também fico contente sempre que se "evitam" essas "perdas" de património ou inclusivamente se adquirem a outro país. Foi precisamente esse o caso. Foi da Grã-Bretanha que veio esta câmara e dada a sua "rareza" penso que não deverão existir muitas mais no nosso País...
Por isso, aproveito para partilhar estas imagens da mesma após um processo de limpeza e restauro.
Como é de esperar, mesmo sem utilização, os mais de 100 anos acabam por fazer com que seja sempre necessário algum "trabalho" de restauro... Há quem goste de "ver" estas máquinas tal qual as encontrou (mesmo sem qualquer limpeza). Pessoalmente, acho que isso não as dignifica nem revela a sua beleza e encanto... Mas, acerca disso, podem ver no final uma imagem ilustrativa do estado em que veio para o nosso País....
Um dos materiais mais problemáticos, destas e doutras câmaras clássicas, é a pele natural que lhes serve de revestimento final. É um dos componentes mais expostos e que mais cuidados requer para uma correcta conservação. Ao longo dos anos, a pele, naturalmente vai ressequindo e facilmente sofre rasgões ou riscos. Felizmente, também é um dos materiais de mais fácil restauro... Há que hidratar a pele e depois de limpa a estrutura base (metal ou madeira) colar aquelas "pontas" que, quase sempre, estão descoladas quando adquirimos uma destas relíquias.
Nesta câmara em concreto, outro "trabalho" necessário foi o de recuperar a base de madeira em Mogno (que se encontrava muito riscada) devolvendo-lhe o tom e o brilho naturais.
Bom, falando (...mais) um pouco sobre as Kodak No.3 F.P.K....
A qualidade, quer estética, quer de construção, são realmente muito cuidadas. Nota-se que não é uma câmara construída unicamente para servir o seu fim - fotografar - mas, também, para servir como peça de culto e de "status". A variedade dos materiais, de que são feitas, estão muito bem combinados e todos eles, pelos contrastes entre si, acabam por ganhar vida e por "ressaltar à vista". O fole, em pele vermelha, os cromados colocados sobre a pele preta, o tom levamente avermelhado da madeira de Mogno, o tradicional amarelado da liga de latão onde está montado o sistema de obturação... Enfim, uma máquina bem colorida construída para fotografar a "Preto e Branco"!
Aberta, no interior podemos comprovar que os cuidados com a qualidade se mantém... Os materiais (madeira e metal) possuem também bons acabamentos. Pormenor curioso: O grande rolo, onde se prendia a película "122", é de madeira.
Fechada: uma das perspectivas menos interessantes desta câmara... Excluindo o seu tamanho, é idêntica a outros tantos modelos... Afinal, mais uma câmara clássica de colecção…
Uma imagem da câmara antes do restauro! (fotografada com um telemóvel...)
Caraterísticas/Especificações da Kodak FPK 3A Model B:
Distância focal: ?
Aberturas: f/4 a f/128
Objectiva: Bausch & Lomb Rapid Rectilinear
Obturador: Kodak Automatic (pneumático)- T, B, I
Rolo: 122
* (Kodak Cameras The First Hundred Years, Brian Coe, Hove Collectors Books, 2003 Reprint (ISBN 1-874-707-37-5)
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Zeiss Ikon Ikonta - Model 520/18 "Baby Ikonta" (1932~1936)
Estas câmaras fotográficas Zeiss "Baby Ikonta" (520/18) não sendo, na minha opinião, particularmente "bonitas" serão, provavelmente, as mais pequenas "câmara de fole" que alguma vez existiram. Esse será, porventura, um dos aspectos que contribui para a sua procura e consequentemente lhes dá alguma cotação como "peças de coleccionismo". São realmente pequenas e as suas dimensões (fechada) não ultrapassam os 10x7x 2,5cm!
Fazem parte da "família" do modelo "Ikonta" das máquinas da marca Zeiss, sendo as mais pequenas desse mesmo modelo, cujo primeiro lançamento (520, com formato de filme maior, de 4,5x6cm) ocorreu meados de 1930.
Esta pequena câmara incluí-se nas chamadas "Mini-camaras" ou "Câmaras-bebé" pelas suas diminutas dimensões.
Surgiram numa altura em que a fotografia se começava a "popularizar" e, de um modo geral (tal qual como acontece ainda nos nossos dias), as pessoas queriam registar os seus passeios e viagens. Ora, uma câmara pequena era o ideal para estas situações. Tanto mais que a maioria das câmaras da altura eram grandes e pesadas!
Contudo, a construção destas Zeiss "Baby Ikonta" é em tudo idêntica às câmaras de maiores dimensões. Esse é um dos motivos porque podem ser consideradas, precisamente, como "miniaturas".
As "Ikonta" são câmaras produzidas na Alemanha após 1926, altura em que se formou a Firma "Zeiss Ikon". A firma surgiu da junção de quatro fabricantes de máquinas fotográficas da altura: A Contessa-Nettel; Ica; Goerz e Ernemann com capitais da Zeiss.
Voltando às "Baby-Ikonta", existem várias versões destas câmaras. A sua produção variou ao longo dos anos e foram construídos modelos com objectivas de abertura máxima desde f/6.3, f/4.5 até f/3.5 Novar com obturador Derval bem como modelos (mais recentes) com objectivas f/4.5 e f/3.5 Tessar com obturadores Compur. (O modelo ilustrado está equipado com um obturador Derval e com uma Novar f/6.3)
O filme que utilizavam era o pequeno "rolo" denominado de "127" partilhado, aliás, com muita outras câmaras de reduzidas dimensões de então como, por exemplo, um outro modelo deste mesmo fabricante: A "Zeiss Ikon Box Tengor" mais conhecida como "Baby-Box".
O "rolo 127" permitia captar até 16 fotografias em negativos cujas dimensões eram apenas de 3x4cm.
De resto, não há muito mais para dizer...
Infelizmente, é raro hoje em dia encontrar exemplares destas câmaras que estejam em perfeitas condições estéticas. A pintura, quer das orlas metálicas quer das inscrições, era um dos "pontos fracos" deste modelo.
Curiosidades: Só mesmo o estranho facto de existirem dois pequenos visores vermelhos na traseira da câmara! A finalidade? Verificar quando se tinha rodado o rolo até ao próximo negativo de forma correcta. O negativo continha a indicação (em duplicado) do número de foto a expor. Quando tal número coincidia nos dois visores o negativo estava centrado! Simples não?!
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CPF (Centro Português de Fotografia) - Exposição de câmaras fotográficas antigas
Esta exposição, que pode ser visitada gratuitamente... sim, algo pouco comum nos dias que correm... mas é verdade, desafia o visitante a descobrir a história através da evolução das máquinas fotográficas ao longo dos tempos.
Nem sempre as câmaras que julgamos, pela sua aparência, ser as mais antigas o são na realidade! Nesta mostra, encontram-se dispostas nos expositores por "tipos" e não por sequência cronológica. Isso faz com que estejam "misturadas" câmaras do mesmo tipo, por exemplo, 35mm, ou câmaras de "campo" mas de épocas diversas.
Uma das "falhas" que encontrei tem a ver com a reduzida informação acerca destas peças do passado. Na verdade, só um pequeno cartaz em cada expositor faz uma breve alusão ao tipo de máquinas que ali se podem ver.
Um dos aspectos, que penso serem importantes de referir, tem a ver com as especificações da câmara (qual o tipo de rolo ou tamanho de placa que utilizavam, qual o obturador, qual a objectiva, etc.), aspectos esses que não constam na grande maioria das câmaras expostas. Há somente a breve menção ao fabricante (marca), ao modelo e aos anos de construção do mesmo....
Bom, mas não querendo substituir uma atenta visita, vou mostrar algumas das máquinas que por lá podem ser vistas...
Ao lado:
Uma das maiores câmaras fotográficas do mundo! É realmente enorme! Nem imagino quanto possa pesar mas, a atender aos suportes e carris de ferro onde a mesma é operada...Trata-se duma das várias máquinas produzidas em Inglaterra pela firma "Hunter-Penrose, Ldº". Esta é a primeira peça, desta exposição, que podemos observar logo ao subir os primeiros lances de escadas e ainda antes de chegar ao 3º piso, sala onde se encontra concentrada a maior parte das câmaras de colecção.Esta é uma das poucas câmaras que não se encontra dentro de expositores de vidro. No entanto, está localizada num local de diminuta iluminação o que dificulta a intenção de fotografá-la...
À direita:
Uma outra câmara que, de igual modo, não escapou a uma fotografia foi a máquina fotográfica de estúdio (penso que) pertencente à firma Alvão & Cia. Ldª, em cujos laboratórios perdi de conta os rolos fotográficos que entreguei para revelação e impressão.... Ou seja, esta, além do valor como peça museológica relembrou-me velhos tempos da firma a que pertenceu!
Inteiramente dedicada às máquinas fotográficas construídas em madeira, a sala onde estão expostas as chamadas "câmaras de campo", apesar de pequena vale bem a visita! Hã!! Esqueci-me de referir que as câmaras (expostas em vitrinas) estão "espalhadas" por diversas salas de acordo com a sua tipologia. Assim, existe uma sala para as câmaras de "35mm"; uma para as câmaras "miniatura"; uma para as "Kodak"; uma para as Zeiss; ...
Em baixo: 4 exemplos de "câmaras de campo" construídas entre os anos de 1845 a 1900
No CPF é permitido captar fotografias a todo o espaço, incluindo às câmaras expostas sem qualquer restrição. A única excepção, óbvia, reside na proibição de fotografar directamente (em plano único) as fotografias dos autores cujo trabalhos se encontram em exposição.
Bom, acontece que como já referi, salvo raras excepções, designadamente no que toca a câmaras de maiores dimensões, todas as máquinas estão colocadas em vitrinas idênticas à da fotografia do início deste post.
Ora fotografar objectos por entre vidros é complicado...
Já agora, para quem tiver ideias de fotografar nestas condições, aqui ficam algumas dicas para minorar o efeito dos indesejados reflexos nos vidros e conseguir as melhores fotografias possíveis:
- Usar flash directo está completamente fora de questão!
- A melhor maneira para fotografar nestas condições será escolher a objectiva mais luminosa que tiverem e seleccionar a maior abertura da mesma ou, no caso de ser uma objectiva muito luminosa (f/1.4 ou f/1.8) seleccionar um ou 2 f/stops acima da abertura máxima para não reduzir em demasia a profundidade de campo.
- Outro "truque" bem simples consiste na correcta colocação da câmara em relação ao vidro. Dependendo da incidência de luz, escolher uma posição subtilmente obliqua em vez duma completamente frontal ajuda a evitar reflexos no vidro do expositor aumentando o contraste geral.
- Devido à pouca luz ambiente, para não correr o risco de ficar com "fotos tremidas" não deve ser esquecido o princípio de distância focal = velocidade de obturação. Ou seja, caso seja usada, por exemplo, uma objectiva de 60mm a velocidade de obturação deverá ser de 1/60 seg. ou mais rápida.
- Por último, neste caso concreto, uma vez que a iluminação artificial deste espaço é composta por lâmpadas tipo florescente (com uma temperatura de cor próxima da luz do dia) e é complementada por luz natural não existe grande necessidade de regulação de equilíbrio de brancos
Mas ainda há mais para ver... que tal estes magníficos exemplos de câmaras de estúdio de grande formato?
Crow Graphic HTH - Super Techna Hengelo
Claro que nestas coisas de coleccionismo existem sempre preferências.
Pessoalmente, gosto imenso das câmaras construídas em madeira e, entre as várias que me prenderam a atenção, houve contudo duas que se destacaram:
Uma delas (à esquerda) é uma curiosidade (pelos menos para mim). Nada mais, nada menos que uma antiga câmara de construção em madeira "Detective Steinheil Camera", datada de 1888, fabricada em Munique - Alemanha que, com pena minha, não deu para fotografar melhor...
... e esta lindíssima e pouco vulgar "No. 3 Folding Pocket Kodak"!
(Embora não esteja completamente identificada no C.P.F., penso que se trata do "Modelo B-2" destas câmaras da série 3A.... possuo uma do modelo anterior: (B) de 1903/4 e em breve reservarei um artigo para falar sobre a mesma)
Esta última está patente na "sala das Kodak" e ressalta de todas as outras por dois motivos: Primeiro pelas suas enormes dimensões e depois pela cor avermelhada do grande fole!
Estas câmaras da série "3A", tiveram sete diferentes modelos e foram produzidas pela Easteman Kodak Comapany nos USA, entre os anos de 1901 a 1914.
A propósito foi com pena que no dia em que escrevo este artigo (6/02/2012) tenha sido anunciado o fim desta firma nos USA por não ter conseguido resistir e acompanhar a evolução das câmaras digitais... Curiosamente foi a primeira marca a tentar implementar a tecnologia digital a câmaras SLR de gama profissional. Após várias fases, iniciadas em 1990, viria a lançar em 1999 a "monstruosa" Kodak PRO DCS 620 baseada no corpo da então Nikon F5. Enfim, mas lá estou a divagar e a avançar demais no tempo...
Depois de tudo bem visto, caso ainda haja tempo, existe ainda a oportunidade de visitar as exposições de fotografia que decorrem. Actualmente, como indiquei no início, “Afeganistão” de João Silva; “Habitar a Escuridão” de Marco Cruz; “Novos Valores da Fotografia Espanhola” - Vários autores e “Fotografias que falam por si” de Juantxu Rodríguez.
Em baixo: uma pequena amostra dos espaços
Em baixo: uma pequena amostra dos espaços
Provavelmente, esta será a derradeira oportunidade de ver no nosso país tamanha quantidade de máquinas fotográficas juntas... Pela parte que me toca, acho que vale a pena uma (ou mais...) visitas a esta exposição que se encontra aberta ao público durante quase todos os dias.
É só confirmarem os diversos horários!
É só confirmarem os diversos horários!
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Opinião
Ihagee 50 Patent-Duplex Folding Plate (c. 1920s) ?
Hoje, apresento-vos mais um pedaço de história...
Esta é uma câmara que já me deu muito trabalho de pesquisa e infelizmente ainda não sei muito sobre ela... tão pouco consigo datá-la com rigor.
Foi uma câmara que adquiri da zona da Catalunha (Espanha) e que além duma cuidada limpeza pouco mais precisou para se encontrar no estado actual.
Trata-se de uma câmara de Grande-formato, com fole de dupla-extensão, designada de 1/4 de placa (ver aqui exemplos) que permite captar fotos com o tamanho de 9x12cm. Aliás é comum, também, apelidar este tipo de câmaras de "formato 9x12" precisamente por esse motivo.
Um dos motivos responsáveis pela dificuldade em saber algo mais acerca desta câmara é o facto da mesma não ser muito vulgar. Existem uma série de modelos parecidos mas doutras marcas...
A única inscrição que me permitiu a identificação da marca da câmara foram as siglas "Iha" (diminutivo de "IHAGEE"). Quanto ao modelo, presumo ser simplesmente "50" segundo também a inscrição...
O obturador é um "Compur", considerado uma peça de relojoaria e um dos obturadores mais evoluídos e sofisticados da altura que permite fotografar a velocidades até 1/200 seg.
A objectiva que equipa esta "Iha" era considerada uma das melhores e também uma das mais caras da altura: uma Carl Zeiss Tessar f/6.3! Constituídas por 4 lentes, as Carl Zeiss f/4.5 ou f/6.3 (como é o caso em concreto) eram, de facto, a melhor opção óptica disponível na época para este tipo de câmaras.
O "nível de bolha" também se encontra integrado na parte frontal desta antiga câmara e é uma boa ajuda à focagem neste tipo de máquinas!
Outra característica, pouco usual (em câmaras idênticas), reporta-se à capacidade de deslocar vertical e horizontalmente o fole da câmara através duns pequenos pernos localizados na base e no topo da parte frontal. Além de servir para mudar o enquadramento, sem necessidade de deslocar a câmara esta função de "Tilt & Shift" serve também para controlar os desfoques e a profundidade de campo, principalmente ao fotografar objectos próximos. (Embora, neste tipo de câmaras tal me pareça difícil de conseguir propositadamente uma vez que o visionamento directo - através do despolido - além de "rudimentar" não permitia aferir com qualquer rigor esse efeito!)
Imagens: Para aumentar clicar nas fotografias e depois em F11)
No entanto, se houver para aí algum especialista na matéria agradece-se ajuda na ID!
Anos de produção: (?)
Distância focal: 165mm
Abertura Max: f/6.3 ~ f/45
Objectiva: Carl Zeiss Tessar
Obturador: Compur - 1 seg., 1/2 sec., 1/5 seg., 1/10 seg., 1/25 seg., 1/50 seg., 1/100 seg., 1/200 seg., T & B
Placas: 9 x 12 cm (?)
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