Nova Nikon D300s

A Nikon anunciou no pretérito dia 30/7/2009 o lançamento de duas novas câmaras digitais. A pequena D3000 e a sucessora da D300 que vê, agora, acrescentada à designação a letra "S".
A comercialização em Portugal, de ambos os modelos, não deverá ocorrer antes de Setembro/Outubro do corrente ano. Quanto a preços, para já, na Nikon USA é anunciada a $1,799.95 (só corpo).
As inovações são uma mistura daquilo que já algum tempo se encontra disponível noutras câmaras e que parece ser uma nova tendência…ou será só moda? Falo obviamente da capacidade de gravar vídeo da qual foi pioneira a D90. Do ponto de vista tecnológico, apesar de não haver grandes novidades, foram melhorados alguns aspectos. A possibilidade de gravação simultânea em dois formatos de cartões de memória, a saber Compact Flash (CF) e Secure Digital (SD) entre outras, são algumas das diferenças para o anterior modelo.

Cá fica o vídeo promocional oficial desta câmara que mostra as inovações mais relevantes face à D300:




Além das inovações acima referidas o que mais mudou, e o que ficou igual, entre a Nikon D300 vs D300s?

(tabela efectuada segundo os dados oficiais disponibilizados pela Nikon)

Curioso o facto da Nikon continuar a "apostar" no formato DX! A prova disso está não só nesta câmara como também na nova objectiva Nikkor 18-200mm DX VR II anunciada na mesma data.
Quanto às diferenças existentes entre as D300, excluindo aquelas que referi no início, ou seja, a possibilidade de gravação de vídeo e o facto da versão nova “aceitar” cartões de memória SD, penso não haver outras dignas de relevo. De facto, é até um pouco estranho que a Nikon mantenha o mesmo sensor DX de 12.3Mp e não tenha aumentado a fasquia para os já “vulgares” 15Mp oferecidos pela concorrência mais directa há já algum tempo como é o caso da Canon EOS 50D.
O facto de passar a utilizar, simultaneamente, os formatos SD e CF não deixa de ser curioso e pode bem significar que a Nikon começa finalmente a “confiar” neste formato de cartões mais pequeno, mais vulgar e bem mais barato!

 Artigo relacionado:  Nikon D300 - 12Mp DSLR -Teste

Morcegos-de-ferradura (Estórias...!)


Morcego-de-ferradura – Minas do Pejão - Novembro/2008
Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 400mm; ISO 400; f/5.6; 1/60 Seg.)




Morcego-de-ferradura – Minas do Pejão - Novembro/2008
Nikon D200 + Nikkor 80-400mm f/4.5-5.6 VR ED-IF AF-D
(@ 230mm; ISO 400; f/5.3; 1/60 Seg.)



Por vezes, o engraçado na nossa “busca” por uma fotografia são os momentos que passamos para a captar, aquilo que aprendemos acerca do que fotografamos e as estórias que ficam para contar!
Pois bem, hoje, ao ver umas fotografias antigas, lembrei-me, precisamente, duma dessas situações.
Como documentam as fotografias, o motivo e o local onde ocorreu não é dos mais “habituais”. Trata-se de algo que muitos de nós, de modo mais ou menos manifesto, já tivemos oportunidade de observar mas que, provavelmente, poucos tiveram curiosidade e oportunidade de fotografar.
Embora para alguns estes pequenos animais sejam um pouco repugnantes a verdade que vistos a escassos centímetros não são assim tão horrendos…!
O contacto “in loco” com estes animais, curiosamente, causou-me menos impressão do que da maneira que estou habituado a vê-los – em imagens! Se repararem até têm pelo! A maneira como se seguram, pelas unhas e de cabeça para baixo, durante o dia enquanto dormem, é realmente fantástica!
Os Morcegos-de-ferradura-pequenos (Rhinolophus hipposideros) são uma das 27 espécies de morcegos existentes em Portugal. Segundo o ICNBC, no nosso país, esta espécie tem o estatuto de vulnerável. Também a nível mundial, de acordo com algumas opiniões, parece que a espécie tem sofrido um decréscimo nos últimos 50 anos.
Estes mamíferos, como é sabido, alimentam-se de insectos durante a noite, altura em que estão activos, e o seu habitat são as grutas e minas onde dormem durante o dia. Foi precisamente neste meio e nesta altura que, com alguns cuidados, os fotografei. Basicamente tive esses “cuidados” ao entrar para os sítios onde, eventualmente, os mesmos pudessem estar. A luz da lanterna era primeiro virada para o chão (onde se procurava excrementos destes animais) e só depois, lentamente e em silêncio, iluminava o tecto das minas (no sítio onde havia localizado excrementos) para os clarear. Esta preocupação era fundamentada no “medo” de existirem lá dezenas de morcegos que, se assustados, pudessem voar em debandada contra mim.
Depois de vencido esse primeiro desafio, mesmo com uma iluminação e um contacto muito próximo, estes mamíferos revelaram-se calmos e lá continuavam com o seu sono.
As fotografias que “consegui” destes animais foram um acaso. A seguir passo a contar, parte da estória, tal como a contei há uns meses atrás, a alguns amigos num e-mail:

“Este sábado tive a oportunidade de poder entrar nas antigas Minas do Pejão.
Encerradas desde 1994, estas minas tiveram em tempos por finalidade a extracção de carvão.
Hoje em dia estão fechadas não podendo ser vistas nem tendo aceso público mas... com alguns contactos certos, consegue-se que o guarda faça uma meia dúzia de Kms e passe por lá cedo e deixe o portão aberto... depois é só entrar, encostar o portão e desfrutar no máximo do sossego de tudo o que ainda há para ver!
Fui aos pássaros, levei material fotográfico específico para esse fim, mas aproveitei para alargar horizontes...com o que tinha à mão! Não imaginam o que é tirar fotos a morcegos, no interior das minas, sem qualquer luz, só com a ajuda duma pequena lanterna e com uma lente 400mm... teve piada até porque, no sítio em que estavam, era possível tocar nos morcegos, mas com a objectiva que levei tinha que me afastar aí uns 3 ou 4 metros (que é a distância mínima de focagem da objectiva), por vezes tentar empurrar as paredes das minas para ter espaço, enfim...
As fotos são de Morcegos-de-ferradura e foram captadas no interior das minas. A partir de certos sítios como não se conhece e se começam a ver as madeiras de suporte partidas o melhor foi mesmo não avançar mais. Mas ainda deu para ver a pequena capela que existe no interior...Da próxima já vou preparado!”

Fotografia aérea (algumas considerações)


Nikon D200 + Nikkor 24-70mmf/2.8 G ED-IF AF-S
(@ 70mm; ISO 100; f/3.5; 1/250seg.)
Coimbra – Julho 2009
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A fotografia aérea é, sem dúvida, um dos tipos de fotografia que me apraz fazer.
Na realidade, o que me atrai mais neste tipo de fotografia são as formas geométricas, as cores, os contrastes e a visão global duma determinada área vista de uma certa altitude. A terra observada a algumas centenas de metros de altitude passa a ser uma globalidade de elementos. É precisamente essa globalidade, que me encanta, que tento fotografar. Nem todos os locais têm esta harmonia de formas, linhas, cores… mas sabendo escolher, há locais deveras belos! Uns desses locais na minha opinião, e um bom exemplo do que acabo de dizer, são as salinas de Aveiro e zonas envolventes (ver link a algumas fotografias mais antigas no final).
Geralmente tentamos fotografar o individual, o particular, destacar um ou outro elemento… do ar tentamos o contrário, ou seja, captar o conjunto e realçar com harmonia vários elementos.
A fotografia do topo foi captada a bordo dum Cessna 152 II, num fim da tarde, do pretérito mês de Julho quando regressava do Coimbra Airshow 2009.
Não existe nela nenhum elemento que se evidencie ou sobressaia, não existem planos diferentes…. É apenas uma fotografia, com foco ao infinito, de uma área de várias centenas de metros quadrados observada do ar na sua globalidade. As linhas formadas pelos carreiros que dividem os campos de cultivo, as diferentes orientações das plantações… tudo isto, no seu conjunto, “fazem” esta fotografia. Esta sim, é a essência deste tipo de fotografia.

Com algum material e um pouco de sensibilidade qualquer um consegue fotografias aéreas atractivas.
A nível de equipamento pouco é preciso. Uma SLRD, uma objectiva fixa ou zoom normal e um filtro polarizador (dependendo, essencialmente, das condições do tempo, orientação, local a fotografar e hora do dia) são tudo o que precisamos.
Claro que o resto é que é difícil! Ou seja, um avião que sirva para o efeito e o respectivo piloto. No ar, são estes dois elementos que podem fazer a diferença entre conseguir captar, ou não, boas fotografias.
Torna-se necessário haver coordenação entre fotógrafo e piloto. Temos de saber explicar o que pretendemos fotografar e como, (de que ângulo, de que altitude...) e por sua vez aquele tem de saber interpretar as nossas ideias e conseguir colocar-nos no local certo. Por vezes este diálogo é feito somente por gestos.
Já quanto aos aviões existem uns mais adequados que outros (não falando dos especificamente preparados para esse fim – com aberturas na sua estrutura na parte de baixo do avião de forma a permitir fotografar verticalmente – claro que este, em bom rigor, e para uma fotografia aérea “mais a sério” será um método com algumas vantagens pois não existem distorções de linhas paralelas a convergir para o infinito, não existem obstáculos como os pilares das rodas e asas, etc.).
Mesmo para fazer fotografia aérea de maneira mais básica, se pretendemos obter um mínimo de qualidade obviamente que devemos, se possível, “escolher” o avião. Aqueles que estão desprovidos de janelas que se abram são de evitar. Fotografar através de vidros/acrílicos é pura perda de tempo! As fotografias não vão ter recorte, contraste…. Por isso gosto tanto do Cessna 152! Lembram-se dos velhinhos Citroen 2 cv? Lembram-se de como abriam as suas janelas da frente? Pois é, o Cessna 152 também tem essa singularidade! Abre as janelas, quer do piloto quer do acompanhante, para fora e para cima. Além do mais, em voo, ficam “coladas” à parte inferior da asa (que fica num nível superior à nossa cabeça) e com a deslocação do vento nunca mais se fecham.
Isto sim! É pegar na câmara, coloca-la de fora do avião esticando-nos um pouco, pedir ao piloto para sobrevoar à mais baixa velocidade possível o local que pretendemos e “carregar” no botão. Quer dizer, é mais ou menos isto…. Depois, temos de usar velocidades de obturação relativamente rápidas pois não podemos esquecer que estamos a captar fotografias deslocando-nos, no caso deste Cessna, entre cerca de 120/160 Km/h!
A propósito, dada a “força” do ar que ocorre quando se coloca a câmara além da janela do avião, é conveniente ter a mesma bem segura e evitar a sua colocação perto do aro da janela do avião pois qualquer mudança de altitude ou direcção podem fazer com que colida contra esta. A pressão do ar é muita… imaginem colocar uma câmara de fora dum carro a circular numa auto-estrada e tentar fotografar! Claro que quanto maior for a objectiva que usarmos maior vai ser a resistência ao ar e as diferenças são bem notórias! Mais uma das aplicações em que a pequena Nikkor 50mm f/1.4 AI é uma boa companheira!

Ps: aproveito para deixar um abraço e dedicar esta mensagem ao amigo Pedro, piloto com quem partilho estas aventuras aéreas e na companhia de quem foram captadas as imagens. Até à próxima…!