Qual o significado das siglas dos diversos modelos e marcas de objectivas?





Cada fabricante de câmaras (ou objectivas) tem, subjacente aos seus produtos, siglas e terminologias próprias. Embora diferentes (de marca para marca por questões éticas e de direitos de registos…), significam, no fundo, quase sempre o mesmo…

Uma das perguntas que com frequência me fazem versa precisamente sobre o significado das diversas letras/abreviaturas que cada marca coloca nas suas objectivas e qual o seu significado.
Pois bem, recentemente tornaram a questionar-me acerca dessa questão e isso serviu de incentivo para escrever este pequeno artigo que tenta explicar o significado das principais siglas utilizadas pelos diversos fabricantes de objectivas...

Vamos lá ver então…
Muitas vezes uma objectiva encontra-se repleta de conjuntos de siglas ou abreviaturas. Muitos certamente ficarão confusos e, na hora de escolher uma nova objectiva, ficam na dúvida se este ou aquele modelo é ou não compativel com a câmara que possuem bem como o que querem dizer inscrições como:  "APO"; "IS"; "DG"; "AF-S"; "HSM", etc, etc....
Pois bem! Duma maneira geral, esta nomenclatura, associada às objectivas, indica as características técnicas de cada modelo em concreto.

Existem, especialmente, três tipos distintos de indicações técnicas que são usados pela maioria dos fabricantes:
  1. O primeiro reporta-se à existência dum sistema de estabilização. Esta é uma informação importante principalmente quando se trata de Tele-objectivas ou se pretende uma objectiva para fotografar em condições de pouca luz. São sistemas (incorporados nas objectivas) que permitem reduzir as vibrações resultantes do manuseamento pela mão humana. Actualmente estes sistemas tem sofrido um grande evolução e conseguem fazer com que se captem, em iguais condições de luz, fotografias com um ganho de 3 ou 4 f/stop's. Quase todas as marcas oferecem este sistema. No entanto, cada uma delas lhe dá nomes diferentes como mais abaixo podem ver... No fundo, apesar de cada marca ter um sistema próprio e diferente das restantes, não se pode dizer que nenhum deles seja melhor que o outro... todos visam reduzir as vibrações das capturas... somente se muda o nome das tais siglas!
  2. O segundo reporta-se aos sistemas de motorização das objectivas. Isto é, o mecanismo usado pelas objectivas que possibilita a "Auto-focagem". Grande parte das mais recentes SLR-D não possuem motorização própria pelo que é essencial que esse sistema de motorização esteja instalado na objectiva. Todas as marcas optam por um sistema focagem por meio de rotação resultante de ondas ultra-sónicas dado o silêncio e velocidade que estas permitem.
  3. O terceiro, que por sua vez  talvez seja o que mais difere de modelo para modelo, diz respeito às qualidades ópticas, nomeadamente os revestimentos utilizados nas lentes. São variadíssimos e duma maneira geral, apesar de distintos, todos tem a mesma finalidade: reduzir ou minimizar as aberrações cromáticas, reflexos, etc...

Feito este "preâmbulo" aqui ficam, então, os diferentes significados de cada uma das siglas mais comuns usadas pelas diferentes marcas:


 Sistemas de redução de vibração ou estabilização de imagem  

  • CanonIS (Image Stabilizer)       Tradução: “Estabilizador de imagem”
  • Nikon -  VR (Vibration Reduction)  -  Tradução:  “ Redução de vibrações”
  • SigmaOS (Optical Stabilization) – Tradução: “Estabilização Óptica”
  • Tamron – VC (Vibration Control) – Tradução: “Controle de Vibrações”

 Revestimentos ópticos com vista a melhorar a qualidade de imagem e/ou a diminuir/corrigir aberrações cromáticas, deformações, etc...  

  • NikonED – (Extra-Low Dispersion) – Tradução: “Baixa dispersão” *1
                      N – (NanoCrystal Coat) – Tradução: “Revestimento em Nano Cristal”

  • SigmaAPO – (Apochromatic) – Tradução “Apocromático” (sistema de revestimento para uma pequena dispersão de modo a minimizar as aberrações cromáticas)
                       EX – (EX Lens) – (Objectivas de construção mais cuidada em termos de robustez e nível óptico)
  • Tamron - XR (Extra Refractive Index) - Vidro de melhor qualidade que permite melhor passagem de luz através dos vários elementos ópticos)
                        SP - (Super Performance) - Objectivas "pro" com elementos ópticos mais cuidados
  • Tokina - SD (Super Low Dispersion) - Tradução: "Baixa dispersão" *1  
A Canon possui igualmente objectivas com revestimentos ópticos que visam diminuir as aberrações cromáticas SWC (Subwavelength Structure Coating). Todavia, essas siglas não são mencionadas nas objectivas.

*1 Significa que a objectiva possui um tratamento (revestimento das lentes) de baixa dispersão dos raios de luz incidentes. Quer isto dizer que a objectiva é pouco propensa a dispersar as cores que recebe em raios com diferentes comprimentos de onda. Por outras palavras... no limite, a chamada aberração cromática!


 Siglas relativas à indicação do formato da objectiva (compatibilidade com sensores de sistemas APS-C ou Full-frame)  

  • CanonEF-S (EF para o formato Full frame – 35mm) EF significa “Electro-focus”
  • Nikon  - DX (ou FX para o formato “Full frame – 35mm)
  • SigmaDC (A outra sigla DG reporta-se à compatibilidade das objectivas com o formato 35mm ou FX)
  • Tamron - Di-II (Di para o formato FX)
  • PentaxDA
  • Tokina - DX 

 Siglas referentes aos sistemas de motorização das objectivas  
  • Canon - USM (Ultra-Sonic Motor) - Tradução: "Motor Ultra-sónico"
  • NikonAF-S (Silent Wave motor ) - Tradução: "Motor por ondas silencioso" *2
  • Tamron - PZD (Piezzo Drive) - Tradução: Motor Ultrasonico baseado na tecnologia "Piezoelectrica" por emissão de ondas de alta frequência 
  • Sigma - HSM - (Hyper-Sonic Motor) - Tradução: "Motor Hiper-sónico"  
*2 - Basicamente todas as objectivas motorizadas actuais usam sistemas idênticos. Podem ver uma explicação melhor acerca deste tópico seguindo o Link no final deste artigo procurando pelas siglas AF-S.

Espero que este "glossário" tenha ajudado...
Para um melhor esclarecimento acerca de todas as outras siglas (relacionadas com a marca Nikon) podem ver aqui.

Zeiss Ikon Ikonta - Model 520/18 "Baby Ikonta" (1932~1936)



Estas câmaras fotográficas Zeiss "Baby Ikonta" (520/18)  não sendo, na minha opinião, particularmente "bonitas" serão, provavelmente, as mais pequenas "câmara de fole" que alguma vez existiram. Esse será, porventura, um dos aspectos que contribui para a sua procura e consequentemente lhes dá alguma cotação como "peças de coleccionismo". São realmente pequenas e as suas dimensões (fechada) não ultrapassam os 10x7x 2,5cm!
Fazem parte da "família" do modelo "Ikonta" das máquinas da marca Zeiss, sendo as mais pequenas desse mesmo modelo, cujo primeiro lançamento (520, com formato de filme maior, de 4,5x6cm) ocorreu meados de 1930.

Esta pequena câmara incluí-se nas chamadas "Mini-camaras" ou "Câmaras-bebé" pelas suas diminutas dimensões.
Surgiram numa altura em que a fotografia se começava a "popularizar" e, de um modo geral (tal qual como acontece ainda nos nossos dias), as pessoas queriam registar os seus passeios e viagens. Ora, uma câmara pequena era o ideal para estas situações. Tanto mais que a maioria das câmaras da altura eram grandes e pesadas!
Contudo, a construção destas Zeiss "Baby Ikonta" é em tudo idêntica às câmaras de maiores dimensões. Esse é um dos motivos porque podem ser consideradas, precisamente, como "miniaturas".
As "Ikonta" são câmaras produzidas na Alemanha após 1926, altura em que se formou a Firma "Zeiss Ikon". A firma surgiu da junção de quatro fabricantes de máquinas fotográficas da altura: A Contessa-Nettel; Ica; Goerz e Ernemann com capitais da Zeiss.
Voltando às "Baby-Ikonta", existem várias versões destas câmaras. A sua produção variou ao longo dos anos e foram construídos modelos com objectivas de abertura máxima desde f/6.3, f/4.5 até f/3.5 Novar com obturador Derval bem como modelos (mais recentes) com objectivas f/4.5 e  f/3.5 Tessar com obturadores Compur. (O modelo ilustrado está equipado com um obturador Derval e com uma Novar f/6.3)




O filme que utilizavam era o pequeno "rolo" denominado de "127" partilhado, aliás, com muita outras câmaras de reduzidas dimensões de então como, por exemplo, um outro modelo deste mesmo fabricante: A "Zeiss Ikon Box Tengor" mais conhecida como "Baby-Box".

O "rolo 127" permitia captar até 16 fotografias em negativos cujas dimensões eram apenas de 3x4cm.

De resto, não há muito mais para dizer...
Infelizmente, é raro hoje em dia encontrar exemplares destas câmaras que estejam em perfeitas condições estéticas. A pintura, quer das orlas metálicas quer das inscrições, era um dos "pontos fracos" deste modelo.
Curiosidades: Só mesmo o estranho facto de existirem dois pequenos visores vermelhos na traseira da câmara! A finalidade? Verificar quando se tinha rodado o rolo até ao próximo negativo de forma correcta. O negativo continha a indicação (em duplicado) do número de foto a expor. Quando tal número coincidia nos dois visores o negativo estava centrado! Simples não?!

Canon EOS 5D Mark III (Vídeo promocional)




Após uma longa espera, eis a nova câmara da Canon: a EOS 5D Mark III!
Aparentemente, as inovações em relação à sua antecessora não parecem ser muitas... No entanto, há que ter em conta que a Canon EOS 5D Mark II era (e continua a ser) uma excelente câmara! Foi, das câmaras que tive cedidas para testes, uma das que mais gostei. (podem ver aqui, de modo mais alargado, a opinião acerca da mesma)
Supostamente, esta será a "natural" câmara concorrente da, também, recém lançada Nikon D800. Ambas possuem um sensor Full-frame e muitos megapixeis!
Uma das questões que certamente pairará na mente de muitos dos potenciais compradores de câmaras FX, no momento, será: Canon EOS 5D Mark III ou Nikon D800? Qual a melhor?
Sinceramente, acho que tudo terá a ver com a relação e tradição da marca que já vinham utilizando...
Contudo, uma ou outra diferença parecem-me mais relevantes entre as duas: Para os "puristas" do detalhe talvez a Nikon D800 seja uma boa opção. Por outro lado, para aquele que precisem frequentemente de fotografar em situações de pouca luminosidade, a Canon 5D Mark III talvez seja (devido à sua maior amplitude de valores de sensibilidade ISO) a opção mais lógica.
Já em relação à evolução das duas câmaras face às suas anteriores versões, parece-me ter havido uma maior "evolução" da Nikon ao passar da Nikon D700 para a Nikon D800 do que no caso da Canon ao passar da EOS 5D Mark II para a 5D Mark III... e não me estou a referir somente ao "aumento" dos MP porque nem só isso é relevante...
Mas tal como disse, é sempre mais dificil melhorar um produto que à partida já é bom!