Para variar, Fotografia Noturna! O Cais da Ribeira (Porto)


Nikon D800 + Tamron SP 45mm f/1.8 Di VC USD 
@ 15 seg., f/13, ISO 50



Estes últimos tempos tem servido para "matar saudades" e recuperar o gosto pela fotografia dalguns temas que não tenho feito com muita frequência... Um deles? Fotografia Noturna! 
Assim, num dos dias da passada semana, aproveitando os fins de tarde mais amenos que temos tido, decidi fazer um passeio noturno pela cidade do Porto. 

A ideia que me levou a fazer esta "saída" era a de testar a nova Tamron SP 45mm f/1.8 em meio citadino e captar, por isso, umas fotografias nas estreitas ruas da cidade, nomeadamente, nos acessos à zona ribeirinha... Todavia, como mais à frente explicarei, nada disso aconteceu...!
Neste tipo de saídas é sempre bom contar com alguma companhia (por várias razões: segurança, ajuda no transporte do equipamento... Claro que tem de ser pessoa que goste de fotografia e que tenha consciência que este tipo de tema, por vezes, implica bastante dispêndio de tempo). Assim, convidei um amigo para esta sessão noturna.
Chegados à cidade, "descarregamos" o carro e lá partimos nós, a pé, "carregados" com os sacos/mochila contendo as câmaras, as objetivas, os cabos disparadores... e os essenciais tripés na mão. Acabámos por optar pela travessia do tabuleiro superior da Ponte D. Luís I e ir diretos a um excelente "spot" que a cidade oposta à Invicta nos oferece e que permite uma visão soberba sobre o rio Douro e a zona ribeirinha do Porto: A vista a partir do Mosteiro Serra do Pilar (sito na cidade de Vila Nova de Gaia).

Aí chegados, ainda cedo, ou melhor, ainda antes da chamada "Golden hour" (aqueles pequenos minutos que antecedem o pôr do sol e que permitem capturas já com a iluminação artificial noturna mas aproveitando, também, alguma da luz existente para colorir as fotografias) e que esperávamos, nada mais restou que desfrutar a paisagem e ir "dando duas de conversa"! 




Nikon D800 + Tamron SP 45mm f/1.8 Di VC USD 
@ 25 seg., f/13, ISO 100


Durante a espera fomos, também, constatando a quantidade de turistas que visitavam e fotografavam o (e do) local, enquanto ocorria o gradual escurecimento do dia. Em todo o caso, com o céu parcialmente encoberto e a paisagem envolta por alguma neblina, esta não era a melhor altura para a captura de boas fotos diurnas, principalmente, ao "infinito". Esta situação, inevitavelmente, por muito boa que seja a objetiva/câmara com que estamos a fotografar, provoca sempre alguma perda de detalhes do que está mais distante...
Após o pôr do sol, o cenário muda de cores! 
Este segundo exemplo, captado, precisamente, na mesma localização da primeira fotografia que ilustra este artigo, apesar da alteração de sensibilidade ISO, já necessitou de mais tempo de exposição. Obviamente que na primeira também se poderia optar por utilizar o ISO 100 mas, reduzindo a sensibilidade para metade, conseguimos "compensar" a falta da utilização de filtros ND (a intenção reside em prolongar o tempo de exposição de modo a suavizar o movimento da água do rio). 



Nikon D800 + Tamron SP 15-30mm f/2.8 Di VC USD 
@ 15mm, 15 seg., f/13, ISO 100


Bom, como disse no início, a altura era para fotografar com a "nova" 45mm, uma objetiva talhada para este trabalho face à isenção de distorções de linhas. No entanto, sabendo que tínhamos programado fotografar a zona ribeirinha vista a partir de Gaia, levei também comigo a Tamron SP 15-30mm f/2.8 Di VC USD. Uma objectiva que permite capturas de cenários englobando uma maior porção de cenário. Além disso, também, é excelente na maneira como consegue registar com detalhe os elementos distantes.
É certo que, com este género de objetivas (Ultra-Grande angulares), teremos de contar com a "normal" fuga de linhas para o infinito. Enfim, traz-nos uma perspetiva diferente que, acaba por não ser arquitetonicamente a mais correta mas que compensa com a "quantidade" de cenário e perspetiva global que permitem registar. 
Ambas a objectivas utilizadas para captar as fotos (a Tamron SP 45mm f/1.8 e a Tamron SP 15-30mm f/2.8) são próprias para a utilização com o formato de sensor FX e preparadas, opticamente, para a utilização com câmaras de alta resolução de imagem. No caso, os 36Mp da Nikon D800, permitem ampliações enormes e quer uma, quer a outra, são brilhantes e estão à altura do desafio! Ampliadas para o tamanho real, nas fotografias ficou registado e é possível observar com detalhe todos os pormenores, mesmo os mais distantes!
  



Nikon D800 + Tamron SP 15-30mm f/2.8 Di VC USD 
@ 24mm, 13 seg., f/9, ISO 100


Caída a noite e registada que estava a paisagem urbana a partir da Serra do Pilar, era altura para pegar "nas trouxas" e seguir ruelas abaixo até ao Cais de Gaia.
Vista daqui, a zona ribeirinha do Porto, ganha uma nova perspetiva. Deixamos a vista global (quase aérea) para passarmos a uma abordagem mais próxima e intimista. 



Nikon D800 + Tamron SP 45mm f/1.8 Di VC USD 
@ 30 seg., f/10, ISO 100


Sem dúvida, as cores da iluminação desta parte da cidade são surreais! O rio fica "banhado" de cor!
Aproveito, nesta altura, para dizer a quem gosta de fotografar cenários noturnos como este (caso utilizem o formato de gravação de ficheiros JPG), que devem ter um cuidado especial com a regulação do equilíbrio de brancos (WB) da câmara. Ou seja, deverão ter o cuidado de seleccionar o modo "iluminação incandescente" ou regular manualmente o WB de modo a "arrefecer" a luz (regular para cerca de 2500 ~ 3000º K). Caso contrário, as imagens tenderão a ficar com um tom excessivamente "amarelado" o que as torna desagradáveis e de difícil leitura.  
Este, é um dos erros mais comuns observados nas fotografia que por aí vemos publicadas na Web apesar de ser de tão fácil resolução...
Caso fotografem em "RAW" não terão, de todo, de se preocupar com isso pois, em posterior edição, escolherão a temperatura de cor adequada. 
Aliás, não só por isso mas, principalmente, pela grande diferença de valores de exposição existentes neste tipo de cenário (entre sombras e altas luzes), esta é uma das alturas em que devemos, sempre que possível, fotografar em "RAW". Ponto! 
Isso fará toda a diferença na posterior edição das imagens, nomeadamente, na recuperação e equilíbrio entre as altas luzes e sombras.


Nikon D800 + Tamron SP 15-30mm f/2.8 Di VC USD 
@ 30mm, 13 seg., f/9, ISO 100



Já que estamos a falar de "erros", relembro outro (que, mesmo sabendo disso, por esquecimento, me aconteceu nesta sessão de fotografias e me obrigou a repetir uma ou duas fotografias) e que tem a ver com os sistemas de estabilização das objectivas.
Se estivermos a efetuar capturas, deste género, com a câmara fixa no tripé, com a utilização de espelho levantado, cabo disparador... não faz sentido ter o sistema de estabilização das objectivas activo! Aliás o que vai acontecer, no caso de não o desligarmos, é que vamos ficar com fotos tremidas! Podem ver aqui o porquê >> 

De igual modo, sempre que observo alguém a fotografar em tripé, comummente verifico que pouco são aqueles que tapam o óculo do visor da câmara... (podem ver aqui de que forma isso influência a exposição)
E pronto, cá ficou o relato de como passar uma agradável noite a fotografar com algumas "dicas" à mistura para aqueles que nunca o fizeram, quem sabe, experimentarem nos dias mais dias quentes que por aí vem! 

3 comentários:

Serafim Rocha disse...

Extraordinário... Belíssimas fotos da minha terra,de Mestre como sempre. Muito obrigado pelas dicas. Fiquei com mais saudades do meu Porto,e das francesinhas. Bem haja!

Jose Loureiro disse...

Obrigado!

Jaime Henriques disse...

Belíssima qualidade de trabalho. Obrigado !!!!