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As importações, os Correios... e a nossa Alfândega!


Ilustração de Artur Ferreira

Tendo presente e a propósito, até, da recente questão da saída do Reino Unido (Brexit) aproveito hoje para, de modo (relativamente...) exaustivo, vos contar algo que todos devemos ter presente quando decidimos comprar/
importar artigos de países fora da Europa ou mesmo, dentro dela, de alguns países que não fazem parte do acordo Schengen.
É vulgar, hoje em dia, pelas facilidades conferidas pela Internet, sermos tentados a comprar "online" acessórios e mesmo câmaras fotográficas vindas do estrangeiro.
Bom, dependendo do país donde são comprados, há que ter em conta, no caso de países fora do acordo Schengen, os custos acrescidos da carga tributária (alfândega) que sobre eles vai incidir quando entrarem no nosso país e as inerentes burocracias até que o artigo comprado (ou oferecido) chegue a nossa casa. Ou seja, antes de tudo o mais, é preciso fazer contas... porque o artigo pode até ficar mais caro do que comprado numa loja física no nosso país, onde pagando todos os impostos se contribui, também, para a sustentabilidade do comércio nacional.
Sobre isto, já agora, esclareço que a nossa legislação isenta compras (até ao valor de €22,00, incluindo portes) quando feitas em países fora da UE (ou mesmo na UE em países em relação aos quais não exista a "livre circulação de bens") do pagamento de impostos e taxas.
Acima desse valor (€22,01), pagar-se-á o respectivo IVA, taxas administrativas da alfândega e dependendo do artigo, taxas adicionais. Contas por alto, pode acrescentar-se até cerca de 30% do valor... isto para não haver surpresas...!
Para melhor esclarecimento aqui fica a fundamentação legal onde poderão ser tiradas estas e outras dúvidas  - 
INFORMAÇÃO ÚTIL PARA O DESALFANDEGAMENTO DE ENCOMENDAS POSTAIS (abre em novo Link) >>

Bem, prólogo à parte, através da narrativa que segue vou contar aos leitores a minha (má... péssima, talvez) 
experiência com o desalfandegamento de um artigo que me foi oferecido com origem num país europeu não pertencente, ainda, ao rol de países em que vigora o acordo Schengen (Turquia).
Não sou, tipicamente, uma pessoa que costume “desabafar”... mas há situações que nos tiram do sério e, quem sabe, a minha experiência pessoal possa ajudar alguém.... bem a propósito pedi ao amigo e bem conhecido caricaturista nacional, Artur Ferreira, um Carton que, de forma excelente, ilustra a experiência e o cerne deste artigo!
Bom, como já estão a adivinhar, a situação tem a ver com os nossos correios e o processo de desalfandegamento de um objecto vindo, neste caso de país europeu, mas ainda não pertencente à CEE.
Bom, tudo começa quando, gentilmente, pelo próprio fabricante, me foi oferecido para testes um equipamento (acessório) fotográfico que, por ser inovador eu próprio tinha interesse em testar e partilhar a opinião com os caros leitores. Até aqui tudo bem...
Os problemas começam quando a encomenda chega ao nosso país e vai parar à Alfândega.
Após 6 dias de aí ter chegado, pelos CTT Internacional foi-me remetida a tradicional "Declaração para autorização de desalfandegamento" e solicitado o NIF. De imediato foi satisfeito o pedido mais informando eu, desde logo, que se tratava duma oferta.
No entanto, após satisfeito o que me haviam solicitado, recebo um novo email pedindo um "Print screen" com os dados da compra ou do pagamento efetuado.
Nesta altura começo a verificar que reina a anarquia e a desorganização naquela entidade pois cada email que recebia vinha assinado por diferente funcionário (excluindo aqueles que não vinham assinados, o processo foi tratado por cerca de meia dúzia de diferentes funcionários) e rapidamente se percebe que, além das respostas automáticas, as restantes também o são ou demonstram uma total falta de atenção ou capacidade de discernimento por parte de quem as lê e responde...!
Então, tendo dito que se trata duma oferta como é possível enviar um “Print Screeen” da compra ou comprovativo Paypall com o valor pago?!
Adiante, percebi que era um beco sem saída e solicitei ao fabricante o envio duma fatura proforma (resolução sugerida por um outro funcionário dos CTT internacional aquando de telefonema que fiz a tentar saber como resolver a questão... (Hã! Telefonemas para o indicativo 707.... demorados e pagos a custo acrescido!).
Lá enviei a fatura proforma, pensando que estaria tudo resolvido.... Errado!!!
Mais uns dias se passam e, espanto meu, nova comunicação: O que faltava? O valor dos portes de correio pagos! Pergunto: Porque não me solicitaram isso na altura que pediram a fatura proforma???? Resultado: mais um email ao fabricante solicitando desculpas pelo incómodo e que me enviasse uma nova fatura Proforma com o valor dos Portes de correio discriminados!
E, mal chegou (logo no dia seguinte), nova comunicação aos CTT internacional remetendo a malfadada fatura Proforma com a discriminação dos portes de correio.
Passam mais uns dias e... nada! Decido, novamente, gastar mais algum tempo e $$$ e ligar para os CTT Internacional. 

Desta vez, informo a funcionária que me atende de tudo o que já me havia sido solicitado e que tinha satisfeito sempre quase de imediato o que iam pedindo. Espanto meu, a mesma, após averiguar com os colegas da situação em concreto diz-me em tom sabedor: “Neste caso, é melhor o Sr. remeter-nos uma Declaração de Honra dizendo que se trata efetivamente duma oferta e qual o valor da mesma.”
“Sinceramente (disse-lhe eu em tom de desabafo), já não percebo....Então se desde o primeiro dia comuniquei que se tratava duma oferta, e nessa circunstância me solicitaram uma fatura Proforma com um valor comercial, que sentido faz agora eu ter de declarar o valor...? ” 
Enfim, vi que não mais valia a pena discutir e lá remeti a “Declaração de Honra” com o valor (do objecto e do valor dos portes) e sosseguei... até receber nova comunicação!
Dizia:
“Informamos que após análise da documentação enviada verificámos o seguinte:
- Falta o documento comprovativo dos portes de envio. Se os mesmos foram gratuitos, poderá expressá-lo no corpo do e-mail de resposta.”

Tristemente, passados 6 dias, para aí uns 20 emails (incluído as respostas automáticas) e duas chamadas telefónicas chego à conclusão que voltamos ao início de todo o processo...!!!!!
Então não é que, tal como lhe tinha dito, desde o meu primeiro email, havida sido uma oferta e que não tinha pago nada pelos objecto ou pelos portes???!!!

Nesta altura, pensava cá para mim: "A seguir temo que me peçam, novamente, o "Print sreen" com o valor da compra!!!!"
Bem, chegado a este ponto, já dá para ter a noção de como é completamente surreal a experiência de ter de lidar com os CTT Internacional. Mas a estória não fica por aqui...
Não ponho em causa as burocracias necessárias para desalfandegar e controlar fiscalmente os objetos que entram no nosso país mas sim a falta de concertação e de entendimento que tem os vários funcionários daquela empresa, na qual, tudo parece “rolar” sem regras, responsabilidades e sem alguém que pareça saber descortinar e resolver as questões regularmente!

Atrevo-me a deixar a sugestão: Porque não atribuir cada processo de desalfandegamento a um determinado funcionário e ser sempre o mesmo a responder perante o cliente e a instruir toda a documentação que necessitam?
No entretanto, o tempo vai passando e os clientes vão perdendo a boa postura que a custo vão tentando ter nas respostas (desnecessárias) que vão dando àquela empresa!

Continuando... isto já parece uma daquelas infindáveis telenovelas... 
Mais uns dias se passam e, tendo remetido tudo o que, mais uma vez, haviam solicitado, eis que a informação no site dos CTT destinada ao seguimento de encomendas, lá retira a informação de "Documentos não Ok". 
Desta vez parecia que, finalmente, iria receber o artigo!
Errado! Apenas um dia depois, recebo mais um email solicitando que fosse discriminado o artigo em causa e o seu valor real...! E lá passou novamente a constar a 1ª informação e a menção dum 2º aviso:

Pimba! Voltamos ao início!
Mais um telefonema para a CTT internacional e eis que me é dito que a Autoridade Tributária não concordava com o valor que o fabricante tinha indicado e que eu, por indicação dos CTT, tinha, sob compromisso de honra dito ser o correto. Bom, na verdade o que eu declarei foi que aquele havia sido o valor que o fabricante atribuiu ao mesmo. Isto é, tratar-se-ia dum valor simbólico ou apenas de custo de produção uma vez que o equipamento em causa havia sido oferecido e não era comercializado nem seria, como declarei, para comercialização por mim em Portugal.
Rapidamente fiquei a saber que isso de nada interessa às nossas Finanças...
Nova sugestão dos CTT para desbloquear a situação: Declarar um novo valor mais alto!
Aí, disse eu: 
- "Alto lá! Então se eu declaro, inicialmente, um valor comercial numa "Declaração de Honra" vou agora declarar um diferente...?" Perguntei!
- "Das duas uma: Ou menti aquando da primeira declaração de valor ou mentia agora se o fizesse, respondi! Então a as falsas declarações? Já não interessavam?"
Também, quando a isto, depreendi pela resposta do outro lado que o que interessava era a Autoridade Tributária ter um valor para aplicar a carga tributária.
Assim, nova sugestão me foi dada: 
-"O senhor não tem de enviar nova Declaração de Honra... basta ver por aí na internet um preço para esse objecto e indicar mais ou menos esse valor. Pode chamar-lhe apenas "Declaração de valor". 
Já com duvidas sobre o que deveria fazer, uma vez que, sinceramente, a solução apontada não colhia a minha simpatia, perguntei:
-"Então e se eu não concordar e nada fizer? O objeto é devolvido ao remetente? E tem custos?"
Bom, lá me foi explicado que se não fosse desbloqueada a situação o objecto era devolvida ao remetente, sem custos para qualquer das partes. Será???
No entanto, foi-se sempre indicada como melhor solução a de "dar" um valor mais alto ao objecto. Presumi, então, que esta seria a questão fulcral - atribuir um "valor comercial"! 

Assim, numa nova tentativa, lá satisfiz o sugerido e enviei a tal "Declaração de Valor" de acordo com uma pesquisa efetuada, fazendo acompanhar a mesma, do "Link" onde se podia, inclusivamente, ver o preço daquele artigo no estrangeiro... 
Também isso não chegou, não resolveu nada e, assim, recebi nova comunicação:

"Exmo. Senhor
José Loureiro,

Lamentamos, contudo sem a documentação solicitada pela Autoridade Tributária e Aduaneira, não nos será possível dar seguimento processo de desalfandegamento em questão.
Na ausência dos documentos em questão, que lhe estão a ser solicitados, questionamos se pretende solicitar a devolução do objeto ao remetente.
Ficamos a aguardar a informação solicitada."


Uma vez que já havia passado mais de um mês desde o envio e, nesta altura já lá iam cerca de 30 comunicaç
ões por email (solicitações/respostas) e umas 4 ligações por telefone para os CTT internacional, achei que já chegava!

Controlando o impeto de responder de forma menos polida e educada, escrevi apenas:

"Caros Senhores
CTT Internacional

Lamentavelmente, digo eu, venho por este meio informar V. Exas. que, sim, pretendo a devolução do objecto ao remetente.
Digo-o, porque, sinceramente, após uma infindável troca de comunicações escritas e telefonemas com essa entidade, fui enviando aquilo que me era pedido e sugerido para "desbloquear a situação". Contudo, parece que nunca foi o correto ou suficiente...
Assim, não sabendo o que mais pretendem (penso, neste momento, que voltamos ao início e cegamente a Alfândega pretende novamente o envio duma fatura de compra que eu não tenho, por se tratar duma oferta como venho dizendo desde o início), sinto que chegamos a um verdadeiro impasse... Assim, para que não percamos mais tempo, eu, os CTT e a Alfândega dou por finda esta triste experiência.
Peço desculpa pelo desabafo...

Atentamente,
José Loureiro"



E assim foi...!
Isto é... parece-me que novos episódios se seguirão. Isto porque, ainda hoje (3 de abril de 2017), recebi nova comunicação dos CTT Internacional dizendo que o pedido de devolução ao remetente "foi reencaminhado internamente, a fim de ser analisado".
Desconheço o que por aí mais venha...!!!!!
Em todo o caso, fica  partilha desta minha experiência e o alerta para quem tenha que lidar com situações análogas, embora, segundo relatos que vou lendo, as "coisas", na nossa Alfândega, parecem não obedecer a um padrão e o fator "sorte" não ser de desprezar...

Fotografia Impressionista | "Motion blur" com as cores do Outono!





Existe uma natural tendência para, na Fotografia, procurar obter resultados finais que apresentem uma boa definição/recorte de imagem. No entanto, existem inúmeras possibilidades de fotografar e retratar a realidade que nos rodeia sem nos termos de preocupar com esse fator. 
Sendo certo que para muitas áreas da fotografia a definição é essencial, para outras, nem por isso. Por regra, ninguém vai querer publicar uma fotografia desfocada dum prato num livro de receitas culinárias ou, por exemplo, ilustrar um artigo de fotografia comercial ou biográfica com uma fotografia pouco definida.
No entanto, a Fotografia enquanto "conceito artístico" envolve muito mais que a simples qualidade da imagem! Hoje deixo-vos uns exemplos que admitem alguma liberdade estética e como, com alguma técnica muito simples, conseguir este tipo de fotografias interessantes que estão ao alcance de qualquer pessoa e equipamento!

De facto, quando olhámos para uma fotografia devemos analisar o seu conteúdo como um todo. Contribuem para resultado final da imagem conceitos tão diversos como o aspeto estético, cromático, composição,...

Não devemos ter como verdade absoluta o princípio que só com boas objectivas se conseguirão boas fotografias. Pese embora o equipamento tenha um papel importante e uma relação direta com os resultados finais, a Fotografia enquanto "arte" é bem mais que uma fotografia com uma boa resolução/definição. Ou seja, dito pela negativa, poderemos estar perante uma captura efectuada com um excelente equipamento mas desprovida de qualquer interesse quanto a conceitos estéticos ou cromáticos.

As fotografias que hoje publico foram captadas durante um Workshop realizado em Bragança com uma Nikon D800 e a nova Tamron 45mm f/1.8. 
Apesar de se tratar dum excelente conjunto câmara/objectiva, certamente que se conseguiriam idênticos resultados, para este tipo de fotografia, com qualquer outro equipamento mais acessível. 
Claro está que, pessoalmente, também gosto de poder utilizar o melhor equipamento possível. Quem não gosta? Mas o que pretendo esclarecer é que os resultados finais não dependem só disso!

Em tempos "ensinei" como conseguir este efeito denominado "Motion blur" em Pós-produção através da ferramenta existente no Photoshop com esse nome. Podem ver aqui como: "Dicas de Photoshop - Motion blur" > (abre em novo Link)


Bom, recuperando uma antiga tradição, partilho hoje com os leitores os "segredos" subjacentes à realização deste tipo de fotografias mas, desta vez, como fazê-lo diretamente na altura da sua captura. Aliás, o processo é muito simples! Trata-se apenas de, intencionalmente, mover a câmara durante a captura da imagem!  

Embora não existam "regulações" específicas ou precisas para conseguir estes efeitos de movimento/arrastamento existem, contudo, princípios gerais a seguir. É, nessa perspectiva, que se indicam os valores mencionados na tabela abaixo.
As configurações devem ser vistas como um conjunto de factores tendentes a conseguir um valor de obturação adequadamente baixo de modo a obter o efeito pretendido. Como valor indicativo, uma vez que a velocidade com que efetuamos o movimento (deslocação da câmara) também afeta diretamente o resultado, diria que valores entre os 1/10 e 1/20 seg. estarão dentro do aconselhável. 
As configurações dependem, assim, de variadíssimos aspetos: Quantidade de luz existente; valor de sensibilidade escolhido; abertura de diafragma... em conjunto, tudo deve estar "ajustado" de modo a conseguir os valores de obturação e exposição corretos.


Configurações (genéricas)
Sensibilidade

ISO 50 ~ 200
(utilizar valores baixos)

Abertura de diafragma


f/16 ~ f/22
(ajustar para uma abertura pequena)
Modo de Exposição

Auto (P) – Flexível
S - prioridade ao obturador
A - prioridade à abertura
M - Manual
(no fundo, qualquer um desde que permita o ajuste ao tempo de exposição pretendido)
Velocidade de obturação

1/10 ~ 1/20 seg.
(sem dúvida, este aspeto é o mais determinante de todos! Utilizar sempre valores baixos) 
Equilíbrio de Brancos (WB)

Auto
Sombra/Nublado
(se fotografar em JPG, em locais sombrios, prestar atenção e escolher Nublado/Sombra para realçar as cores)
O efeito pode ser mais ou menos pronunciado dependendo do movimento intencional que efetuamos com a câmara e do tempo de exposição.
Existe, portanto, um meio termo para que seja possível fazer uma leitura apelativa do cenário fotografado. 
Pouco tempo de exposição e/ou pouco movimento provocarão imagens com aparência de estarem apenas ligeiramente "desfocadas". Pelo contrário, demasiado tempo de exposição e/ou movimento, "esborratarão" as fotografias transformando-as somente numa desinteressante mancha cromática sem contornos minimamente definidos.
Ao lado poderão ver as configurações necessárias à obtenção de resultados idênticos aos dos exemplos. Desde já alerto que, como descrito, se tratam apenas de configurações genéricas que deverão servir apenas como ponto de partida. Depois, cada caso é um caso e, como tal, deverão ser efetuadas várias capturas até obter o resultado desejado!

Claro está que depois disto tudo resta dizer que, nestes casos de fotografias a arvoredo existente em florestas, a técnica descrita deve fazer-se acompanhar dum movimento vertical da câmara. Pessoalmente, faço-o de "cima para baixo" mas nada impede de tentar outras abordagens. Importante, sim, é começar o movimento de deslocação da câmara ligeiramente antes de clicar no botão obturador mantendo, esse movimento, durante e mesmo após retirar o dedo do botão. Pode parecer um pormenor sem importância mas, de facto, ajuda a conseguir um arrastamento unidirecional da imagem.   


Samyang 8mm Fisheye CS II vs CS | Novo e antigo modelo - Teste Comparativo




Opticamente e mecanicamente idênticas, estas duas Samyang 8mm representam duas diferentes gerações. À esquerda, a nova versão, lançada em meados de 2013, com um "look" mais moderno. Por sua vez, à direita, a versão mais antiga lançada em Novembro de 2011 cujo artigo de teste completo pode ser visto aqui (abre em novo link).
Visualmente, estas duas gerações de objetivas distinguem-se facilmente pela cor e posição do aro de cor: Na versão mais recente (CS II), o aro aparece numa posição mais próxima da zona traseira da objectiva e tem cor vermelha. Na versão anterior o aro encontra-se posicionado imediatamente antes do parasol integrado e é de cor dourada. Aliás, esta mudança estética operou-se e estendeu-se a toda a gama de objectivas da marca. 
O quadro em baixo explicita as (poucas) diferenças existentes entre os dois modelos. Mas serão somente estas...? Mais à frente veremos, contrariamente ao que ser seria de esperar, que não!  



Especificações (diferenças)
CS II
CS
Parasol:
Extraível
Integrado
Escala de distâncias:
0,3m-1,5m ~
0,3m-3m ~ 
Dimensões (diam./comp.):
77,8 x 72,6
75 x 74,8
Peso (s/tampas e c/parasol):
396g
383g


Sendo possuidor e tendo já utilizado por diversas vezes a primeira versão da Samyang 8mm f/3.5 (CS), sempre me desgostou o facto do recorte não ser o melhor. Actualmente, recebi, por parte da ROBISA, o novo representante e distribuidor da marca para a Europa, a nova versão desta objectiva: A Samyang 8mm f/3.5 (CS II).
Perguntando o porquê da mudança para este novo modelo digo, sinceramente, que o fiz apenas pela possibilidade de a poder utilizar com câmaras de sensor de formato FX uma vez que neste novo modelo o parasol é extraível. Nunca pensei encontrar outras diferenças...
Contudo, tratando-se duma objectiva construída para utilização com câmaras de sensor DX (APS-C), nas FX (Full frame) apenas registaremos imagens na parte central em forma de círculo. Oportunamente farei um artigo acerca disso!  



Além das diferenças na proeminência do parasol, a posição e cor do anel decorativo facilmente distinguem os dois modelos
Por falar no Parasol notei que, contrariamente ao da antiga versão que era fixo não se podia retirar, o da atual versão sai (a meu ver) com demasiada facilidade pelo que há que ter algum cuidado com o manuseamento e a "arrumação" no saco de equipamento fotográfico. Motivo: A tampa de proteção do elemento frontal (essa sim, agora mais fácil de colocar) aperta no parasol o que significa que desenroscando-se o mesmo o elemento óptico frontal da objetiva fica sem proteção.   Antes de testar comparativamente estas duas objectivas, dada a sua construção idêntica, pensei que seria de esperar que os resultados fossem, também, idênticos. Pois bem, ainda bem que testei comparativamente estas duas versões. Efectivamente existe uma notória evolução no que concerne à qualidade óptica (recorte/nitidez). A nova versão - a Samyang 8mm CS II apresenta uma QI superior!



O encaixe a a parte traseira dos dois modelos é idêntica

Apesar das especificações do fabricante indicarem, em termos de ângulo de imagem, os mesmos 180º para ambas as versões em câmaras APS-C como as Nikon, Sony, Fuji, Pentax e Samsung... portanto com formato de sensor DX, (à excepção das câmaras Canon EOS e EF-M onde se alcançam somente 167º devido à diferença do factor de conversão "crop" - 1,6 x em vez dos 1,5x da Nikon) facto é que, nos exemplares testados, existe um subtil diferença entre estas duas gerações de objectivas: O ângulo de imagem que a versão mais antiga (Samyang 8mm Fisheye - CS) consegue captar é ligeiramente superior ao da "nova" versão da Samyang - a CS II.
(Poderão aferir essa diferença nas imagens comparativas mais abaixo)

Já no tocante à medição de luz e aberrações cromáticas não existem diferenças dignas de registo. Com a utilização da medição de luz "Matricial" persiste uma tendência (a meu ver lógica e "normal") para a sobre-exposição.
A "melhor" medição de luz a utilizar com estas pequenas Samyang Fisheye, em vários modelos de câmaras Nikon, continua a ser a "Central ponderada". Contudo isto não pode ser tido como uma "verdade absoluta" pois existem alguns modelos de câmaras Nikon em que a medição matricial parece ser correcta. Portanto, nada melhor que experimentar um e outro modo de medição de luz e verificar os resultados.  

Outra característica que se manteve inalterada: A inconsistência da escala de distâncias... embora mais "certeira" na Samyang CS II, continua a não ser fiável. Mas, como penso que disse no artigo de teste da versão CS, estas Fisheye's a f/8 ou aberturas de diafragma mais pequenas, focam tudo o que estiver a pouco mais de 1 metro de distância até ao infinito! 
De igual modo, a confirmação de focagem por parte da câmara com este tipo de objectivas continua a ser problemática... no visor, nem sempre o "ponto verde" de confirmação de focagem se apresenta fixo. 

Recordando e transcrevendo o que escrevi na altura que testei a primeira versão desta Samyang 8mm (cuja opinião mantenho), resta agora corrigir, para a nova versão "CS II" (lançada após o artigo em causa), a parte relativa à qualidade óptica. Agora sim, tudo o que se ouve é verdade!
Eis o que escrevi, na altura que testei a 1ª versão da Samyang 8mm f/3.5:

"Qualidade óptica
Bom, agora que já criei certamente a muitos, "água na boca", vamos lá ser mais criteriosos... Quase de certeza que já devem ter lido/ouvido que esta objectiva é uma excelente compra, que tem uma excelente relação preço/qualidade e que tem, também, uma excelente qualidade óptica... É quase tudo verdade.... Mas, infelizmente, a qualidade óptica, quanto a mim, por comparação e analisada sobre essa mesma perspectiva, não é assim tão boa...
Todavia, dada a redução da realidade que esta objectiva produz isso passa muito mais despercebido do que se fosse uma teleobjectiva.
Verdade é que, analisadas as imagens a 100% num PC facilmente se detecta a falta de recorte e nitidez... principalmente na sua abertura máxima (f/3.5). A f/5.8 ou a f/8, aberturas onde se alcança a melhor qualidade de imagem a "coisa"compõem-se um pouco..."


Admitindo e considerando que possa existir um desvio negativo de qualidade óptica no exemplar da 1ª versão face ao novo modelo (CS II), deixo aqui umas imagens comparativas entre os dois modelos. Devo acrescentar que todas as fotografias foram captadas nas mesmas condições: Tripé, cabo disparador, espelho levantado,... e não... o problema  com as do modelo mais antigo (CS) não é estarem desfocadas! Por comparação, ampliando as imagens a 100%, verifica-se que existem diferenças substanciais! 
As imagens abaixo foram convertidas em JPEG a partir de ficheiros RAW (sem qualquer edição) e foram captadas com uma Nikon D300 nas condições já anteriormente descritas.
Os dois exemplos comparativos são um resumo dos resultados obtidos a diferentes aberturas e distâncias (focagem ao perto e ao longe). 
(Para visualizar a 100%, clicar nas imagens e abrir em novo Link)





As diferenças encontradas nas imagens cimentam a ideia que tenho acerca dos testes a equipamentos fotográficos, nomeadamente a objectivas. Ou seja, qualquer opinião deve (ou deveria...) ser sempre fundamentada em testes comparativos realizados com mais que um exemplar. Claro está que isso seria o "ideal" mas nem sempre é possível... Muitas vezes experimento ou fotografo casualmente com unidades diversas do mesmo modelo e marca de objectiva mas em alturas diferentes... o que de pouco serve porque impossibilita a comparação directa "lado a lado".
Todavia, há que ter presente que, para um mesmo modelo de objectiva, são aceites (pela maioria dos fabricantes) desvios na qualidade final, em relação aos valores referência, até cerca de 7 %... Essa tolerância faz, obviamente, com que nem todas as objectivas dum determinado modelo e marca apresentem os mesmos resultados finais. Em termos de resolução óptica, um dos problemas mais comuns é o chamado "Front ou Back focus". Problema que consiste no defeituoso reconhecimento do ponto de focagem seleccionado. A câmara foca, respetivamente, antes ou depois do local de focagem escolhido. Esse problema pode ser, atualmente, facilmente resolvido através de regulação de micro-ajustamento via "menu" na própria câmara. Quase todas as câmaras DSLR atuais possibilitam a chamada "focagem fina" para acerto pontual, caso seja necessário, do correto ponto de focagem, caso a caso, com cada objectiva. Para certos fabricantes, uma variação de até +/- 3 pode ser considerada como "normal".  Desde já posso garantir que este não era o problema da anterior versão da Samyang 8mm Fisheye. Com este tipo de objectivas (quer com a nova versão, quer com a antiga), a f/8 ou aberturas mais pequenas, tudo o que estiver a pouco mais de 1 metro, seleccionando a focagem ao  infinito, deve ficar focado e nítido! 

No entanto, é admissível ter havido algum melhoramento em termos de construção interna e mesmo ao nível dos elementos e revestimentos ópticos que possam ajudar este modelo mais recente a obter resultados finais superiores ao seu antecessor... 
Atualmente coexistem em venda os dois modelos. Todavia, o mais antigo apenas pode ser adquirido "usado" ou por importação directa uma vez que, dede o início de 2015, o atual distribuidor oficial para Portugal - a ROBISA -  apenas comercializa o modelo mais recente oferendo uma garantia de 5 anos.